domingo, 6 de dezembro de 2015
Dois passos mais perto do fim
No referendo da última Quinta-feira
foi a vez da extrema-direita dinamarquesa mostrar que está a crescer com a vitória
folgada do não, que apoiou, a mais integração europeia e cedência de soberania em
matérias como Segurança e Justiça. Hoje foi a vez da extrema-direita francesa dar o mesmo sinal na primeira volta das eleições regionais com uma vitória retumbante
cavalgada sobre os mesmos temas Segurança, terrorismo, imigração e eurocepticismo
que há quatro dias fizeram a vitória dos colegas dinamarqueses. Um pequeno passo
na Quinta, um grande passo hoje. Só os fanáticos é que se recusam a verificar como
o projecto europeu vai galopando para o fim a que o condenaram à medida que o foram amputando da sua dimensão
de Europa dos cidadãos que o fez nascer. Esta Europa definitivamente
não serve e a morte do que não presta nunca será problema. O problema está no que
virá depois. E o que virá depois, com loucos furiosos como Marine Le pen com poder para dar largas à sua loucura, mete medo,
muito medo.
sábado, 5 de dezembro de 2015
Uma aflição feita ternura
"Ver Pedro Passos Coelho
sentar-se no hemiciclo de São Bento e assumir o seu mandato de deputado eleito
e o seu lugar de líder do principal partido da oposição é algo que revela a sua
qualidade política, mas que demonstra igualmente como pode e deve ser vivida
saudavelmente a democracia. Desde Mário Soares que nenhum líder partidário
voltava a sentar-se no Parlamento depois de ter sido primeiro-ministro. E a disponibilidade
e o à-vontade com que Passos o fez é meritório de elogio, pois mostra o
carácter democrático da sua personalidade." A ternura que varre as colunas
de opinião que se fazem mais à direita comove, toca-nos o coração. Ainda mais quando
tanta conversa mansa é dedicada a alguém que multiplicou por nove o velho sonho
de Manuela Ferreira Leite de suspender a democracia por seis meses para "pôr
tudo na ordem". E escolhi esta passagem do artigo de São José Almeida, do Público,
pelo tom pueril que lhe imprime mas sobretudo pela pergunta o "PSD vai
aguentar Passos como líder à espera que o Governo do PS caia?" À ternura junto-lhe
uma coisa chamada imunidade parlamentar, que não vem no texto. E à pergunta junto-lhe
um excerto de uma notícia desta
semana que diz assim: "Os responsáveis pelo processo de reprivatização
da TAP, que entregou 61% do capital da companhia aérea portuguesa ao consórcio
Atlantic Gateway, dos empresários Humberto Pedrosa e David Neeleman, vão ser
alvo de uma queixa-crime, que vai ser interposta por membros da Associação Peço
a Palavra. O anúncio foi feito pelo presidente da associação, o realizador
António Pedro Vasconcelos, num programa da RTP, e vai ser explicada no início
da próxima semana, numa conferência de imprensa convocada para esse efeito."
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Best fools forever, ou lá o que é
Uma breve nota para assinalar a injustiça
do dia: o estatuto de "coligação
vencedora" das eleições de Outubro passado não conseguiu fazer aprovar a
moção de rejeição que apresentou para derrubar o actual Governo. Outra breve
nota para destacar a surpresa do dia: PS, Bloco de Esquerda e PCP têm mais
deputados do que a coligação vencedora dessas eleições. E ainda mais uma breve
nota, esta em forma de "se", para repor a verdade que este dia manchou: se os
"sociais-comunistas" não tivessem elegido 122 deputados, os
vencedores das últimas eleições teriam aprovado a sua moção de rejeição com uma
cabazada histórica de 107 a zero. Os tolinhos não se contrariam, e estes bastante
furiosos ficaram (BFF). Façam o favor de continuarem a descredibilizar-se.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Quem não quiser ser Zuckerberg que ponha o dedo no ar
Hoje o mundo amanheceu com vivas
ao capitalismo inflamadas pela filantropia do dono do facebook, que anunciou a
sua intenção de, ao longo da vida, ir doando grande parte da fortuna pessoal a
uma fundaçãotambém sua propriedade e com o seu nome. Não nos/se baralhem, por favor. Em primeiro lugar, porque
por melhor que seja uma fundação ela não substitui as funções que apenas podem caber
ao Estado. Se, tal como o Estado, as fundações aplicam os recursos de acordo
com a vontade de quem as financia, essa vontade não coincide necessariamente
com o interesse público e muito menos obedece – e não faz sentido que obedeça –
às regras democráticas a que está sujeita a gestão da coisa pública. Em segundo
lugar, porque a excepção (ainda) não faz a regra. E a regra é a acumulação de
