Hoje, da leitura do plano de actividades de 2010 da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), ficamos a saber que a fiscalização da aplicação das novas regras de gestão de recursos humanos na Administração Pública vai registar um abrandamento este ano ao nível do número de serviços abrangidos. Em 2010, os dirigentes da Administração Pública, grupo composto, na sua grande maioria, por nomeados pelo cartão partidário, terão mais liberdade para fazerem deste o ano de sorte para os seus preferidos. A felicidade fluirá livremente, de boys para boys. Uma alegria. E com que título é que a notícia apareceu nos jornais? "Funcionários públicos vão ser menos fiscalizados". Olha os malandros.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Corrente de felicidade de boys para boys
Hoje, da leitura do plano de actividades de 2010 da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), ficamos a saber que a fiscalização da aplicação das novas regras de gestão de recursos humanos na Administração Pública vai registar um abrandamento este ano ao nível do número de serviços abrangidos. Em 2010, os dirigentes da Administração Pública, grupo composto, na sua grande maioria, por nomeados pelo cartão partidário, terão mais liberdade para fazerem deste o ano de sorte para os seus preferidos. A felicidade fluirá livremente, de boys para boys. Uma alegria. E com que título é que a notícia apareceu nos jornais? "Funcionários públicos vão ser menos fiscalizados". Olha os malandros.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
De regresso
Começando pelo deserto PSD, e passando ao largo de toda a poeira que a liderança do partido se esforça em levantar para ofuscar a sua aridez, por estes dias foram divulgadas as listas de candidatos a deputados. A oposição interna foi silenciada, com Passos Coelho, Miguel Relvas e outros nomes a verem-se completamente arredados da sua composição. Em seu lugar, espelho do que é o actual PSD, surgiram nomes como os dos arguidos António Preto e Helena Lopes da Costa e os dos filhinhos de autarcas como Luís Filipe Menezes e Bernardino Vasconcelos (8º e 16º lugar no círculo do Porto), de Fernando Reis (4º por Braga) e de Carlos Encarnação (4º por Coimbra). Ser arguido ou familiar de alguém do partido são predicados bastante apreciados na escolha dos candidatos a deputados do PSD.
Passando às tempestades PS, nas últimas semanas ganharam visibilidade várias bonanças que os socialistas souberam garantir. Na tempestade que urdiram contra os funcionários públicos, que viram as suas carreiras desmanteladas, a periodicidade das suas promoções aumentada de um mínimo de 4 para 10 anos e os acréscimos remuneratórios correspondentes bastante reduzidos, o pessoal dirigente, que, tal como antes, continua maioritariamente a ser nomeado pelo critério da cor do cartão partidário, mantém também a promoção automática de 3 em 3 anos, um privilégio que foi falsamente apontado aos funcionários seus subordinados com bastante insistência pela propaganda do Governo.
- «1. Quais os requisitos exigidos para a alteração de posicionamento remuneratório ao abrigo do estatuto do pessoal dirigente?
O exercício continuado de cargos dirigentes por períodos de 3 anos, em comissão de serviço, em substituição ou em gestão corrente, confere ao respectivo titular o direito à alteração para a ou as posições remuneratórias imediatamente seguintes à da respectiva carreira/categoria de origem.
2. A aplicação do direito à alteração de posicionamento remuneratório depende de avaliação de desempenho?
Não. A aplicação deste direito, não depende de avaliação desempenho correspondente.
3. A quantas alterações de posicionamento dá direito o exercício continuado de cargos dirigentes por um período de 3 anos?
A cada período de três anos corresponde uma alteração.» Ler mais.
Para terminar, porque este regresso já se alongou mais do que queria, Portugal tem menos 151,9 mil pessoas empregadas do que há um ano atrás e mais 97,8 mil desempregados. Isto significa que a população activa diminuiu em cerca de 52 mil pessoas. Há também mais 80 mil inactivos que em 2008. A taxa de inactividade é agora de 38,1%, a proporção mais elevada desde o início de 2005. Muitos portugueses optam por pedir a reforma antecipada, frequentemente para evitar o desemprego. E o número de desempregados sem direito a qualquer apoio do Estado está a crescer ao dobro do ritmo do desemprego. Em Maio registou-se uma subida de 53% em comparação com o ano anterior, mesmo sem contar com os jovens à procura do primeiro emprego. Os dados do governo que se negou a estender a protecção social no desemprego mostram que esse aumento começou três meses antes do boom. A passividade da reacção aos dados de que dispunham demonstra a sua vocação inequívoca para tempestades perfeitas bem diferentes do enriquecimento tranquilo que vai proporcionando às suas clientelas. Some things never change. Irei regressando.
