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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

A lei da trolha

Dois dos pilares em que assenta a competitividade cavernosa de uma larga franja da classe de empresários portugueses, conhecida pela sua baixa formação e pelo consequente modelo de empresa que defendem, são a fuga ao fisco e o fim de direitos laborais elementares num país desenvolvido. Na imprensa de hoje pode ler-se que começam a perceber que não podem insistir no primeiro, mas que continuam a insistir no segundo.

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Cerca de metade das 4.002 empresas ameaçadas com inspecções por parte do fisco após terem apresentado resultados negativos em dois anos consecutivos – 2004 e 2005 – apresentou lucros ou contas equilibradas no exercício de 2006, avança esta quarta-feira o Jornal de Negócios. »

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O presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP) quer que os despedimentos sejam mais fáceis. Ludgero Marques diz que seria uma forma de as empresas serem mais saudáveis.»

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Qualidade de gestão VS qualidade jornalística

Este artigo, assinado por Mónica Silvares, é um bom exemplo de uma interpretação à Diário Económico que distorce o documento que lhe serve de base, um estudo sobre a qualidade de gestão realizado pela Mckinsey junto de 4000 empresas de 12 países da Europa, Ásia e América, que mostra duas realidades: por um lado, a alta qualidade na gestão das multinacionais que operam em Portugal e, por outro, a péssima qualidade da gestão das empresas domésticas, que as coloca no fundo da tabela classificativa.

O estudo da Mckinsey aponta o modelo de gestão e o alto grau de qualificação dos gestores das primeiras e a baixa qualificação e modelos de gestão desadequados das segundas como explicações para aquela divergência na qualidade de gestão, como pode ver-se na correlação do gráfico que retirámos do documento original do estudo em causa.

Não se tratasse do Diário Económico e surpreender-nos-íamos com a conclusão avançada. Observemos como a articulista faz essa construção. Primeiro, são colocadas na peça declarações de Vítor Gonçalves, economista e vice-reitor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG): “O aumento de qualidade de gestão das empresas é fundamental para melhorar a produtividade e competitividade do país”. Qualidade de gestão, produtividade e competitividade, que o estudo diferencia claramente entre empresas multinacionais e empresas domésticas, que trabalham, sublinhe-se, com a mesma legislação laboral.

Mas a conclusão do "estudo" do DE é bem diferente: “O grande problema de Portugal, segundo Neves de Almeida, reside na rigidez do mercado laboral português. “As pessoas não têm incentivos para se excederem a si mesmas”. “É mais fácil uma pessoa divorciar-se em Portugal do que despedir um trabalhador”, acrescenta. O estudo da Mckinsey corrobora este facto já que estabelece uma correlação entre a rigidez do mercado de trabalho (Portugal é quarto pior) e a qualidade das práticas de gestão (o país está em penúltimo lugar na tabela).”

Contrariando a vontade da autora da peça, as conclusões do estudo são outras, como pode ver-se no gráfico abaixo, que é taxativo no título, bastaria lê-lo, caso não soubesse interpretá-lo:


Com mais regulamentação laboral, a França e a Itália figuram no gráfico com uma qualidade de gestão superior à portuguesa; com mais flexibilidade laboral, Índia, China e Polónia figuram com uma qualidade de gestão inferior à portuguesa; a Grécia seria o único caso em que mais regulação corresponde a pior qualidade de gestão, insuficiente para se estabelecer a correlação e para sustentar a conclusão sugerida pelo DE. Não encontramos no estudo qualquer comparação entre a facilidade de despedir um trabalhador e a de obter um divórcio.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O milagre chinês

Porque os responsáveis europeus fecham os olhos e não exigem um fim para estes crimes, esta é a vida de milhões de chineses e é com isto que competimos. Com produtos produzidos sem custos laborais, que entram na Europa a preços imbatíveis, destruindo o emprego com direitos e as empresas europeias. Qual a prioridade? A Flexibilidade? Ou sanções proteccionistas enquanto continuar a existir escravatura no tal mundo cheio de modernidade? A posição europeia é de todos conhecida.