riqueza que um resolveu doar e todos os restantes mantêm a salvo de qualquer
redistribuição, lucros poupados pela fiscalidade, a crescer, e salários
sobrecarregados com impostos, a diminuir, e, apesar do flagelo do desemprego condenar
milhões à miséria, porque os aumentos de produtividade decorrentes de avanços
tecnológicos não são repartidos entre quem emprega e quem trabalha, a jornada
de trabalho continua por reduzir, a idade para deixarmos o nosso posto de
trabalho a quem dele necessita vem sendo progressivamente aumentada juntamente
com a penalização da sua antecipação voluntária. E atenção que é sobre o capitalismo
que escrevo. Sobre o gesto de Zuckerberg, aplaudo-o, sim, mas sem me comover, não
consigo comover-me com o destino dado a um fruto de uma aberração que a maioria
aceita como natural apesar de proibi-los de também serem Zuckerbergs. Se já vivêssemos
num mundo em que a jornada de trabalho e a idade para a aposentação fossem fixadas
de forma a assegurar o direito ao trabalho de todos, se a riqueza gerada já fosse
distribuída de forma a assegurar uma vida digna para todos, se a fiscalidade deixasse
de sobrecarregar os rendimentos do trabalho com os impostos que poupa aos lucros
e às rendas, em vez da generosidade facultativa de um teríamos a solidariedade obrigatória
de todos: todos os dias e não apenas num só, com toda a naturalidade e sem agradecimentos,
Cada um de nós seria um Zuckerberg. E sê-lo-íamos porque não haveria Zuckerbergs,
nem dos generosos, nem dos avarentos e gananciosos.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Gostei de ler: "Quando o imoral se torna banal"
«Miguel Horta e Costa,
administrador da ESCOM, empresa do Grupo Espírito Santo, esteve na Comissão de
Inquérito ao BES para explicar o seu envolvimento na compra de dois submarinos
pelo Estado Português. Lembro que, à data, tentávamos descobrir o circuito dos
16 milhões de euros pagos pelo consórcio alemão GSC a título de comissão à
ESCOM. Já a meio da audição, Horta e Costa resolve explicar o porquê de o
dinheiro ter circulado tanto, bem como o paradeiro de 6 milhões: não foi
corrupção, era mesmo só para fugir ao Fisco, e o dinheiro em falta serviu para
pagar aos advogados, bancos de investimento e assessorias que construíram a
operação.
A declaração que supostamente
tranquilizaria o país - afinal não houve corrupção - foi mais uma das
provocações convenientemente ignoradas pela maioria dos deputados e
governantes. Porquê? Porque se assim não fosse seriam obrigados a admitir que a
trafulhice é generalizada e que usa e abusa de leis feitas para isso mesmo.
Tornar-se-ia óbvio que estes esquemas não são exclusivo dos Horta e Costa deste
país, e que só são possíveis com a colaboração ativa de muitos dos mais
conceituados bancos e escritórios de advogados da praça.
Há muito que a Zona Franca da
Madeira (ZFM) é um pilar para estes esquemas. Quem a defende diz que gera
emprego e atividade económica. Os factos mostram o contrário. Veja-se o caso da
Eloaliança, denunciado pelo "Expresso" esta semana. É a segunda
empresa que mais lucra em Portugal, e também uma das que recebe maiores
benefícios fiscais. Paga 5% de imposto, declara mais de 100 trabalhadores, mas
só tem instalações para meia dúzia, além de apresentar uma conta anual de luz
de 482euro, quase o mesmo que uma família.
Há poucas grandes empresas em
Portugal que não façam uso da ZFM para esquemas de "planeamento
fiscal". A Jerónimo Martins fê-lo, a partir de uma sociedade chamada
Hermes, envolvida num complexo esquema com empresas na Holanda e nas Channel
Islands. O processo por "planeamento fiscal agressivo" passou anos em
tribunal, com sucessivas impugnações por parte do Grupo. De resto, já nada
parece surpreender e até se acha normal que a Sonae, a Amorim, ou a Jerónimo
Martins antecipem o pagamento de dividendos relativos a 2016 com medo de um
possível aumento da taxa sobre este tipo de rendimentos.
A fuga ao Fisco, o
"planeamento" ou "engenharia" fiscal não são exceções, são
a regra na gestão diária das grandes empresas, e todos os anos significam
milhares de milhões de euros de receita perdida para o Estado. São estas
empresas, estes empresários, banqueiros e advogados que não hesitam um segundo
em exigir mais austeridade enquanto clamam por novas descidas no IRC, cavando
assim uma desigualdade - entre trabalho e capital - que ninguém parece querer
encarar.» – Mariana Mortágua, no JN.
1º de Dezembro, ex-feriado da Restauração da Independência, seria bonito e simbólico que hoje fosse o dia escolhido para...
