terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Jogar com o tempo
Como "primeiro passo", ponto
de partida dependente de uma "avaliação positiva" posterior do
"programa", o Eurogrupo acaba
de aprovar à condição a
lista de reformas que lhe foi apresentada pelo Governo grego. Ou seja, não foi
uma aprovação incondicional, mas também não foi a rejeição liminar pretendida por alemães e
alemãezinhos, leia-se, Portugal e Espanha. O Eurogrupo acusa os efeitos da ofensiva
mediática desenvolvida pelo Governo grego junto das opiniões públicas europeias
e, sem margem política para assumir uma rejeição imediata das propostas gregas,
decidiu jogar com o tempo e apostar numa guerra de desgaste em duas frentes, a
das "reformas estruturais" – a agenda de reconfiguração social de
concentração de riqueza que destruiu a Grécia – que continua a exigir por um
lado e a da erosão da base eleitoral do Governo grego, por outro. A corda ainda
não partiu, mas pode partir a qualquer momento. O lado alemão irá tentar fazê-la partir no
momento mais apropriado para evitar que o efeito Syriza alastre pela Europa em ano
de eleições em Espanha e em Portugal. O lado até agora totalmente ganhador sabe que tem
tudo a perder. Oxalá o lado até agora totalmente perdedor, o dos cidadãos europeus, perceba que só tem a ganhar em cerrar
fileiras e fazê-los cair. Os gregos já começaram a ganhar. E note-se que apenas ganharam. Não perderam rigorosamente nada.
Coxa que te quero coxa
O clássico. Os Uns dirão que a culpa
é dos outros, os outros que a culpa é dos uns. E terão todos razão, a responsabilidade
à qual tanto gostam de referir-se usando a palavra “culpa” é de todos os que passaram
pelo Governo, ou melhor, de todos menos daquela inimputável senhora que diz que
a impunidade acabou. Uma inspecção realizada
há mais de um ano e apenas agora revelada ao Departamento Central de
Investigação e Acção Penal (DCIAP), a unidade do Ministério Público
especializada na investigação da criminalidade complexa e organizada, revelou
uma profunda
desorganização no funcionamento daquela estrutura entre 2009 e 2013, polícias
recrutados por amizade, gastos avultados, uma distribuição dos inquéritos sem
qualquer critério e atrasos que chegam aos 10 anos na tramitação dos processos
de prevenção de branqueamento de capitais. Como se constata mais uma vez, o
romance entre a impunidade e a corrupção não é obra do acaso, é herança de um centrão nada interessado em ter mais do que uma Justiça coxa a correr atrás de si.Gostei de ler: "Dignidade, aquele conceito que o Governo não entende"
«1. “Pecámos contra a dignidade
dos povos, nomeadamente na Grécia e em Portugal e muitas vezes na Irlanda”. As
declarações do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, proferidas
a propósito da actuação da troika, perante os representantes dos Estados-membros
e transmitidas pelos órgãos de comunicação social, constituem um mea culpa
formal e em termos raramente ouvidos da boca de um político.
Juncker considerou que a troika
era um órgão sem legitimidade democrática e que a Comissão Europeia agiu de
forma errada ao dar-lhe carta branca para impor políticas de austeridade aos
Estados-membros e ao “confiar cegamente” nela. Juncker considerou que, no
domínio da assistência financeira aos estados, “tudo deve ser revisto” e
admitiu mesmo que parecia “estúpido” ao dizer isto agora, ele que foi
presidente do Eurogrupo, mas que é necessário “aprender com as lições do
passado e não repetir os mesmos erros”. Mas Juncker não disse apenas que a
troika foi ineficaz. Ao usar a expressão que usou, o presidente da Comissão
introduziu um julgamento moral que não pode deixar de ser pesado. Para Juncker,
a acção da troika não foi apenas tecnicamente errada. Ela foi também
politicamente contraproducente e moralmente inaceitável.
É impossível não concordar com o
político luxemburguês quando diz que faz figura de parvo ao admitir agora isto,
enquanto se calou antes, mas é evidente que Juncker, que de estúpido terá pouco,
o diz hoje porque o pode dizer sem grandes custos e não o podia dizer antes sem
arriscar a cabeça.
O que faz com que Juncker tenha
ganho este espaço de manobra não é apenas o facto de ser hoje presidente da
Comissão Europeia, mas o facto de a posição do novo Governo grego ter obrigado
as instituições europeias, os governos europeus, as instituições financeiras,
os analistas, os media e a opinião pública a uma reavaliação do papel e da
legitimidade da troika que dificilmente poderia ter outro resultado.
Se não houvesse outra razão, esta
seria já uma boa razão para nos congratularmos com a eleição do Syriza na
Grécia.
2. As declarações de Juncker são
raras num político, mas não são a história toda. E a história toda poderia
fazer deste episódio um case study nos cursos de relações internacionais, se
Passos Coelho e o seu Governo tivessem relevância política ou intelectual para
ficarem na história.
A história completa-se com a
reacção do Governo português às declarações de Juncker, pela boca de Marques Guedes,
ministro da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares,
que considerou as declarações do presidente da Comissão Europeia “infelizes” e
garantiu que a dignidade de Portugal “nunca foi beliscada” pela troika.
Como se pode entender que, por um
lado, a Comissão Europeia diga que ofendeu a dignidade dos portugueses, que se
penitencie pelo facto e que afirme que isso não pode voltar a acontecer, e que,
por outro lado, o Governo português responda que não senhor, que a dignidade
dos portugueses não foi ofendida, que não há razão para penitências nem para
falar de indignidade?
A explicação é chocante, mas
simples: acontece que Jean-Claude Juncker é mais exigente na defesa da
dignidade dos portugueses do que o Governo português.
Para Paulo Portas (que instituiu
oficialmente o regime de “protectorado” de Portugal sob a tutela das potências
europeias sem o mínimo sobressalto patriótico, como se se tratasse apenas de um
contratempo menor) e para Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, para
quem servir os credores de Portugal é a mais alta das honrarias, é difícil
imaginar o que seria ofender a dignidade dos portugueses, porque o conceito de
dignidade do povo português é algo extremamente vago, que se encontra
subalternizado em relação à vassalagem devida aos mais fortes e à admiração
devida aos mais ricos.
Outra razão por que o Governo
português e o seu ministro porta-voz receberam mal a afirmação de Juncker é
porque ele fechou, de facto, a porta à troika e disse que esta indignidade não
pode voltar a acontecer, mas, caso se apresentasse outra oportunidade, o
Governo em bloco gostaria de obedecer de novo às ordens da troika, mesmo sendo
ela arrogante, antidemocrática e ineficaz, porque sabe que isso agrada aos seus
maiorais.
3. Quando o Governo grego disse
que não negociaria com a troika e acabou por aceitar negociar com — além do
Eurogrupo — a Comissão Europeia, o FMI e o Banco Central Europeu, houve quem
tivesse falado de uma mera “questão de semântica”, já que estas três instituições
eram, de facto, a troika. Mas há uma diferença política fundamental. Há um
mundo de diferença entre ter ministros a negociar com Christine Lagarde, Mario
Draghi e Juncker ou ter os mesmos ministros a obedecer a três burocratas com
imenso poder, imensa arrogância, nenhuma legitimidade e nenhuma flexibilidade.
