"Veja o ranking completo das
escolas", lê-se por toda a imprensa do dia. Não irei aborrecer-vos com o
óbvio, não ser surpresa nenhuma ver tantos colégios privados, 27, nos primeiros
27 lugares da lista. Estes colégios seleccionam os melhores alunos entre os
filhos das classes mais abastadas e dispõem de meios humanos e materiais que as
depauperadas escolas da rede pública não
dispõem, o que surpreende é que ainda haja quem se surpreenda, alguns de forma
tão vibrante, com o resultado desta corrida em que uns partem mais à frente e correm
de Ferrari e outros partem mais atrás e vão de carroça.
Apenas falo nisto porque, pela
primeira vez este ano, o Ministério da Educação disponibilizou um indicador
que, ao tentar medir a progressão ao longo do ciclo de aprendizagem, embora
ainda sem considerar factores importantes como o nível socioeconómico das
famílias dos alunos, a sua selecção ou não pelo estabelecimento respectivo e os
contextos de interioridade, mostra que "as
escolas privadas não são tão melhores como se pensa", ou melhor, como quem
detém o poder também de comandar o jogo de percepções através dos média quer
que se pense.
A surpreender, o que surpreende
este ano, portanto, é que o destaque tenha sido dado ao tradicional ranking "em
cru" e não o ranking corrigido, o qual, mesmo ainda sem considerar alguns
dos principais factores que distorcem o resultado final apresentado na tabela que
continua a ser destacada, tem três escolas no top 10, ao passo que no outro a primeira
pública aparece em 28º lugar.
É muito importante que a maioria
continue fiel à crença assim alimentada de que as escolas privadas são mais
eficientes do que as escolas públicas. Se essa maioria se transformasse em
minoria, seria extremamente difícil explicar por que é que colégios privados,
já sobejamente favorecidos, continuam a receber o financiamento público que
falta à escola pública juntamente com os alunos que aí vão roubar à boleia do
dinheiro dos nossos impostos. Por hora, a maioria continua indiferente à ideia
de andar a pagar o alegado direito de escolha da minoria que, apesar de auferir
rendimentos acima da média, exerce esse estranho direito com o dinheiro de todos. O negócio dos colégios privados
está mais do que assegurado.