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quarta-feira, 1 de julho de 2009
A "boa" reforma até dá prémios
Porém, a imprensa de hoje avança que, de acordo com a Conta Geral do Estado de 2008, vários organismos públicos pagaram prémios a funcionários que não reuniam condições para os receber e, em alguns desses organismos, este fenómeno de uma reforma que finalmente começa a dar frutos chegou mesmo a bafejar 90 por cento do seu pessoal.
Evidentemente que a notícia recolherá como reacção maioritária um equivalente da expressão “ah! Aqueles privilegiados dos funcionários públicos!”. Somos um país de gente séria que jamais aceitaria receber um prémio ao qual não tivesse direito. Porém, fora da torrente de instinto desta multidão de portugueses que não hesitariam em devolver aquilo que recebessem a mais, também haverá quem identifique a excepção das situações noticiadas, bem como a omissão da responsabilidade financeira em que legalmente incorrem obrigatoriamente os dirigentes que as permitam, caso houvesse vontade política para tal. A reforma da administração pública introduzida pelo actual Governo, que substituiu um sistema de carreiras por outro baseado em prémios de mérito atribuídos ao sabor de critérios de dirigentes cujo mérito em regra é a cor do seu cartão partidário, retirou direitos aos funcionários públicos e atribuiu novos poderes a uma classe de boys mandões que assistiu à sua implementação com a garantia de que sua inimputabilidade não seria beliscada. Agora, com dinheiro que não é mas fazem seu, até dão prémios.
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sábado, 20 de junho de 2009
Da tal reforma de coisa nenhuma
Depois da reforma, a progressão na carreira ocorre de dez em dez anos em mais de 95 por cento dos casos e significa um incremento salarial de pouco mais de 30 euros. Os prémios de desempenho de 1 salário são atribuídos àqueles que consigam convencer as suas chefias a encaixá-los na quota de 5 por cento reservada à classificação “excelente”, que tem ainda como consequência a diminuição de dois anos no tempo necessário para a promoção.
Antes da reforma, os funcionários públicos tinham uma carreira que oferecia aos melhores, por concurso, a possibilidade de obtenção de uma promoção ou, em alternativa, caso não houvesse lugares a concurso ou se obtivesse uma classificação insuficiente nos que fossem abertos, uma progressão por antiguidade semelhante às “diuturnidades” de certas carreiras do sector privado. Estas progressões tinham a mesma periodicidade das promoções (nunca inferiores a 3 anos) mas, ao contrário destas, eram automáticas e o acréscimo remuneratório que delas resultava era muito inferior.
Antes da reforma, apenas o pessoal dirigente era promovido automaticamente nas suas carreiras de origem e, apesar da barulheira gerada em torno do tema “combate aos privilégios” dos funcionários públicos que o Governo promoveu, esta realidade manteve-se depois da reforma. Entende-se. A grande maioria é nomeada pelo critério da militância partidária. E será também este o motivo pelo qual se fala em alterar a legislação sem que antes se proceda à aplicação da mesma aos mesmos nomeados políticos que, por não terem cumprido com a incumbência de implementar nos serviços que dirigem o modelo de avaliação do desempenho dos seus subordinados, veriam a sua incompetência premiada com a exoneração. Mas a reforma foi para eles, não contra eles. Há realidades que jamais mudarão enquanto o poder pertencer aos três partidos que se revezaram na governação do país ao longo dos últimos 35 anos.