Publicado por Filipe Tourais em Terça-feira, 1 de Dezembro de 2015
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Clima: "são três desejos, não é possível"
Querer reduzir as emissões
poluentes que estão a matar o planeta e, ao mesmo tempo, não querer um acordo
com metas de curto prazo nem sanções comerciais para quem o viole lembra aquele
anúncio de há uns anos onde alguém dizia “são três desejos, não é possível”. As duas potências mais
poluidoras, China e Estados Unidos, e esta Europa dos estranhos consensos,
sempre tão bem comportadinha quando se trata de proteger as empresas europeias
da voracidade de multinacionais que as arruínam com uma concorrência desleal feita
de produtos obtidos sem custos ambientais e, por que não dizê-lo também, com o
factor trabalho remunerado à malga de arroz e sem direitos laborais de espécie
nenhuma, bem podem passar a Cimeira do Clima de Paris a ensaiar discursos
bonitos sobre um planeta verdejante e sustentável. Já tivemos experiências
suficientes para perceber que tanta boa vontade, invariavelmente ancorada num
livre comércio que eles juram será bom para todos, voltará a resultar no
prolongamento da licença que continuarão a conceder àqueles que enriquecem
rentabilizando a destruição de um recurso que é de todos, o nosso planeta. E se
não é verdade que a Cimeira de Paris não serviu para nada devemo-lo a uma manifestação
que deu exposição mundial a medidas de segurança que em vez de combaterem o terrorismo,
que sem o fim dos paraísos do segredo bancário e sem beliscar os interesses dos traficantes de armas também não combatem, limitaram a liberdade de milhares de pessoas se manifestarem livremente
contra o banquete dos comensais do globo terrestre, que da Cimeira receberão luz
verde para continuarem a comer-nos o chão. O mundo está em muito boas mãos.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Eu cá sou pelos exames porque sou de esquerda
A direita é pelos exames por serem
à antiga portuguesa. A esquerda é contra os exames por serem à antiga
portuguesa. Sei que haverá quem se decepcione com o que lerá a seguir, este é
dos tais temas que põem quase toda a gente a berrar de cabelos em pé, mas eu
sou pelos exames porque sou de esquerda. Passo a explicar-me: sem a boa nota
que pode obter no tal exame que a esquerda diaboliza, o aluno pobre fica em pé
de desigualdade com o aluno rico que obtém uma nota menor. E escrevi pé de
desigualdade e não pé de igualdade porque, quando ambos saem do sistema de ensino
e entram no mercado de trabalho, o desempate entre este bom aluno pobre e este
mau aluno rico é feito pelo papá do segundo, que em regra, usando a gíria do
maravilhoso mundo da cunha, tem mais “conhecimentos”do que o do primeiro, que
se relaciona maioritariamente com gente tão simples e sem poder como ele
próprio, já para não mencionar todas as experiências enriquecedoras que apenas os
alunos de classes mais abastadas têm a possibilidade de vivenciar e que, pelas competências que desenvolvem, também entram
neste desempate.
E antes que alguém diga que os
conhecimentos de um aluno não se conseguem medir cabalmente em duas horas de
exame, ideia com a qual estou completamente de acordo, antecipo-me deixando
algumas questões para as quais confesso não ter respostas. E então como é que
se distingue o bom do mau aluno? Como é que se convence um puto que a escola
não é apenas um sítio divertido para ir passar o dia se, quer trabalhem, quer
não o façam, o “sucesso” é garantido à partida para todos? Como é que se diferencia
o bom do mau professor e uma escola de uma vendedora de boas notas sem uma avaliação
externa que sirva de termo de comparação? Já agora, o primeiro teste de
conhecimentos que façam, na faculdade ou no primeiro concurso para um posto de trabalho,
e serão obrigados a fazê-lo mais cedo ou mais tarde, também é “fascista”? Responda
quem tiver a certeza absoluta. E sim, exames
no 4º ano talvez fossem um exagero, aos 9 anos talvez seja demasiado cedo para
sujeitar uma criança a tanta pressão. Mas apenas talvez. E as questões que enumerei
atrás não desaparecem neste talvez.
Gostei de ler: "O primeiro dia é feliz, mas as dificuldades chegam depois"
«(…)
Enquanto se especula sobre poderes presidenciais ou amarguras partidárias, nos
últimos meses o desemprego voltou a subir, a confiança económica regrediu, o
investimento mantém-se na mediocridade, a emigração não para, a economia
europeia dá sinais preocupantes. Por isso, depois do primeiro dia feliz, para o
novo governo chegam os problemas.