Para perceber como isto é diferente, basta ver as diferenças entre o discurso
dos dirigentes do FMI e a posição do funcionário do FMI na troika durante o
“programa” português. A Grécia conseguiu arredar a troika do panorama e, também
por isso, a vitória do Syriza é importante para a Europa.» – José Vítor
Malheiros, no Público.
«(...) O
governo grego não tem nem terá qualquer aliado entre os outros governos: o
centro está alinhado com Merkel, porque esse é o efeito de uniformização
política produzido pelas regras europeias, que só reconhecem os mercados
financeiros. Dos partidos socialistas não “vêm reforços”, só vem austeridade.
Mas, entretanto, o quadro institucional está a mudar radicalmente, porque o
governo alemão, o tirano silencioso, passou a conduzir as negociações e as
decisões. Numa palavra, sentou-se no trono. Dijsselbloem, em nome de Merkel e
sem vergonha nem hesitação, retirou na segunda feira uma proposta de acordo
negociada por Juncker e o presidente da Comissão Europeia desvaneceu-se. O
fechamento institucional da Europa acelerou-se com esta crise e não tem
remédio. (...)»
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Sobre salário mínimo
De entre as intenções do novo
Governo grego, porventura aquela que mais reacções despertou no meu pequeno
mundo de relacionamentos foi a restauração do seu valor para aquele que
vigorava antes da ocupação externa. A maioria refere-se-lhe nos mesmos termos em
que o faz a comunicação social, chama-lhe “subida”, e reproduz a tese dos
“especialistas” da imprensa económica que vaticinam que a economia grega não
resistirá à devolução desta parcela de dignidade que, a mando da troika, os
Governos anteriores roubaram aos gregos, quando o que objectivamente se
verifica é que a economia grega não resistiu ao roubo, encolhendo-se para três
quartos da riqueza que produzia anualmente antes da “ajuda”e fazendo o
desemprego disparar para mais do dobro. Sem dúvida alguma, os “especialistas”
têm feito um excelente trabalho, tanto mais que por cá os efeitos devastadores da
contínua desvalorização salarial, tornada política oficial em Portugal depois
da adesão ao euro, se notam por toda a parte com cada vez mais intensidade numa
crise à prova de “especialistas” que entrou no nosso quotidiano vai para quinze
anos. Vem no I de hoje: “desde
1999, ano do nascimento do euro, até este ano, Portugal foi o quarto país que
menos aumentou o salário mínimo no conjunto de 21 países da União Europeia”.
A actualização do salário mínimo para mínimos de decência não é mera questão de
justiça social, é também e sobretudo um imperativo de racionalidade económica.
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Gostei de ler: "As trombetas do poder"
«O "jornalismo" económico em
Portugal caracteriza-se por não ser jornalismo. Há alguns jornalistas
económicos que não merecem aspas? Há sem dúvidas, mas são a excepção da
excepção. E eles são os primeiros a saber que o são e como são verdadeiras as
afirmações que aqui faço. Até porque fazer jornalismo na imprensa económica é
das coisas mais difíceis nos dias de hoje. Fica-se sem "fontes", sem
a simpatia dos donos e dos anunciantes e pode-se ficar sem emprego.
A maioria que escreve na imprensa
"económica" fá-lo entre páginas e páginas feitas por agências de
comunicação, artigos enviados por auditoras e escritórios de advogados, fugas
"positivas" de membros do Governo. Quase tudo é pago nessa imprensa,
mas esse pagamento não é o salário normal do jornalismo, mas o seu "modelo
de negócio", "vender comunicação" como se fosse jornalismo. É
pago por empresas, associações de interesse, agências de comunicação e
marketing, por sua vez empregues por quem tem muito dinheiro para as pagar.
O público é servido por
"informação" que não é informação, mas publicidade e comunicação
profissionalizada de agências, dos prémios de "excelência" disto e
daquilo, destinados a adornar a publicidade empresarial, páginas encomendadas por
diferentes associações, grupos de interesse e lóbis, nem sempre claramente
identificados,anuário sem que só se pode estar se se pagar, organização de
eventos que parecem colóquios ou debates, mas não são.
Um cidadão que não conheça estes
meandros pensa que o prémio é competitivo e dado por um júri isento, que as
páginas especializadas são feitas pelos jornalistas e que quem é objecto de
notícia é-o pelo seu mérito e não porque uma agência de comunicação
"colocou" lá a notícia, que um anuário é suposto ter todos os
profissionais ou as empresas de um sector e não apenas as que pagam para lá
estar, e que um debate é para ser a sério, ter contraditório e exprimir
opiniões não para a propaganda governamental ou empresarial. O acesso ao pódio
nesses debates é cuidadosamente escolhido para não haver surpresas, e os
participantes pagam caro para serem vistos onde se tem de ser visto, num
exercício de frotteurisme da família das
filias.
As trombetas do poder (2)
Um dos usos que o poder faz deste tipo
de imprensa é a "fuga" punitiva. Dito de outro modo, se o Governo
tiver um problema com os médicos, ou com os professores, ou com os magistrados,
ou com os militares, aparece sempre um relatório, ou uma "informação"
de que os médicos não trabalham e ganham muito, que os professores são a mais e
não sabem nada, que os magistrados são comodistas, e atrasam os processos por
negligência, e que os militares são um sorvedouro de dinheiro e gostam de
gadgets caros. E há sempre um barbeiro gratuito para o pessoal da Carris, ou
uma mulher de trabalhador do Metro que viaja de graça, em vésperas de uma
greve.
As trombetas do poder (3)
A luta contra a corrupção, seja
governamental, seja empresarial, a denúncia de "más práticas", os
excessos salariais de administradores e gestores, a transumância entre
entidades reguladoras e advocacia ligada à regulação, entre profissionais de
auditoras e bancos que auditavam e vice-versa, o embuste de tantos lugares
regiamente pagos para "controlar", "supervisionar",
verificar a "governance" ou a "compliance", para
"comissões de remunerações", a miríade de lugares para gente de
estrita confiança do poder, que depois se verifica que não controlam coisa
nenhuma, nada disto tem um papel central na imprensa económica.
A maioria dos grandes escândalos
envolvendo o poder económico foram denunciados pela imprensa generalista e não
pela imprensa económica, que é suposto conhecer os meandros dos negócios. A sua
dependência dos grandes anunciadores em publicidade, as empresas do PSI-20 por
exemplo, faz com que não haja por regra verdadeiro escrutínio do que se passa.
As trombetas do poder (4)
Esta imprensa auto-intitula-se
"económica", mas verifica-se que reduz a "economia" às
empresas e muitas vezes as empresas aos empresários e gestores mais conhecidos.
Os trabalhadores, ou "colaboradores", é como se não existissem.