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Aprovar sem ler, ler e corrigir
Depois da campanha rosa que foi perpetrada contra os funcionários públicos durante toda a actual legislatura, a pouco e pouco as situações concretas que o decorrer do tempo vai proporcionando vão despertando os mais incrédulos e os mais adormecidos para as enormidades contidas na obra do actual Governo. Hoje é notícia a perda de remuneração em que incorrem os funcionários públicos que participem em campanhas eleitorais. Ao contrário dos seus colegas do privado, que mantêm – e bem – os seus direitos de participação na vida política do país, o novo Contrato de Trabalho em Funções Públicas limita o direito ao salário a um terço do período da campanha eleitoral (três dias e meio dos 11 efectivos de campanha), ao passo que no Código de Trabalho, aprovado já este ano, se reconhece o período de campanha eleitoral como podendo dar origem a faltas justificadas, sem qualquer perda de direitos, durante todos os 11 dias. A pérola legislativa colide ainda com a lei eleitoral para as autarquias locais, na qual funcionários do sector público e do sector privado podem participar sem perda de quaisquer direitos.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
Apenas 10
Ora, para conhecimento do cidadão contribuinte e para que cada funcionário tenha uma noção precisa de como orientar o seu trabalho para contribuir da melhor forma para a prossecução dos objectivo da instituição a que pertence, a lei fixou como obrigatória a publicação dos objectivos nível 1 nas páginas web de todos os organismos públicos, o que maioritariamente não está a acontecer. Qualquer um pode constatar que a lei não está a ser cumprida visitando uma dúzia de páginas de instituições públicas. E, como tal, que a grande maioria dos funcionários ou não está a ser avaliado de acordo com a lei ou não está a ser avaliado de todo. Hoje aparece a notícia da exoneração de 10 dirigentes de topo. São muito poucos. Entende-se. Não poderiam ser mais, não poderiam ser todos, sob pena de tornar público e notório mais este fracasso. E 10 servem na perfeição para demonstrar ao país que na Administração Pública tudo corre sobre rodas e a reforma foi um retumbante sucesso. Muito pelo contrário.
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quinta-feira, 2 de abril de 2009
Uma reforma para isto (continuação)
Este relatório expõe o Governo em pelo menos três aspectos: primeiro, ao demonstrar que, ao mesmo tempo que aumentava o IVA para 21%, que encerrava centros de saúde e escolas, que mandava para casa funcionários públicos, que desmantelava as carreiras da Administração Pública, que retirava benefícios fiscais aos cidadãos portadores de deficiência, que aumentava a idade de reforma para os 65 anos, que retirava direitos sociais, que cortava nos investimentos públicos - medidas todas elas com efeitos sentidos tanto no momento da sua implementação como no da crise que ajudaram a cavar -, o Governo favorecia a evasão fiscal dos grandes grupos económicos; em segundo lugar, que a prática foi consciente e reiterada; e, em terceiro lugar, que os mesmos que agora enchem os discursos com palavras contra os paraísos fiscais foram os mesmos que fizeram - e continuam a fazer - desses paraísos rota obrigatória para os lucros das suas clientelas. É e foi para eles que o Executivo Sócrates trabalha e trabalhou arduamente. Muito sinceramente, se eu fosse dono de um grande grupo financeiro, não hesitaria em confiar o meu voto ao PS.
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quinta-feira, 26 de março de 2009
Não lembraria ao diabo (continuação)
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Como na Administração Pública
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domingo, 15 de março de 2009
Uma reforma para isto
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Avanços para fora da lei
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
As inconstitucionalidades da nossa maioria
Uma delas, abordada por diversas vezes aqui no PB, é a alteração do regime de direito público para direito privado em termos institucionais na administração pública, que colide com direitos adquiridos dos funcionários públicos. Houve cerca de 500 mil trabalhadores nomeados que, por força do diploma, passam a contratados, apesar de não terem assinado qualquer contrato em substituição do anterior.
Quanto às remunerações, as inconstitucionalidades apontadas são várias: «As remunerações passam a ser negociadas à entrada [através de “leilão” de um posto de trabalho ganho por quem se sujeitar a ganhar menos], os dirigentes passam no futuro a ter direitos arbitrários de fixar quem pode mudar de nível remuneratório ou quem não pode mudar e, do nosso ponto de vista, isto afecta não só os direitos dos trabalhadores, como aquilo que é a própria administração pública no futuro», sustentou Bettencourt Picanço. Para o presidente do STE, a nova lei «permite que a administração pública e os serviços públicos possam ser capturados pelo poder politico em qualquer momento» e «isto contraria aquilo que a Constituição assegura». Precisamente o que por várias vezes aqui referimos, justificando as inconstitucionalidades com votos “úteis” que se revelaram inúteis para quem embarcou nesse conceito. (ler aqui)
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
E de quem é a culpa?
O Governo aponta a crise internacional como a única responsável pela crise que viveremos em 2009 e que, graças ao “equilíbrio orçamental” e ás reformas por si introduzidas, Portugal está melhor preparado para enfrentar os tempos difíceis que se avizinham. Será assim?