O Orçamento de 2016, que vai ser
trabalhoso de negociar na maioria parlamentar, é apesar de tudo o menor desses
problemas. No próximo, com cuidado orçamental, haverá uma ligeira recuperação
de pensões e salários, redução do peso do IRS considerando a sobretaxa, a
reversão das concessões dos transportes públicos, o aumento do salário mínimo
nacional e uma melhoria do rendimento disponível dos trabalhadores abaixo dos
600 euros. Ou seja, milhões de pessoas, que têm expectativas baixas, vão sentir
que valeu a pena a mudança em que votaram.
Grande parte das regras para esse
orçamento estão já discutidas e acordadas, salvo, imprevidentemente, o ritmo
da restituição da sobretaxa do IRS, porque o PS insiste nos 50% e a
esquerda na abolição da medida em 2016. Há no entanto novas soluções que podem
ser exploradas, como a diferenciação dos impactos em nome da protecção dos mais
sacrificados pela austeridade, de modo que os trabalhadores com menores
salários deixem desde já de sofrer a sobretaxa e os restantes recuperem
completamente no ano seguinte.
Outros problemas imediatos são mais difíceis.
A TAP e o Novo Banco são os piores buracos deixados pelo governo anterior.
A TAP foi comprada por uma
empresa sem poderes legais para assinar o contrato e que agora está a vender
terrenos e edifícios para assim pagar a sua conta. Paga a TAP com a própria
TAP. Uma embrulhada que parece bem uma
falcatrua, ficando tudo nas mãos dos bancos, que vão decidir se e quando a
empresa tem que ser nacionalizada. O governo só pode por isso estudar as
condições jurídicas da reversão do contrato, que é nulo.
O Novo Banco é um problema ainda
pior, porque houve uma intervenção pública promovida pelo governo e pelo Banco
de Portugal e ficou um buraco que ainda está por medir, além da devastação nas
poupanças dos “lesados do BES”. Mas, para já, faltam 1400 milhões e, se a
recapitalização não ocorrer até ao final de Dezembro, as regras europeias tornam-na
ainda mais difícil. Portanto, o banco tem que ser de novo intervencionado para
abater a sua dívida e para reduzir o seu balanço, restituindo os rácios
prudenciais de capital. O maior problema de curto prazo para Centeno.
E, se estes são alguns dos
problemas de curto prazo, depois virão os outros, os mais estruturais.» – Francisco
Louçã, no TME.
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Adeus
Continuamos sem Presidente da República,
como pudemos constatar pela ameaça que quem ainda ocupa o cargo não se coibiu
de ensaiar no momento mais impróprio para o fazer, precisamente quando dava
posse ao alvo da sua raiva, mas já temos Governo. Pela quantidade de liberais
que o integram, não será um Governo para quatro anos. Sinceramente, duvido que
resistam a dar largas aos seus ímpetos "reformistas", sobretudo se o
verniz que cobre a porcaria que se foi amontoando nos últimos quatro anos
começar a estalar com toda a rapidez, e já começou a estalar. Porém, pelo acordo
parlamentar que o sustenta, os tempos mais próximos garantidamente não serão um
decalque do autêntico inferno que vivemos nos últimos dez anos. E é isso que
importa agora. Virámos uma página negra da nossa História, quatro anos e meio
de pilhagem com direito a bónus de 27
dias, brincadeira de iniciativa presidencial que estabeleceu o record nacional
do Governo mais curto de sempre. Aconteça o que acontecer a seguir, na véspera
de Natal o XXI Governo Constitucional já terá durado mais do que o XX. Adeus.
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Quem diria, um 25 de Novembro de esperança
Assinalam-se hoje os 40 anos do
25 de Novembro de 1975, uma data escolhida por muitos para dar largas ao
ressentimento. Uma certa direita – direita canhota incluída – conta-o como
tendo sido o dia em que
Portugal se livrou dos excessos que aconteceram, e
aconteceram, entre o dia da revolução de 25 de Abril de 74 e a contra-revolução
de 25 de Novembro do ano seguinte. Uma certa esquerda, que tanto tempo depois
ainda tem dificuldade em admitir tais excessos que deitaram tudo a perder e em percebê-los
como os geradores do descontentamento popular que, se não apoiou, também não se
opôs à contra-revolução, conta-o como o dia em que começou o ajuste de contas
com o 25 de Abril que foi acontecendo depois pela mão das três forças partidárias
que a interpretaram e das duas que a intensificaram nos últimos quatro anos e meio.
Quarenta anos depois, agora os excessos são de sinal contrário aos do período
pós-revolucionário, tal como o descontentamento popular que tantos excessos voltaram
a gerar fazendo acontecer o 4 de Outubro de 2015, o dia em que os portugueses
usaram o voto para correrem com a direita de todos os excessos à qual dizemos definitivamente
adeus no virar de página que se vive também neste 25 de Novembro de 2015. Não será
o ajuste de contas com o 25 de Novembro de 1975 que tantos temem e pelo qual tantos
anseiam, será o Governo de um dos partidos que o interpretaram suportado no Parlamento
e fiscalizado pelos que sempre se lhe opuseram,. Ainda só conseguimos travar a contra-revolução.