Um exemplo típico é Zeinal Bava, cuja
imagem foi cultivada com todo o cuidado pela imprensa económica Agora que Bava
caiu do seu pedestal, como devemos interpretar as loas, os prémios,
doutoramentos honoris causa, "gestor do ano", etc., etc.? A questão
coloca-se porque muita da análise aos seus comportamentos como quadro máximo da
PT é feita para um passado próximo, em que teriam sido cometidos os erros mais
graves. Onde estava a imprensa económica? A louvar Zeinal Bava, como Ricardo
Salgado, como Granadeiro, como Jardim Gonçalves, como… Até ao dia em que caíram
e aí vai pedrada. (...)» – Pacheco Pereira, na Sábado.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Este camarada
Como sabemos, manifestar simpatia
é muito diferente de apoiar. Manifestar simpatia não compromete ninguém. Um bom
exemplo de alguém que nunca se compromete com nada e vai tentando tirar partido
de eventuais confusões entre as suas manifestações ocasionais de simpatia pelo
Governo grego e o apoio que nunca lhe expressou publicamente é António Costa. Não
perdeu tempo em fazê-lo novamente no comentário que fez à reunião do Eurogrupo
de ontem: “qualquer português fica perplexo quando vê as noticias no final do
Eurogrupo e percebe que o Governo português, em vez de querer que os
portugueses e a economia portuguesa beneficiem da flexibilidade da austeridade,
quer aumentar a agonia da austeridade dos outros”, disse à saída de uma conferência
de líderes socialistas europeus em Madrid. Se toda a razão que tem no que
diz relativamente ao Governo português ninguém lha tira, o local que escolheu
para dizê-lo não poderia ser melhor para ilustrar como a diferença atrás citada vai povoando as
intervenções de um Costa que apenas quer parecer e não ser diferente daqueles
que critica: por que razão não estendeu a crítica aos seus camaradas, por
exemplo, Hollande e Renzi? Seja lá o que tenha conquistado ontem, a Grécia nada
lhes deve. A França e a Itália, aliás como todos os demais países governados
por "socialistas",encolheram-se ao lado da grande Alemanha e ajudaram-na
no seu propósito de prolongar ao máximo a agonia da austeridade que, tanto como
os países governados por liberais e conservadores, impuseram à Grécia em capítulos
anteriores deste naufrágio europeu. À Costa.
Ontem negociou-se
Um acordo de princípio à
condição, que ainda não se sabe se irá durar apenas três dias, o pior dos
cenários, ou se quatro meses, o melhor. Tudo é melhor do que nada, pelo que ser
melhor do que nada nunca será vitória para ninguém. Mas no saldo provisório da
reunião do Eurogrupo de ontem há a registar um enorme recuo da intransigência
tentada pela Alemanha ao longo de toda a semana, que a tradicional subserviência
dos restantes países nunca conseguiu contrariar, e a primeira vez em muitos anos em
que se discutiram políticas, afinal havia alternativas, e que umas eleições
conseguiram dar voz aos eleitores nas instâncias europeias, há muito tempo que a
vontade das pessoas não se conseguia fazer ouvir ali, onde os seus destinos são
decididos por uma gente que não as considera mais do que centros de custos e de
proveitos. E nada disto é pouco. Será esta voz que o Governo grego irá verter
nas propostas que apresentará na próxima Segunda-feira, de igual para igual,
não de membro convidado para membros de pleno direito, pelo que teremos que
aguardar até lá para fazer o balanço final do quanto conseguirá avançar, e note-se
bem que serão sempre avanços, o recuo será sempre relativamente à sua intenção
inicial de avançar mais rapidamente. Empresa difícil.
Ficámos a saber como decorrem
estas reuniões quando há uma voz dissonante. São 18 contra 1, a Comissão
Europeia eclipsa-se, a Alemanha senta-se numa sala, a voz noutra, nada de confianças
de todos sentados à mesma mesa, o diálogo faz-se através de documentos que
circulam pelo corredor carregados por estafetas, os restantes estados ou são
tão alemães como a Alemanha ou esforçam-se por sê-lo ainda mais, como fizeram
Portugal e Espanha, que apostaram tudo em impedir um acordo final apesar de
serem precisamente aqueles cujo interesse nacional mais coincide com o grego.
Uma conduta tão miserável ao ponto de Janis Varoufakis invocar as "boas
maneiras" para não comentar as
posições defendidas por Maria Luís Albuquerque. A nossa vergonha tudo fez
para vergar a dignidade grega. Fracassou, como inexistência que nem mesmo ajoelhando-se
consegue deixar de ser. Ontem negociou-se. E mais uma vez foi o Governo grego que representou o interesse nacional de Portugal.
O
primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse este sábado numa declaração
televisiva que o acordo de ontem com o Eurogrupo “deixa para trás a
austeridade, o memorando, a troika”, mas que as “dificuldades reais” estão para
chegar. “O acordo de ontem com o Eurogrupo… cancela os compromissos dos
governos anteriores para cortes nos salários e nas pensões, para despedimentos
no sector público, para subidas do IVA na alimentação , na saúde”. “Ganhámos
uma batalha mas não a guerra". “Evitámos a asfixia da Grécia”, “mas o pior
vem agora". “Com o decisivo apoio do povo grego".
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Gostei de ler: "O euro em fase terminal"
«Quando participei no primeiro
debate televisivo realizado em Portugal sobre o euro ("Prós e
Contras", 15 Abril 2013), afirmei que a moeda única iria acabar. Da mesma
forma que a Inglaterra de 1931 não aguentou a política de austeridade imposta por
um sistema monetário que excluía a desvalorização da moeda - no padrão-ouro, o
reequilíbrio externo teria de ser alcançado por redução dos salários, a chamada
"desvalorização interna" -, também nos nossos dias, um dos países
sujeitos à política cruel imposta pela UE acabará por sair. O primeiro será a
Grécia, os outros vão a seguir, ao ritmo do respectivo ciclo político.
Entretanto, o discurso do medo
voltará às televisões. Dir-nos-ão que sair do euro é uma calamidade porque
perderemos metade do poder de compra, que os bancos vão falir e perderemos as
nossas poupanças, que o Estado não pagará aos funcionários públicos e pensionistas,
que seremos excluídos dos mercados para todo o sempre e, argumento último de
quem está inseguro, que a Alemanha nos invadirá para restabelecer a ordem. Do
serviço público de televisão, gerido por comissários políticos, não se pode
esperar uma informação isenta e fundamentada. Não haverá recolha de depoimentos
de especialistas estrangeiros que ponham em causa o pensamento dominante, não
haverá debate honesto com uma participação plural que ultrapasse o discurso
partidário rotineiro. Dos canais privados também não podemos esperar que
cumpram as exigências básicas de pluralismo, nem que as autoridades competentes
o exijam. O que temos visto fala por si. Aliás, os analistas que ocupam o palco
estão no bolso dos grupos económicos e da finança. Um governo de salvação
nacional também terá de resgatar a comunicação social e pô-la ao serviço do
interesse público.
Recordemos então algumas ideias
simples que os portugueses não têm direito a debater nos media de grande
audiência. Quando Portugal sair do euro, todos os contratos realizados sob
jurisdição nacional ficam automaticamente redenominados em novos escudos,
segundo a jurisprudência internacional ( lex moneta , 1 escudo = 1 euro).
Assim, todos os empréstimos bancários, depósitos, salários, pensões, preços nas
lojas, etc., passam a escudos e, a partir desse dia, o Estado apenas paga e
recebe em escudos. O
Estado fica sem problemas de liquidez porque os seus défices
- necessários para estimular a economia - ficam cobertos por financiamento
interno, quer do sector privado, que procura obrigações do Tesouro para
aplicações seguras, quer do Banco de Portugal, a entidade pública que emite
moeda. Portanto, sair do euro significa a libertação do país dos humores dos
mercados financeiros. Quanto às necessidades de financiamento em outras moedas,
os últimos dias mostraram--nos que os EUA estão dispostos a ajudar para evitar
o recurso aos seus rivais. Note-se que os BRIC têm agora um banco que é
alternativa ao FMI.