A resposta tem pelo menos dois aspectos que devem ser focados. Em primeiro lugar, há muito que o “sucesso” no objectivo défice é questionado e há quem o aponte como mera cosmética contabilística. Em segundo lugar, e dado que a crise que actualmente varre o mundo se deve, em grande medida, a uma insuficiência da procura relativamente à oferta, convirá recordar que a aposta do Governo foi estimular as exportações embaratecendo o factor trabalho, retirando direitos e regalias sociais e promovendo a precariedade das relações laborais. No momento actual, em que o mercado externo se fecha, resta às empresas portuguesas um mercado interno enfraquecido e depauperado por reformas tomadas “porque o país não podia ficar parado”: o desmantelamento das carreiras da função pública, os congelamentos salariais, a substituição de funcionários públicos por serviços externalizados concedidos a empresas cuja rentabilidade reside nos baixos salários e na precariedade dos seus “colaboradores”, o novo código do trabalho, etc. A responsabilidade de todas estas políticas inteligentíssimas é integralmente do tal Governo que nos preparou para enfrentar ventos e tempestades. Haverá agora que somar as suas consequências aos efeitos da crise internacional. Vai doer.
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terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Para os afilhados
O Governo justifica estas medidas com a necessidade de acelerar os procedimentos da contratação pública e de ver concretizados, mais rapidamente, os projectos idealizados pelo Estado, que dizem que hoje podem demorar o triplo do tempo para serem implementados. Na verdade, todos sabemos em que é que a simplificação procedimental costuma resultar: em boas notícias para as empresas e empresários que estejam mais próximos do poder. Recorde-se que o Código dos Contratos Públicos não tem nem um ano (DL 18/2008, de 29 de Janeiro) e um dos argumentos que justificaram mais esta reforma de coisa nenhuma foi a celeridade que iria proporcionar. Pelos vistos, não resultou. Ou deu jeito que não tivesse resultado.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Cosmética de uma reforma de coisa nenhuma
a) Esta apreciação refere-se aos dados na óptica de contabilidade pública (ou de caixa), não fazendo, porém, qualquer consideração sobre as contas públicas na óptica da contabilidade nacional - a que interessa a Bruxelas - porque o TC não tem competência para se pronunciar sobre as contas públicas nessa óptica. O Governo costuma esquivar-se às suas responsabilidades por aqui.
b) Défice de 2,9% (e não de 2,6%) - Segundo o parecer da Conta Geral do Estado sobre 2007, as receitas entradas naquele ano atingiram 51.371,3 milhões de euros, 8,7 por cento acima do ano anterior, tendo as despesas ascendido a 56.091,3 milhões de euros, mais 4,9 que no ano anterior. O défice na óptica de caixa ficou em 2,9 por cento do produto interno bruto.
c) Falta de fiabilidade: quanto às deficiências detectadas, o parecer da CGE para 2007 refere que o Plano Oficial de Contabilidade Pública (POCP), aprovado em 1997, "continuava por implementar na maior parte dos organismos públicos" e o regime de tesouraria do Estado, aprovado em 1999, "continua a não ser cumprido por todos os organismos". Para se ter uma ideia da gravidade desta constatação do TC, Se uma empresa fizesse o mesmo e não aplicasse o POC, tal seria forte indício de ocultação e fuga ao fisco e, com toda a certeza, seria multada. Além disso, o TC refere que "as deficiências detectadas no sistema de controlo interno" das contas do Estado "têm como consequência não ser possível garantir que o valor da receita orçamental efectivamente obtida corresponda ao inscrito na Conta Geral do Estado de 2007".
d) Futuro hipotecado: também o pagamento de despesas sem que esteja prevista verba para esse efeito merece reparo do tribunal. "A assunção de encargos sem dotação orçamental suficiente manteve-se em 2007, tendo continuado a transitar para o ano seguinte elevados montantes de encargos vencidos", o que põe em causa a "fiabilidade da Conta". Problemas nos valores do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) são outras das deficiências enumeradas.
e) Contabilidade criativa e os mistérios das contas da Segurança Social: "a conta consolidada do Estado e, incluindo a da Segurança Social, continua a apresentar deficiências assinaladas em anteriores pareceres, de que se destaca a elevada dimensão financeira dos ajustamentos efectuados na sua elaboração, em resultado de erros significativos na classificação económica das receitas e despesas dos vários subsectores", refere ainda o parecer da Conta Geral do Estado de 2007.
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sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Desta vez, apenas 50 mil
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
A reforma de Sócrates e o interesse público
O Supremo Tribunal Administrativo confirmou a decisão do Tribunal Central Administrativo do Sul que anulou a colocação de seis trabalhadores da Direcção-Geral das Pescas e Aquicultura no regime de mobilidade especial.