E não é nada pouco. É o primeiro 25 de Novembro que vivemos com esperança no futuro desde esse último que a minha memória já não consegue precisar.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Finalmente (e a geriatria que explique o fenómeno)
Uma longa birra que desaguou em seis
exigências. Seis exigências respondidas com uma carta. E uma carta escrita e enviada em meia hora que pôs fim a uma birra de um mês e vinte dias. Eficácia é capaz de ser isto. A indigitação de António Costa como Primeiro-ministro aconteceu imediatamente
na manhã
seguinte.. Finalmente é a hora da esquerda.
Donald Trump e a fábrica de Verdades
Uma catástrofe, o choque, o medo,
o instinto à solta, a sua necessidade de encontrar culpados no seu pequeno
mundo, o boato infundado que nasce, a efervescência que gera, a oportunidade de
rentabilizar mediatismos, os vilões que vociferam ao desafio, os aplausos, o
herói que emerge da mentira. Mais coisa, menos coisa, com a falta de escrúpulos
de uma comunicação social que vende não lhe
importa o quê a fazer as vezes de caixa de ressonância, em termos genéricos a
linha de montagem do ódio social é esta. Se olharmos para o passado, para a
linha de montagem alimentada a mentiras sobre judeus que se instalou na
Alemanha dos anos 30 do século passado, o produto final chama-se Adolph itler.
Mas se olharmos para o presente,
para a linha de montagem que o clube da “festa do chá” (tea party) está a
tentar instalar na América deste 2015, o produto final poderá chamar-se Donald
Trump, assim consiga converter em votos em número suficiente para chegar à Casa
Branca o ódio que vai capitalizando com uma série interminável de mentiras às
quais está a conseguir dar voz com os dotes de artista que se lhe reconhecem. A
última delas andou de boca em boca desde o atentado às torres gémeas em 2001 a semear
a ideia de festejos que não aconteceram para terminar na sua, testemunha voluntária
de uma mentira que o torna porta-voz do energúmeno anónimoque a considera a verdade
das verdades: "Hey,
eu vi o World Trade Center a desabar. E vi em Jersey City, Nova Jérsia,
milhares e milhares de pessoas a festejarem à medida que aquele edifício caía.
Milhares de pessoas estavam a festejar", jordanos, palestinianos, sírios
e libaneses, todos árabes.
O incentivo ao ódio é crime. É sobre
ele que Aquele que neste momento é o mais
bem posicionado para ser o candidato do partido republicano à presidência da maior
potência militar mundial vai construindo a sua popularidade. A acusação tarda em
aparecer, a fábrica de “verdades” aproveita para ir acelerando o ritmo de produção.
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Série "como não deve ser um Presidente da República": "papá dá licença?"
Garantias de aprovação de
Orçamentos que ainda nem sequer existem, cumprimento de regras de organizações
que não lhe competem fiscalizar e representar, respeito por uma concertação
social que sempre desprezou quando era Primeiro-ministro, assegurar a
estabilidade do sistema financeiro que ajudou a enterrar ao participar no
banquete BPN e ao garantir publicamente a saúde financeira de um banco que
faliu dias depois, eis algumas das condições exigidas para indigitar o novo
Primeiro-ministro hoje tornadas públicas por um tal Aníbal que por estes dias
anda entretido a brincar ao “papá dá licença”. E note-se como só pode estar a
brincar. Caso António Costa lhe satisfaça o capricho agora, Cavaco está de pés
e mãos atadas para fazer o que quer que seja na eventualidade académica de uma
qualquer das suas seis exigências vir a não ser satisfeita nos dois meses que
lhe restam de desparataria presidencial: não pode dissolver a Assembleia da
República e desde 1982 que o Primeiro-ministro apenas responde perante o
Parlamento, não perante o Presidente da República. E o país fica sem Governo caso
António Costa lhe diga que esta exigência é um abuso inaceitável à luz de uma CRP
que, por mais que esperneie o louco furioso que ocupe o cargo, não confere tais
poderes ao Presidente da República. Obviamente que não será esta a resposta de Costa
à forma que Cavaco engendrou para descalçar a botifarra em que se meteu. Toda a
gente sabe que contrariar malucos não é nada boa ideia. Mas que Cavaco o coloca
numa posição difícil, coloca, e que a função do Presidente da República é precisamente
o oposto do que hoje pudemos testemunhar ainda mais uma vez, sem dúvida. Arre que
nunca mais é Janeiro.
sábado, 21 de novembro de 2015
Gostei de ler: "A armadilha"
![]() |
|
Na semana passada foi em Paris, esta
semana podia ter sido em
Bruxelas, na semana que vem não sabemos onde será e como será.