Um governo de ruptura deve, à
cabeça, nacionalizar os bancos e instituir o controlo dos movimentos de
capitais. Seria vantajoso comprá-los em bolsa, à cotação do momento, e proceder
à sua recapitalização, tudo com emissão monetária. A inflação será o custo a
pagar para recuperarmos a soberania. Mas será um custo transitório
(inicialmente, cerca de 12%, muito menos nos dois anos seguintes) que pode ser
distribuído com justiça social através de compensações a atribuir aos
rendimentos mais baixos. A classe média/alta, vendo os seus desempregados
recuperarem a dignidade de voltar a trabalhar em condições decentes, aceitará
de bom grado alguma perda temporária de poder de compra. Como seria de esperar,
o novo paradigma da política económica dará prioridade ao emprego, ao contrário
da finança, que diaboliza a inflação e acha inevitável este desemprego típico
dos anos trinta do século passado.
À medida que se forem abrindo
espaços de debate público informado sobre o que significa sair do euro, os
portugueses ficarão cada vez mais receptivos à proposta de uma Europa de países
soberanos. Por muito que custe aos federalistas, não creio que os portugueses
queiram viver num protectorado sujeito a diktats.» – Jorge Bateira, no I.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Aldrapolitik, versão Galamba
Eles agora é como se não tivessem
também assinado o memorando, aceitado o Tratado Orçamental, rejeitado a renegociação
da dívida, aprovado o Tratado de Lisboa sem consulta popular, entre outras façanhas.
O socialista João
Galamba desafiou o primeiro-ministro a “explicar o que pensa" sobre as
declarações do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, sobre o
tratamento indigno aos países da periferia do euro, tendo em conta que o apoiou
para presidir à Comissão. Eles agora é como se também não tivessem votado no mesmo
Juncker, ao lado de PSD, CDS e dos Marinhos desta vida. Gosto muito de os ouvir
falar. Tens cá uma escola, ó Galamba!
Da mesma escola:
"O que disse o presidente Juncker é a pedra que faltava para encerrar definitivamente
este ciclo político." Foi assim que o líder do PS, António Costa, reagiu
ao mea culpa do actual presidente da Comissão Europeia em relação à actuação da
troika. Concorda? Discorda? Não
o disse. Sobre as culpas de um PS que sempre aceitou as "inevitabilidades"
que deixaram de o ser, naturalmente, também nem uma palavra.
Magia grega
Nem a pobreza e a desesperança que
varrem o seu país, nem mesmo os reparos severos que ouviu da mesma boca há um
par de semanas fizeram Maria Luís Albuquerque sentir a sua dignidade insultada quando,
ontem, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang
Schäuble, num golpe de magia grega, transformou as anteriores críticas em
elogios ao dizer que Portugal, a par da Irlanda, “é a melhor prova" de que
os programas de ajustamento funcionam, uma tirada que se traduz "em
Portugal e na Irlanda fazemos o que queremos e eles não se queixam".
Não tiveram que esperar muito. A
mesma magia grega encarregou-se de retratar patrão e criada pouco tempo depois.
Quem os envergonhou foi alguém de quem se esperava tudo menos dizer que pode
parecer estúpido ser eu a dizê-lo, mas ""pecámos[nós, troika] contra a dignidade dos cidadãos da Grécia, de Portugal e também da Irlanda":
nada mais, nada menos do que o Presidente da Comissão Europeia e não à mesa do café, perante o Comité
Económico e Social.
E, mais magia grega, lembrar-se-ão
dos opinadores de serviço que inundaram o espaço mediático nacional com críticas
à recusa de Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa à reunião com os mangas de
alpaca da troika. Pois Jean-Claude Juncker também referiu que não
se põem funcionários a falar à mesma mesa com dirigentes políticos, a dignidade
exige que sejam ou ministros ou comissários. É animador verificar como a História
se vaie encarregando de colocar no seu devido lugar todos os personagens desta tragédia
tão irresponsavelmente consentida mas ainda inacabada.
Porém, o que se vê também e com uma
nitidez cada vez maior é que Europa afunda e, péssimo sinal, os primeiros ratos
começam a bater em retirada antes de afundar de vez. Não foi à toa que Jean-Claude
Juncker, que tem informação privilegiada, se posicionou – também o fez – a
favor da revisão do funcionamento das instituições europeias. Amanhã saberemos
o resultado final do "ou se humilham e aceitam, ou rua" do ultimato alemão
à Grécia. Juncker não falou nem por comiseração por gregos e portugueses, nem para
envergonhar aliados da sua causa de sempre. O que quis deixar bem vincado foi
um "eu bem avisei", nem ele sabe bem do quê. As consequências da irresponsabilidade
europeia na condução das negociações com a Grécia são imprevisíveis. O único
dado adquirido é que nada será como foi até aqui. O fim da paz podre devemo-lo aos gregos.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Reformas estruturais necessárias, mesmo estruturais e mesmo necessárias
As “reformas estruturais” e aquela
“incompetência” tão competente para o que realmente lhes interessa. Cortar salários e pensões, facilitar
despedimentos, diminuir prestações sociais, aumentar impostos sobre os
rendimentos do trabalho, reduzir impostos sobre lucros, até reduzir o número de
feriados. Bruxelas sugeriu primeiro e mandou depois, os últimos dois Governos
obedeceram, o actual superou as ordens recebidas e todos, incluindo a sua
comunicação social, se puseram de acordo em chamar-lhes “reformas estruturais”.
E não são reformas estruturais, são medidas que concentram a riqueza, que
empobrecem para enriquecer. Reformas estruturais seriam, por exemplo, a
promoção da obrigatoriedade de avaliações de custo-benefício nas empreitadas
públicas, da exigência de programações ao nível dos custos e dos prazos para a
conclusão das obras e do alargamento das consultas ao mercado a mais de uma
entidade, três das vinte e sete recomendações que o Tribunal de Contas fez em
2009 ao Governo de então na sequência de uma série de auditorias, cada uma com
revelações mais escabrosas do que a outra, sobre a generosidade mascarada de
incúria que o Governo Sócrates lhes dispensava. Passaram mais de cinco anos e, notícia
do dia, quer os de Sócrates, quer o que aponta a Sócrates as culpas que tem
e as que não tem, os Governos das “reformas estruturais”deixaram na gaveta mais
de metade das reformas estruturais que o Tribunal de Contas lhes recomendou. O PS
e o PSD bem podem agora acusar-se mutuamente de incompetência. Têm toda a razão.
Uma incompetência bastante competente nos lucros que proporciona à Mota-Engil, à
Somague e a outras que tais que também dão empregos muito bem remunerados a ex-governantes
dos três partidos do arco que lhes faz a fortuna. O que o relatório hoje divulgado
pelo Tribunal de contas nos diz é que, mais coisa, menos coisa, a tradição continua
a ser o que era. Há menos obras adjudicadas, é verdade, mas isso é outra conversa.
