(actualizado)
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Com o euro, na vez das desvalorizações cambiais (todos
perdem), o "ajustamento" faz-se desvalorizando salários (apenas perde
quem vive do seu trabalho) – gráfico daqui.
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País periférico do centro europeu da economia
mundial, e parceiro perfeitamente menor da estratégia norte-americana no mundo
(veja-se como andam desesperados os atlantistas militantes ao verificar como
Portugal aparece no item peanuts das prioridades de Washington), a única
estratégia que se percebe haver, de novo, na forma como se tem posicionado
Portugal na Europa e no mundo desde o fim do período revolucionário e a
descolonização é a permanente procura de colagem a quem manda no mundo, isto é,
aos EUA-polícia-global, por mais que a sua política crie cisões no próprio
Ocidente em que Lisboa enfileira; e ao diretório de turno na Europa, o que,
desde Maastricht, Tratado Orçamental e, sobretudo, o pacto com a troika, passou
a ser a Alemanha, mesmo quando esta nem se preocupa em esconder a sua opção por
uma UE organizada em círculos concêntricos, no mais central dos quais está
apenas ela e aqueles que sigam os estritos preceitos que lhe garantam uma
hegemonia económica e comercial que, desde a unificação, ela deixou de fingir
querer partilhar com os demais. Os governos portugueses (direita ou PS, é
indiferente) são, de resto, a par do britânico, do holandês, do dinamarquês e
dos da Europa pós-comunista (a nova Europa, como lhe chamava Rumsfeld, para a
distinguir de alemães e franceses que então mostravam, a propósito da invasão
do Iraque, alguma autonomia), dos que mais se empenham em compatibilizar o que
muitas vezes é incompatível: um atlantismo ortodoxo, que cala todas as críticas
a um aventureirismo bélico americano que se tornou permanente, e um europeísmo
que, sem nunca se assumir federalista, presume a cedência total a
Bruxelas/Berlim da soberania económica como a melhor forma de impor aos
portugueses um modelo que contradiz todos os esforços de democratização social,
contornando uma Constituição que, desta

O clássico. Os Uns dirão que a culpa
é dos outros, os outros que a culpa é dos uns. E terão todos razão, a responsabilidade
à qual tanto gostam de referir-se usando a palavra “culpa” é de todos os que passaram
pelo Governo, ou melhor, de todos menos daquela inimputável senhora que diz que
a impunidade acabou. Uma inspecção realizada
há mais de um ano e apenas agora revelada ao Departamento Central de
Investigação e Acção Penal (DCIAP), a unidade do Ministério Público
especializada na investigação da criminalidade complexa e organizada, revelou
uma profunda
desorganização no funcionamento daquela estrutura entre 2009 e 2013, polícias
recrutados por amizade, gastos avultados, uma distribuição dos inquéritos sem
qualquer critério e atrasos que chegam aos 10 anos na tramitação dos processos
de prevenção de branqueamento de capitais. Como se constata mais uma vez, o
romance entre a impunidade e a corrupção não é obra do acaso, é herança de um centrão nada interessado em ter mais do que uma Justiça coxa a correr atrás de si.