Arriscamo-nos a que os atentados terroristas passem a fazer parte do quotidiano
dos europeus. Fecham-se fronteiras físicas para tentar travar os peões desta
guerra, as fronteiras financeiras continuam escancaradas, os paraísos do
segredo bancário permanecem território sagrado, os reis da guerra continuam
completamente à vontade para fazerem os seus negócios e, lá longe onde chovem
bombas, o petróleo continua a jorrar milhões que compram armas àqueles que as
fazem chover. E que nos tentam convencer que apenas limitando-nos as liberdades
e desbaratando os estados de direito que alicerçam as nossas democracias poderão
combater um terrorismo que eles próprios vão alimentando com a sua estratégia de
xeque ao peão. Que ninguém se iluda, toda esta barbárie só terminará quando soubermos exigir o xeque ao rei
que só acontecerá depois da limpeza de todo o tabuleiro onde esta classe de
governantes são as peças de uma teia de protecções e lealdades que vão alimentando
negócios secretos brincando com as nossas vidas.
|
«“Estamos em guerra”, repete, uma e outra vez, François Hollande. “Contra a barbárie”. Já no 11 de Setembro de 2001, Bush Jr. encenara o mesmo discurso. Em 2006, depois de perceber a série de “erros cometidos no Iraque” (pelos quais nunca pagou o cristão renascido que ele próprio julgava ser), disse aos americanos que a “guerra contra o terrorismo”, que ele desencadeou depois de “a nossa nação ter visto o rosto do Diabo” e que o levara a invadir o Iraque (deixando-o devastado provavelmente por várias gerações), era o “combate ideológico decisivo deste século XXI. (…) Chamou-se-lhe o ‘choque de civilizações’”, em referência à famosa tese de Samuel Huntington tão popular (de tão medíocre e simplista) entre as elites e os media ocidentais. “mas, de facto, trata-se de um combate pela civilização. Nós batemo-nos pela preservação do modo de vida dos países livres” (The Washington Post, 11.9.2006).
Mas estamos mesmo em guerra? É
que declarar uma guerra não é coisa pouca. Para começar, para as vítimas e as
suas famílias. Os 130 mortos e os 300 feridos em Paris, todos eles cidadãos
comuns, como qualquer um de nós, foram transformados em combatentes involuntários
de uma guerra que o Estado Islâmico (EI) declarou, é verdade, mas que já havia
sido antecipada pelas inúmeras intervenções militares francesas através da
ampla geografia das suas antigas colónias (o Mali, a República Centro-africana,
a Síria). Quando Hollande mandou bombardear cidades ocupadas pelo EI na Síria,
as mesmas de onde fogem tantos dos refugiados que hoje afluem às fronteiras
europeias, ficámos sem saber quantas outras vítimas foram feitas entre outra
gente comum que não declarou guerra a ninguém... “O senhor caiu na armadilha”,
escreveu o historiador David Van Reybrouck em carta aberta ao presidente
francês, “porque sente a queimar-lhe a nuca o hálito quente de falcões como
Nicolas Sarkozy e Marine Le Pen. E o senhor tem desde há muito tempo a
reputação de ser um fraco (…) [e,] cabisbaixo, caiu na armadilha, pronunciando,
palavra por palavra, o que os terroristas esperavam de si: uma declaração de
guerra. O senhor aceitou com entusiasmo o convite deles para a jihad.” (Le
Monde, 16.11.2015) Ao fazê-lo arrastou-nos a todos nós, europeus, e a todas as
mulheres e homens representados por governos que se têm envolvido desde há
décadas na menos clara e mais mal explicada (sucessão de) guerra(s) que tem
devastado o Médio Oriente.