Gostei de ler: "O problema é a dívida externa. E a má economia ao serviço da propaganda"
«A jornalista do Jornal de
Negócios Eva Gaspar escreveu há dias um artigo ("A grande falácia grega...
") no qual procura denunciar como falaciosa a ideia da insustentabilidade
da dívida grega e da necessidade da sua reestruturação. Sendo que, como sempre
nestas coisas, quem em Portugal fala da Grécia está também, e sobretudo, a
falar de Portugal. A estratégia argumentativa da autora assenta em dois eixos:
o argumento moral habitual sobre a necessidade de honrar as dívidas
independentemente das consequências, por um lado; e uma comparação com o caso
japonês, país cuja dívida pública anda pelos 250% do PIB (bem mais que os 177%
da Grécia) mas que, como assinala a autora, nem por isso se queixa que está
falido ou reclama uma reestruturação.
Pela minha parte, não vejo grande
interesse em tratar o estafado argumento normativo, mas a comparação com o caso
japonês – que é, ela sim, falaciosa – merece ser chamada a esta coluna devido
ao seu interesse pedagógico, pois é especialmente útil para explicar porque é
que nem toda a dívida pública é igual ou tem as mesmas consequências.
A diferença fundamental entre as
dívidas públicas grega (ou portuguesa, já agora) e japonesa consiste em quem a
detém. No caso grego, a esmagadora maioria é detida por credores estrangeiros,
que antes eram sobretudo privados e neste momento são sobretudo oficiais. Já no
caso japonês, a dívida pública é detida quase exclusivamente por agentes
nacionais: além do maior credor de todos ser o próprio Banco do Japão, que
pertence ao estado japonês e é por ele controlado, menos de 10% da dívida
pública está nas mãos de credores estrangeiros. Isto tem implicações
radicalmente diferentes, que Eva Gaspar parece ignorar e que não são apenas ao
nível da autonomia política.
É que enquanto os juros pagos
todos os anos para remunerar a dívida pública japonesa são transferidos para as
mãos do próprio sector privado japonês, alimentando a procura agregada, no caso
grego – e português – correspondem a uma sangria de recursos para o exterior,
uma repetida punção procíclica substancial em contexto recessivo. Ora, é da
incompatibilidade entre essa transferência permanente de recursos para o
exterior e a recuperação de níveis de crescimento e/ou inflação que permitam
reduzir o nível de endividamento que resulta a inevitável insustentabilidade da
dívida pública grega e portuguesa. Não interessam apenas o stock da dívida ou o
peso dos juros: interessa também a quem são pagos esses juros e o que é que
isso implica para a economia.
Por outras palavras e em termos
mais gerais, a dívida pública japonesa, apesar de ser das maiores do mundo em
termos absolutos e relativos, não é insustentável porque, em primeiro lugar, o
Japão dispõe de moeda própria e da possibilidade de monetizar parte dessa
dívida na medida do que entenda ou necessite; e, em segundo lugar, porque a
componente externa dessa dívida é insignificante e mais do que compensada pelos
activos detidos pelos agentes japoneses no exterior. Na verdade, o Japão é um
credor líquido face ao exterior, tal como expresso pela posição de investimento
internacional, o que implica um afluxo constante e significativo de rendimentos
de capital. É mesmo o maior credor líquido do planeta. No caso de Portugal e da
Grécia, a posição de investimento internacional é profundamente negativa: perto
de -120% do PIB em ambos os casos. No ranking da posição financeira externa,
estamos no extremo oposto. Somos os antípodas do Japão.
Aliás, o endividamento público
japonês não é senão a contrapartida da poupança líquida sistematicamente
positiva que o sector privado japonês (famílias e empresas) tem registado nas
últimas décadas. O estado japonês tem assumido défices orçamentais sistemáticos
para permitir que o sector privado concretize as suas intenções de poupança sem
que a economia entre em recessão – e tem-no feito a partir do conforto da
posição de maior credor global. Nos casos grego e português, a situação é
completamente diversa: os níveis de endividamento público e privado são ambos
críticos, como contrapartida da enorme dívida externa.
A comparação é por isso
completamente errada e as conclusões que a autora dela extrai não fazem
qualquer sentido. É que há dívidas e dívidas. Tal como há falácias e falácias.»
– Alexandre Abreu, no Expresso.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
De pé
Sempre que alguém se põe de pé, nota-se
ainda mais como os restantes estão de joelhos. Foi a Grécia de pé que expôs como
Portugal, Espanha, Irlanda e Itália rastejam sem vergonha nenhuma diante do que
lhes é imposto pela grande Alemanha. E é a demissão de hoje dos directores
de serviço do Hospital Amadora-Sintra, como antes tinha sido a dos do Garcia
de Horta, que expõe todos os restantes. Não é só nestes dois hospitais que a falta
de meios humanos e materiais chegou a cúmulos de pôr em risco de vida os utentes
que a eles recorrem. Em todos o inferno é o mesmo. Contudo, se há profissionais
briosos que se põem de pé e dão a cara pelos seus, também os há que aceitam colaborar
com um Governo que não hesita em sacrificar as vidas humanas – que o seu silêncio
vai condenando – em nome de uma dívida que ainda por cima aumenta à velocidade a
que deveria diminuir. A vossa atenção para os mercenários da morte deste Governo
criminoso.
Vagamente relacionado: «E se tudo isto trouxer muito sofrimento ao seu povo? Perguntam-me.
Está, certamente, a fazer bluff. O problema desta linha argumentativa é o de
partir do princípio, de acordo com a Teoria dos Jogos, de que vivemos numa
tirania de consequências. Que não há circunstâncias nas quais devemos fazer o
que é correcto, não como estratégia, mas por ser…correcto. (...) O nosso
governo não está a pedir aos nossos parceiros uma solução para pagar as
dívidas. Estamos a pedir alguns meses de estabilidade financeira que nos
permita criar reformas que uma extensa camada da população grega possa assumir
e apoiar, para podermos voltar a ter crescimento e acabar com a nossa falta de
capacidade de pagar as nossas dívidas. Pode pensar-se que esta retirada da
Teoria dos Jogos é motivada por uma qualquer agenda de esquerda radical. Nem
por isso. Aqui, a maior influência é Imannuel Kant, o filósofo alemão que nos
ensinou que a saída racional e livre do império da conveniência é fazer aquilo
que é correcto.» – Yanis Varoufakis, ao New
York Times.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Era uma vez "O" "consenso"
E lá caiu mais uma mentira daquelas
que se tornam verdades inquestionáveis de tantas vezes que são repetidas. A Europa
era uma comunidade harmoniosa e feliz caracterizada por negociações permanentes
das quais resultavam sempre, sempre, mas sempre vantagens para todos os membros
da grande família. Eis senão quando um dos todos, não um convidado, um membro tão
membro como os restantes, decidiu que já era tempo de quebrar um consenso que
estava a destruir o seu país. Em vez da solidariedade e da compreensão que lhe
eram devidas, Recebeu um ultimato:
o Eurogrupo fixou um prazo até ao fim da semana para a Grécia pedir um
prolongamento do actual programa ao qual a família continua a nomear como de "ajudafinanceira", a destruição que o novo Governo de Atenas teve a dignidade de
recusar. O "consenso" sempre foi um jogo em que uns mandam e outros se
prestam ao papel de seus vassalos submissos. Prestavam.