No acórdão pode ler-se: "é certo que a lei prevê mecanismos de apoio que visam minorar ou atenuar os efeitos da colocação dos funcionários na SME [mobilidade especial]. Mas, uma realidade é incontornável: os funcionários sujeitos a este regime passam de uma situação profissional de estabilidade para uma situação profissional de instabilidade." O acórdão do TC vai mais longe, ao afirmar que "não está indiciado minimamente o nexo da causalidade entre a redução com as despesas em salário desses funcionários em particular e a redução do défice público". E acrescenta: "Sucede que a criação de uma situação de instabilidade profissional aos funcionários públicos é, essa sim, prejudicial aos interesses do Estado, de forma mais relevante que o eventual, mas não demonstrado, sequer indiciariamente, prejuízo irreparável para a contenção do défice público".
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sexta-feira, 31 de outubro de 2008
"Serão trucidados": a prepotência do medo
A tensão vai, por isso, aumentando. Espelho dela, hoje, o secretário de Estado da Administração Pública, Gonçalo Castilho dos Santos, disse publicamente que o "mítico dia 1 de Janeiro de 2009" não marcará o início da reforma da Administração Pública, porque ela "já está no terreno" e alerta que quem não cumprir as exigências que a lei impõe "será trucidado". É, sem dúvidas, uma ameaça inadmissível que, por vir de um elemento de um Governo com uma larga tradição de arrogância e prepotência, surpreenderá muito poucos. Igualmente, por ter sido uma contra-reforma e não uma reforma, realizada contra funcionários que viram as suas carreiras completamente abandalhadas, é absolutamente natural que haja receios de parte a parte.
Porém, se do lado de quem trabalha os receios são identificáveis sem grandes dificuldades, do lado dos detentores do poder a mesma tarefa já não será tão fácil. Como ler, então, a exteriorização de insegurança de hoje do senhor secretário de Estado da Administração Pública? Não será assim tão difícil. O Governo foi capaz de fazer aprovar todo um pacote de legislação e de calendarizar a sua entrada em vigor para 1 de Janeiro, mas não há lei que obrigue nenhuma mão a assinar o novo contrato. Para poder entrar em funções, cada funcionário público assinou um contrato. É esse que vale, pelo menos até assinar outro que o substitua. A incógnita é, agora, a de saber como reagirá a maioria ao convite para assinar um contrato pior do que o anterior, se ordeiramente que nem um cordeirinho a avançar para a boca do lobo, se reagindo energicamente a uma imposição à qual ninguém está obrigado. O Governo, sabe-se, tem medo da rua. 2009 é ano de eleições. Em Janeiro, conversamos melhor.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
"Obrigado, portugueses!"
É mais um reltório demolidor do Tribunal de Contas. «A despesa efectuada pelas entidades do Sector Público Administrativo (SPA) em consultadoria ascendeu, no triénio 2004-2006, a 134 milhões de euros, o que representou 0,11 por cento da despesa total efectuada pelo Estado e 0,03 por cento do PIB , nesse período. (…) O recurso ao sector privado é prática dos 96 órgãos e serviços consultivos do Estado, que foram criados para prestar estes serviços (e para empregar pessoal do partido). Segundo o relatório do TC, estes órgãos fizeram despesas com estudos de consultadoria, auditoria, pareceres e outros, que ascenderam a 7,4 milhões de euros, representando 17,2 por cento do total da despesa nesta rubrica e 0,02 por cento do total da despesa global do Estado.»
O apogeu do combate aos “poderosos interesses corporativos” e “privilégios” dos funcionários públicos, com congelamentos de progressões e actualizações salariais muito abaixo da inflação, abrange dois terços do período em análise. Os indícios de que entretanto o negócio ainda conheceu melhores dias vêm aqui. E a certeza de que vai melhorar ainda mais em 2009 vem na proposta de OE para 2009 (ler aqui). A reforma da AP valeu bastante a pena.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
A "reforma" no OE 2009
Destaque para o último parágrafo do artigo, “só no subsector Estado (excluindo serviços e fundos autónomos), a aquisição de bens e serviços ao sector privado vai crescer 6,3% em 2009, ascendendo a 1404 milhões de euros, revelam ainda os mapas de despesa da proposta de orçamento de Estado divulgada esta semana pelo Governo. Este custo corresponde a cerca de 13% da despesa total com pessoal”. A reforma valeu mesmo a pena.
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