Muitos dirão que já não vale a
pena discutir como aqui chegámos. Pelo contrário: nesta acumulação de
ressentimento sem fim de árabes contra ocidentais, é cada dia mais importante
perceber os 120 anos de ocupação colonial francesa (Argélia, Marrocos, Tunísia,
Síria, Líbano), britânica (Egito, Jordânia, Palestina, Iraque, Arábia) e
italiana (Líbia) que só cessou anos depois da II Guerra Mundial. A partir desse
momento, um território sob o qual se estende o mais vasto lençol de petróleo do
planeta tornou-se pasto de uma interminável guerra de colonização judaica na
Palestina, acompanhada de uma estratégia incendiária por parte das antigas
potências coloniais e do seu aliado norte-americano. Foram eles que, como
recorda o veterano Robert Fisk, “impuseram reis aos árabes, cozinharam
referendos (...), e depois lhes deram generais e ditadores. Para os árabes, a
'democracia' não significou liberdade de expressão e de escolha dos seus
líderes; ela referia-se às nações 'democráticas' do Ocidente que continuaram a
apoiar ditadores cruéis que os oprimiam” (Independent, 19.11.2015). Aliados
contra os movimentos emancipalistas laicos, como os de Nasser, no Egito, ou de
Arafat na Palestina, ou da FLN argelina na guerra contra a França, aos
ocidentais pouco importava (e pouco importa hoje ainda) que todos eles fossem
ultra-religiosos e se opusessem ao socialismo árabe em nome de Alá. Desde a
guerra do Afeganistão, contra os soviéticos, e a da Bósnia, que os ocidentais
têm vindo a armar em cada fase os mesmos jihadistas (Al-Qaeda, EI) contra os
quais têm de lutar na fase seguinte. Quinze anos depois do 11 de Setembro, os
sauditas e os emiratos petrolíferos do Golfo, ditaduras terríveis que se
sustentam sobre um misto de modernidade ultracapitalista e de violência e
opressão em nome dos mesmos valores religiosos do Estado Islâmico, continuam a
ser aliados de Washington, primeiro na luta contra Saddam, hoje contra Assad e
o Irão. Sauditas eram Bin-Laden e os suicidas do 11 de Setembro; sauditas e
qataris pagam aos jihadistas sírios as armas que estes compram aos EUA ou à
França. As mesmas que chegaram às mãos do EI, que permitiram que ele se
consolidasse.
Que estranha guerra esta... “Sem
o crime que foi a guerra de agressão contra o Iraque” e o milhão de mortos que
terá provocado, “não haveria EI nem 'Al-Qaeda no Iraque'. Sem o financiamento e
o armamento fornecido pela Arábia Saudita e o Ocidente a um agregado de grupos
sunitas extremistas no Médio Oriente, utilizados para atacar por procuração o
Irão e os seus aliados, não haveria EI (...) – e não teria havido ataques
terroristas em Paris” (Chris Floyd, in Arrêt sur Info, 19.11.2015).
Guerra na Síria, e guerra civil
em França? “Os franceses deixaram de estar em segurança”, diz Marine Le Pen,
que pede “medidas de urgência” para “esmagar o fundamentalismo islamista” e
para “rearmar o país”. E Hollande caiu na armadilha: apressou-se a propor uma
revisão da Constituição e a impor o estado de emergência que permite à polícia
e aos serviços de informação operarem sem controlo judiciário: durante três meses
(pelo menos...) podem proibir manifestações, dissolver associações, revistar e
deter nas ruas, entrar à força em residências a qualquer hora do dia ou da
noite, interrogar sem custódia judicial... Num clima destes, a grande maioria
dos franceses estará de acordo com estas medidas. Mas também os
norte-americanos terão apoiado o Patriot Act e todo o 1984 que se lhe seguiu –
e daí resultou Abu Ghraib e Guantánamo (que Obama continua sem fechar), prisões
secretas da CIA e voos ilegais que as enchiam de milhares de detidos sem
acusação, tortura como método generalizado, assassinatos ditos extrajudiciais,
escutas impostas ao planeta inteiro. É em contextos destes que gente como o
eurodeputado Nuno Melo se atreve a dizer que “o terrorismo não se combate de forma
romântica” (Antena 1, 20.11.2015). Acompanha-o o truculento Donald Trump, que
adverte desde já que “vamos ter de fazer coisas que eram impensáveis há um ano
atrás”, como impor um registo especial para os muçulmanos (Guardian,
19.11.2015).
“Há outras formas de firmeza
diferentes da linguagem da guerra”, lembrou Van Reybrouck a Hollande. “Logo
depois dos atentados na Noruega”, quando Breivik matou a tiro uma centena de
jovens por estarem “contaminados” pelo “marxismo” e pelo “multiculturalismo”,
“o Primeiro-Ministro Jens Stoltenberg pediu 'mais democracia, mais abertura,
mais participação'. O seu discurso, senhor presidente, faz referência à
liberdade. Poderia ter falado também dos dois outros valores da República
francesa: a igualdade e a fraternidade. Parece-me que precisamos deles bem mais
do que da sua duvidosa retórica de guerra.”» – Manuel Loff, no Público.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Duas excelentes notícias
Hoje Portugal viveu um momento histórico.