Uma espécie de "responsabilidade"
Vindo de quem vem, é um enorme elogio.
"Sinto muito pelos gregos. Elegeram um governo que de momento se comporta
de maneira bastante irresponsável", disse Wolfgang
Schauble em declarações a uma rádio alemã. Já eu sinto muito pelos alemães.
Têm um Ministro das Finanças tão irresponsável ao ponto de travestir o seu
sentido de Estado de comentador político, ainda por cima daqueles que não percebem
o que é democracia nem soberania. Como comentador, é o que se vê: uma nódoa. Como Ministro, pois
alguém que se comporta como uma criança mimada que desata a chamar “irresponsável”
quando a contrariam não serve sequer para vendedor de uma loja de chocolates: passaria
os dias de boca cheia a chamar “irresponsáveis” a quem ousasse apontar-lhe a causa
da sua diarreia crónica. Não admira que a Europa esteja a lástima que está. Os responsaveizinhos
tudo permitiram a estes tiranetes. Três milhões de gregos sem acesso à Saúde e o país arruinado são apenas duas das medidas da sua espécie de "responsabilidade".
Gostei de ler: "Uma homenagem aos boys do PS, PSD e CDS"
«««Houve um tempo em que o jobs
for the boys era um slogan com alguma nobreza e era usado por empresas
norte-americanas para prometer emprego aos boys ou soldados, quando estes
regressassem da Grande Guerra. Hoje, a expressão perdeu qualquer conotação
patriótica e assumiu a sua conotação partidária, de cunha, de partidarização e
de colonização da coisa pública.
Faz agora 20 anos que António
Guterres, acabado de ganhar as legislativas, anunciava a boa nova:
"Acabaram-se os jobs for the boys.” Mas não, não acabaram. Dar um tacho a
um militante dedicado continua ser o pão nosso de cada dia. No ano passado, uma
investigadora da Universidade de Aveiro analisou 11 mil nomeações para cargos
públicos feitas durante dois governos do PS (Guterres e Sócrates) e um governo
do PSD-CDS (Durão Barroso/Santana Lopes). A conclusão, sem surpresas, é que a
maioria das nomeações serviu para recompensar lealdades partidárias.
Foi em 2012, e para tentar acabar
com os jobs for the boys, que Pedro Passos Coelho criou a Comissão de
Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CRESAP). Este novo
organismo tinha como principal objectivo tornar o processo de recrutamento para
cargos públicos mais dependente da meritocracia e menos dependente da
fidelidade partidária. Ter cartão partidário está longe de ser sinónimo de
competência. Como fez questão de lembrar Paulo Morais, da Transparência e
Integridade, “só por milagre um boy de uma juventude partidária, habituado a
organizar jantares e comícios, consegue fazer um bom trabalho num organismo
público”.
Passos Coelho ousou fazer aquilo
que nenhum outro líder partidário fez no passado. E tem esse mérito. E merece
esse reconhecimento. Mas da teoria que tentou aplicar à prática vai uma grande
distância.
A CRESAP sempre funcionou aos
solavancos e desde que foi criada já teve episódios que pouco a dignificaram.
Ainda todos se lembrarão do caso de Francisco Almeida Leite, o ex-secretário de
Estado de Paulo Portas. Quando Portas subiu a vice-primeiro-ministro, Francisco
Almeida Leite ficou sem emprego e o seu nome foi então proposto para ser
administrador da Sofid. Apesar de não ter experiência no sector financeiro e
bancário, a CRESAP aceitou o seu nome para desempenhar o cargo, mas recomendou
“vivamente” que ele fosse tirar um curso de Gestão para se inteirar das
matérias financeiras. Resumindo, Francisco Almeida Leite foi ocupar um cargo
para o qual, segundo a CRESAP, não tinha qualificações, mas em todo o caso foi
aceite desde que fosse estudar. Ainda bem que não estamos a falar de um médico.
Imaginem o que era estar a estudar Medicina de manhã e ter de ir ao hospital à
tarde operar algum desgraçado.
O tema dos boys regressou esta
semana à agenda depois de o Jornal de Negócios ter noticiado que o Governo
tinha feito 14 nomeações definitivas para as direcções dos centros distritais
da Segurança Social, em que todos os nomeados tinham algo em comum: um cartão
do CDS ou do PSD. Nos concursos terão participado quase três centenas de candidatos.
Claro que haverá nomeados com alguma ou bastante experiência no sector, outros
nem por isso. Daí a serem todos militantes dos partidos da maioria é uma grande
coincidência.
E coincidência é o facto de a
Segurança Social estar agora a ser tutelada por Pedro Mota Soares do CDS que em
2011 foi ao Parlamento reclamar contra José Sócrates e contra as nomeações de
boys feitas pela ministra Helena André. Na altura, o CDS apresentou um
powerpoint em que mostrava que muitas das nomeações, precisamente para os
centros distritais, se referiam a pessoas ligadas ao PS e questionava: “Mas
quem são estas pessoas?” “Qual a ligação ao Partido Socialista?” Três anos
volvidos, e agora no Governo, devemos perguntar a Pedro Mota Soares: “Mas quem
são estas pessoas?”
O que aconteceu na Segurança
Social e o que está a acontecer em quase todas as nomeações deste Governo, é
relativamente fácil de explicar. Quando se criou a CRESAP, não houve tempo para
se fazer concursos em simultâneo para todos os cargos de chefia de uma assentada.
Logo, o Governo aproveitava o chamado "regime de substituição" para
nomear dirigentes de forma temporária até que se realizassem os concursos da
CRESAP. Foi uma inundação de boys e girls. O problema é que grande parte dessas
nomeações acabou por servir para dar currículo aos boys que mais tarde vieram a
participar nos concursos da CRESAP numa situação mais vantajosa. Os próprios
ministérios muitas vezes pediam candidatos com exigências feitas à medida dos
que já lá estavam ou dos que queriam que lá fossem parar. E assim foi. Da short
list de três candidatos que a CRESAP é obrigada a fazer, o membro do Governo em
questão escolhia invariavelmente, claro está, aquele que vinha com um cartão de
filiação partidária.
Resumindo, é uma forma legal e
mascarada de continuar a fazer as coisas à moda antiga. João Bilhim, presidente
da CRESAP, confrontado com a inundação de boys nos centros distritais da
Segurança Social reconhece que “usou-se e abusou-se da figura do regime de
substituição”. Mas defende-se dizendo que “os boys antigos não passavam
previamente por nenhum crivo". "E estes senhores e senhoras nomeados
para a Segurança Social têm uma vantagem relativamente às anteriores nomeações:
é que pelo menos tiveram um selo de qualidade dado por uma entidade administrativa
independente.”
A tese de Bilhim – de que os boys
de hoje, com um carimbo oficial, não são os boys de antigamente – faz lembrar
aquela música da homenagem ao malandro do Chico Buarque:
Agora
já não é normal
O que
dá de boys regular, profissional
Boys
com contrato, com gravata e capital
Que
nunca se dá mal.»
– Pedro Sousa
Carvalho, no Público.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
O poder da esmola
A miséria e os novos barões da
pobreza. Uma economista, Cláudia Joaquim, analisou dados oficiais da Segurança
Social e chegou a conclusões interessantes, chamemos-lhes assim.
Comecemos pelas prestações
sociais não contributivas. Entre 2010 e 2014, com o desemprego real e a pobreza
sempre a aumentarem, o número de beneficiários do RSI diminuiu para menos de
metade (-60%), de 526 mil para menos de
211 mil, o de beneficiários de abono de família foi reduzido em mais de um
terço, de mais de 1,8 para menos de 1,2 milhões (-e o de beneficiários do
complemento solidário para idosos em proporção aproximada, de 246,6 mil para
171,3 mil. Ao mesmo tempo que reduziu prestações sociais, o Governo aumentou o financiamento a instituições
caritativas de tal forma que, números do Ministro da Solidariedade Social divulgados
na semana passada no Parlamento, o número de cantinas sociais aumentou de 60 para 850, ou seja, nada
mais nada menos que um aumento de 1316%.
Este contraste torna-se ainda
mais interessante se conjugado com outros dados. O Estado paga, no máximo,
178,15 euros por titular de RSI; 89,07 por cada um dos outros adultos que
existam no agregado; 53,44 por cada criança. Um casal com duas crianças recebe
no máximo 374,1 euros de RSI. Para o Governo é este o montante mensal
necessário e suficiente para uma família com esta composição satisfazer as suas
necessidades básicas. Já às instituições particulares de solidariedade social
(IPSS), o Estado paga 2,5 euros por cada refeição fornecida pelas cantinas
sociais. Conforme o protocolo, podem as refeições ser fornecidas até duas vezes
por dia, sete dias por semana. Quer isto dizer, que uma IPSS pode receber até
600 euros por mês para fornecer almoço e jantar a um casal com dois filhos e
ainda cobrar 1 euro por refeição. Interessantíssimo.
Mas o interesse aumenta ainda
mais se acrescentarmos a tudo isto outro contraste. Os critérios de acesso ao
RSI foram sendo progressivamente apertados pela desconfiança, tantas vezes
vertida em discursos que roçam a xenofobia,
pelo actual e pelo anterior Governo. A sua atribuição obedece a um
processo burocratizado ao máximo e com fiscalizações levadas ao extremo que
culmina na assinatura de um contrato de inserção social que implica todos os
membros do agregado familiar. Pelo contrário, no reverso desta desconfiança
movida aos pobres, há uma confiança absoluta na nova classe de caridosos
beneméritos que nasceu à sombra do financiamento estatal. A Segurança Social é
capaz de dizer que a 31 de Dezembro de 2014 estavam em vigor 845 protocolos
referentes a cantinas sociais e que estes significavam 49.024 refeições
diárias, mas é incapaz de dizer quantas pessoas delas usufruíam.
A economista que estudou esta
medida do Programa de Emergência Social (PES) lançado em 2011 pelo Governo
encheu-se de interrogações. Quais os critérios de selecção das instituições que
assinaram protocolo com o Estado? Como se determinou a comparticipação pública?
Como é monitorizada a medida, por exemplo, no que concerne ao número de
beneficiários? Os critérios de acesso parecem-lhe relativamente genéricos. Os
protocolos que analisou mencionam pessoas desempregadas, com baixos salários ou
doenças crónicas, mas não há uma tabela. Cada instituição apura o que é
carência económica e decide se determinada família é ou não apoiada pelos
critérios que entenda e sem fiscalização.
Ou seja, tanto podem atribuir
refeições a quem realmente delas necessite, como podem recusá-las com base no
critério que entendam, como podem premiar com refeições quem delas não
necessite mas satisfaça as exigências de quem passou a ter plenos poderes para administrar
o poder que o Estado depositou na conta bancária da instituição respectiva, que
não é pouco. Há 3 milhões de pobres a fazê-los sentirem-se grandes cada vez
que estendam a mão a rogar-lhes a caridade que antes era direito. E são-no, enormes. Eles mandam na fome de quase um terço dos
portugueses. Com o dinheiro dos nossos impostos.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Os alemãezinhos (de calcinhas na mão)
Afinal, diz-nos o
Público, Portugal está entre os países da zona euro que concederam até
agora um menor volume de empréstimos à Grécia, quer em percentagem do PIB, quer
levando em conta a dimensão da sua população, tudo pelo facto de Portugal, a
partir do momento em que lhe foi aplicado também um programa da troika, ter
ficado dispensado dos custos associados à ajuda financeira à Grécia. Como se
vê, os colaboracionistas estão a ficar cada vez mais encurralados. Passos
Coelho e o seu gang de repetidores não arranjou melhor argumento do que um dado
falso para justificar a sua opção de continuar alinhado com os credores que nos
têm a saque em vez de explorar as vantagens da aliança com o novo Governo grego
que a defesa do interesse nacional exigiria a qualquer Governo decente de um país nas nossas condições.
Ignorância? Também. Ou
desonestidade, que vai dar ao mesmo. Mas apostar tudo na explicação estupidez natural é ingenuidade,
é não perceber que a crise de quase todos fez a fortuna de uma casta muito
seleccionada que enriqueceu como nunca. A troika deu-lhes o argumento dívida
que os pôs a reconfigurar a distribuição de riqueza do país e em troca puseram
o país ao serviço do pagamento dos juros agiotas exigidos por essa troika. É
natural que estejam desesperados.
De um momento para o outro, vêem-se
na iminência de deixarem de poder contar com a chantagem da dívida à qual os
gregos disseram basta. Sabem que sem ela
deixarão de poder continuar as "reformas estruturais" que fizeram
estas fortunas: o desmantelamento de serviços públicos que fez crescer o
negócio aos colégios e hospitais privados, os cortes salariais e a liberdade de
despedir que enriqueceram os grandes empregadores e provocaram o encerramento
de milhares de pequenas empresas cuja clientela foi absorvida pelas grandes que
sobreviveram, as privatizações a preço de saldo, quem sabe por haver comissões
combinadas em segredo entre os amigos vendedores e os amigos compradores, um
dia haveremos de sabê-lo, a classe média que sobrecarregaram com impostos sobre
os rendimentos do seu trabalho e com impostos sobre o consumo, ao mesmo tempo
que aliviaram impostos sobre lucros e rendas e mantiveram as grandes fortunas à
margem de qualquer contribuição.
E sabem que vão ter que
explicá-lo, mais cedo do que tarde. Os amigos alemães explicarão a sua parte
com as contas públicas, a balança comercial e o sector financeiro que salvaram
e equilibraram com os nossos impostos, com a destruição económica do nosso
tecido empresarial e com o desmantelamento dos nossos serviços públicos. Para
eles, foi bom negócio. Já os nossos alemãezinhos não poderão explicar a sua
parte com os ricos que fizeram semeando pobreza e destruindo e endividando o seu país. Para
nós, o negócio foi péssimo. Não vai ser mesmo nada fácil contrariar a evidência de que o
que Portugal afinal nunca foi não era a Grécia. Era a Alemanha.
Gostei de ler: "Os "povos" que não querem trabalhar"
«(...) quando Cavaco e Passos
passaram a falar dos “gregos” como uma entidade orgânica, um país de gente
preguiçosa, que só quer férias, que não paga impostos, nem aliás coisa nenhuma,
das portagens à electricidade, e que pretende viver eternamente à custa do
dinheiro estrangeiro, eles engrossaram uma hoste europeia que é demasiado
conhecida e que vai do Partido dos Verdadeiros Finlandeses, à Liga Norte
italiana de Umberto Bossi e à sua reivindicação da Pâdania.