Da esquerda à direita, com votos a favor até mesmo de alguns deputados do PSD, o
nosso Parlamento pôs o supremo interesse das crianças a derrubar o preconceito que
impedia que, como manda a nossa Constituição, os casais do mesmo sexo fossem cidadãos
de pleno direito também em matéria de co-adopção. Finalmente
somos todos iguais perante a lei. No
mesmo dia e no mesmo local decidiu-se também que nenhuma
mulher voltará a ser discriminada quando necessitar de recorrer ao SNS para exercer
a sua vontade de interromper uma gravidez por si indesejada. Estamos todos de
parabéns. A democracia funciona quando a fazemos funcionar.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Feriados: devolvam-nos as nossas vidas, devolvam-nos a nossa História
Ao contrário do que sugere um
título do DN, aliás como se percebe sem dificuldade lendo o corpo do artigo, a
esquerda não está dividida na reposição dos quatro feriados que o anterior
Governo suprimiu alegadamente para mostrar que não somos preguiçosos a uma
Europa do Norte que, regra geral, trabalha muito menos dias por ano e tem mais
feriados e férias do que nós, porém, na prática para determinar a transferência
de um somatório de cerca de 150 milhões de euros por feriado suprimido do bolso
de todos os que passámos a ter que trabalhar gratuitamente mais quatro dias ao
ano para o bolso de quem passou a somar à sua conta bancária a riqueza gerada
por esse voluntariado à força. Ao que parece, agora até os partidos da direita
concordam em discutir a reposição da borla por si decretada. Fez-lhes bem
perderem a maioria que lhes possibilitou legalizarem unilateralmente e à margem
de qualquer diálogo toda a espécie de roubos, este incluído.
Será, portanto, dando-lhe o tempo
necessário para que se cumpra a lei e em clima de consenso, que vai da esquerda
à direita mais direita, e não no clima de divisão sugerida pelo mau
jornalismo que aproveita qualquer coisa para mostrar de que lado está, que
decorrerá a discussão pública da reposição dos quatro feriados. Certos quadrantes
da nossa sociedade têm insistido imenso na força da tradição: para lhes fazer a
vontade, em cima da mesa há uma proposta de tornar feriado também o Carnaval. A
Igreja Católica abriu mão de dois feriados religiosos, não há razão alguma para
que o Estado laico que somos desperdice a oportunidade de devolvê-los juntamente
com o 5 de Outubro e o 1 de Dezembro como recordação e homenagem, por exemplo, aos
heróis da revolta
republicana de 31 de Janeiro de 1891, do 16 de Novembro de 1922 que trouxe
ao mundo o gigante da nossa Cultura que foi José Saramago ou desse 12 de Abril
de 1761, tão importante para a História da humanidade como esquecido no país
que foi o primeiro no mundo a legislar a abolição da escravatura –sim, fomos
nós, Portugal.
E podíamos bem tornar-nos também os primeiros a usar o 29 de Fevereiro para
fazer pedagogia: por que carga de água é que de quatro em quatro anos somos obrigados
a celebrar o ano bissexto a trabalhar gratuitamente? Temos ouvido com toda a insistência
que não há almoços grátis, o desse dia continua completamente grátis, só para
alguns e como se fosse a coisa mais natural do mundo. Não é. Nos países anglo-saxónicos, onde o salário é pago semanalmente e não mensalmente, quem trabalha nesse dia não o faz de graça.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Nas calmas
O senhor Presidente da República,
por estes dias atarefadíssimo a ouvir quem lhe diga sim ao seu não à
indigitação do Governo das esquerdas, insiste que não há razões para ter pressa
em tomar uma decisão e justifica-se com os cofres cheios, sobre os quais ouvimos
falar aqui há tempos, com a confiança dos mercados, pelo visto à prova de
birras presidenciais, e com uma prosperidade e uma estabilidade do sistema
financeiro que mais ninguém vê. Ao mesmo tempo, ai que lá se vai a
prosperidade, ai que não somos a Grécia mas andaram a martelar contas para
ganharem trunfos eleitorais, a receita fiscal mandou dizer que não haverá
devolução da sobretaxa de IRS coisíssima
nenhuma e, ai que lá se vai a estabilidade do sistema financeiro, o Banco
Central Europeu deixou recado sobre o chumbo do Novo Banco nos seus testes de
stress. Sua excelência deve continuar convencido que o BES continua com a boa
saúde que lhe garantiu pouco antes de falir, ou quem sabe se Nossa Senhora de
Fátima lhe segredou que os cofres cheios de dinheiro que é nosso servirão para
pagar os mil milhões do Novo Buraco desse referencial de estabilidade que lhe
alicerça a calma e, com alguma ajuda do divino, pode ser que ainda sobre para
pagar a multa pelo atraso de mais de um mês na entrega do papelucho orçamental
exigido por aquela Europa à qual devemos obediência quando sua excelência não
lhe dá para se virar para a esquerda com ataques de raiva e para a direita com
ataques de calma. A conta há-de chegar. Bruxelas vai insistindo que a compreensão
tem limites. A Europa está-se nas tintas para as calmas do senhor presidente.
E nem o país nem o mundo começam ou terminam em Belém. C avaco anda a pedir uma multidão que lho recorde à porta do seu palácio encantado. Nas calmas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