O caso italiano é muito
significativo, porque espelha argumentos muito comuns nas zonas ricas de um
determinado país, em relação às zonas mais pobres, muitas vezes rurais e pouco
industrializadas, como é o caso do Sul da Itália. Por que razão o Norte
italiano rico, industrial, trabalhador e próspero tem que “pagar” para esses
preguiçosos da Calábria que vivem da assistência social e não querem trabalhar?
O mesmo tipo de “argumentos” existe em vários países: na antiga Checoslováquia
por parte dos checos e contra os eslovacos, em Espanha e mesmo em Portugal. E
não é verdade que os alentejanos não gostam de trabalhar e querem viver sempre
à “sombra de um chaparro” a dormir? E Pinto da Costa não falou várias vezes do
Porto e do Norte trabalhador que alimenta os “mouros” de Lisboa para baixo? E
em que é que estes “argumentos”, atingindo povos, regiões, histórias
diferenciadas, são diferentes dos que a extrema-direita dá contra os “pretos”,
os “árabes”, e os “imigrantes”, que também não querem trabalhar, mas viver da
segurança social e das regalias dos países mais ricos, em detrimento dos seus
habitantes “nacionais”?
Cavaco Silva e Passos Coelho
falaram dos “gregos” com o mesmo grau de generalidade e anátema. Como muitos
dos seus repetidores nos media e nas redes sociais, são as “características”
intrínsecas do povo que são atacadas. O que aconteceu na Grécia, nesta versão,
é culpa do povo, não dos anteriores governos gregos. Percebe-se, porque o povo
votou mal e derrotou o governo preferido por Cavaco Silva e Passos Coelho: o
tandem troika-Nova Democracia.
Sim, porque se o PASOK tem culpas
no passado, a Grécia era até Janeiro governada por um governo membro do Partido
Popular Europeu (de que faz parte Merkel, Rajoy, Passos Coelho e Portas) que
foi apoiado pelos partidos no poder na Alemanha, Espanha e Portugal. E mais:
foi governado pela troika, em conjunto ou em cima, e se os resultados deixaram
a Grécia com a gigantesca dívida que tem, e sem “ter feito o trabalho de casa”,
a culpa é de quem? Do Syriza? Silêncio.
E os gregos não querem
austeridade, o pecado mortal da Grécia para Cavaco e Passos. Mas o que é que
eles tiveram nos últimos anos: despedimentos, falências, encerramentos, corte
de serviços fundamentais, cortes na educação, na saúde, na segurança social,
uma queda brutal do produto Interno Bruto? De onde é que isto veio, do
esbanjamento e da preguiça inata aos gregos? Como é que se chama a isto, senão
uma dura, penosa, cega, punitiva austeridade? Na verdade, como Passos Coelho
diz com todas as letras: foi pouco, têm ainda que ter mais. Mas o que nem
Cavaco nem Passos dizem é aquilo que é evidente: não resultou, nem resulta, nem
resultará. É uma receita errada quer em Portugal, quer na Grécia. Mas era a
continuação dessa receita, aquilo a que chamam “cumprir as regras”, que Passos
queria para a Grécia, com aquela cegueira que tem os acólitos e que continua
mesmo quando os mestres já estão noutra. (...) Uma parte importante da
intransigência com os gregos vem de governos acossados, como é o caso do
português e do espanhol, que andaram a dizer aos seus povos que não havia
alternativa a não ser a política que seguiam.
Ora, a questão não é a de validar
o programa do Syriza, ou assinar por baixo de Tsipras e Varufakis, mas a de
saber se, no fim de tudo, os gregos têm ganhos de causa ao terem votado como
votaram. E se sim, como é que ficam os que tinham para eles a receita de tudo
continuar na mesma, votando na Nova Democracia, na obediência à troika, e na
política até agora intangível da Alemanha. Esse é que é o mal grego que Cavaco
e Passos querem extirpar.» – Pacheco Pereira, no Público.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Toma lá 1.800.000
O que esperar de uma governação
PS, continuação. Se um perdão de 1,8 milhões em taxas devidas pelo Benfica à Câmara
Municipal de Lisboa é indecorosa, e indecorosa não pelo tal "momento que o
país atravessa", antes pela arbitrariedade que encerra, a justificação não
o é menos. Diz o autor da proposta que ela faz sentido porque estão "permanentemente
a aprovar subsídios para instituições que fazem o que o Benfica faz”,
referindo-se às modalidades amadoras e ao papel social relevante da Fundação
Benfica, e isto dito depois de ter sido obrigado a retirar da proposta inicial idêntica
isenção ao negócio imobiliário do Benfica , de não ter feito o mesmo à isenção que será
concedida ao negócio da Benfica TV e de ter concedido a privados a exploração
de várias infra-estruturas desportivas por alegadas insuficiências
financeiras.
Se a vereação PS entendesse por bem subsidiar as modalidades amadoras do Benfica e as actividades da sua fundação através de critérios objectivos e nos mesmos moldes em que o faz com colectividades e fundações congéneres, e se não o faz passa por saberem que o valor dos subsídios assim concedidos não chegaria nem a um quinto dos 1,8 milhões desta borla, seria uma opção política, criticável como todas, mas que se entenderia perfeitamente. Fazendo como o fez, esqueçam lá esses 1,8 milhões de euros porque vocês são o Benfica, é fazer exactamente o mesmo que os últimos governos PSD e PS têm feito com os perdões fiscais concedidos aos amigos Salgado que põem o seu a salvo do fisco em paraísos fiscais e com as isenções, primeiro total e depois a 50%, que concederam aos fundos imobiliários da banca do pagamento de IMI que cobram aos cidadãos até ao último cêntimo de uma exorbitância cada vez maior.
Se a vereação PS entendesse por bem subsidiar as modalidades amadoras do Benfica e as actividades da sua fundação através de critérios objectivos e nos mesmos moldes em que o faz com colectividades e fundações congéneres, e se não o faz passa por saberem que o valor dos subsídios assim concedidos não chegaria nem a um quinto dos 1,8 milhões desta borla, seria uma opção política, criticável como todas, mas que se entenderia perfeitamente. Fazendo como o fez, esqueçam lá esses 1,8 milhões de euros porque vocês são o Benfica, é fazer exactamente o mesmo que os últimos governos PSD e PS têm feito com os perdões fiscais concedidos aos amigos Salgado que põem o seu a salvo do fisco em paraísos fiscais e com as isenções, primeiro total e depois a 50%, que concederam aos fundos imobiliários da banca do pagamento de IMI que cobram aos cidadãos até ao último cêntimo de uma exorbitância cada vez maior.
Do Costa
autarca que perdoa 1,8 milhões ao amigo Luís Filipe Vieira e fecha a principal
artéria da cidade para proporcionar um "piquenicão" de três dias ao
amigo Belmiro apenas se pode esperar que faça bastantes mais amizades caso lhe
dêem asas para ser Primeiro-ministro. O poder tem o condão de revelar vícios
desconhecidos, não o de regenerar vícios conhecidos. Os do Costa e os do PS conhecemo-los bem, não fazem segredo. A folga é tanta que Nem se dão ao trabalho de disfarçar.
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