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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Democrático


O Presidente venezuelano ganhou o referendo de domingo que lhe permitirá recandidatar-se indefinidamente a partir de 2012. Assim que o resultado começou a tomar forma definitiva, uma maré humana de vermelho invadiu as ruas de Caracas. Outra, de cor bastante mais carregada, invadiu os media ocidentais, fazendo-se ouvir um coro de críticas a Hugo Chavez, “o louco”, “o ditador”, que submeteu a votos a sua pretensão de prolongar o seu mandato para lá dos 10 anos anteriormente fixados como limite máximo pela Constituição venezuelana. Terá a democracia europeia autoridade para criticá-lo? O Tratado de Lisboa foi aprovado por uma elite restrita e controlada, sem ir a votos. E no único país onde houve referendo, na Irlanda, porque o resultado foi um “NÃO” rotundo, a consulta popular quer-se repetida até que dela saia o resultado pretendido, sem que se ouvisse ninguém chamar louco ou ditador a ninguém. Imagine-se que do referendo venezuelano saía um não e Chavez decidia repeti-lo? Pois. Eu não sou adepto de Chavez, clarifico-o já. Mas na Europa não estamos melhor. Na Venezuela manda Chavez, assim o quiseram os venezuelanos. Na Europa mandará um directório, porque assim o quis o próprio directório. E a avaliação da democraticidade de um regime nunca por nunca será função do agrado ou desagrado que possam suscitar estilos pessoais mais exuberantes.

sábado, 13 de setembro de 2008

A nova ordem da América Latina



Ninguém ficou indiferente. Alguns vibraram, outros chocaram-se. Outros ainda, nos quais eu me incluo, não obstante o desagrado provocado pelo estilo e pelo tipo de linguagem utilizados, são da opinião que é ainda mais inconcebível a intromissão de um país terceiro nos assuntos internos de um Estado soberano com um presidente eleito democraticamente. Chavez disse-o, no momento menos infeliz do seu discurso, os filhos de Simón Bolívar têm o direito à sua auto-determinação. Completamente de acordo. E têm também o direito à redistribuição do quinhão de riquezas do seu país que, até há bem pouco, numa tradição construída ao longo de décadas por ditaduras tão ferozes como corruptas, eram vendidas às multinacionais norte-americanas a troco da protecção da Casa Branca. As chamadas “repúblicas das bananas”, o termo vem desta época.
É o regresso a este tempo que Chavez tenta evitar a todo o custo, no cumprimento de uma promessa eleitoral. Com o seu estilo, com as suas palavras e com as suas políticas. O prémio ou a punição virá nas próximas eleições porque, tal como na Bolívia e no Paraguai, para horror de muitos, quem manda na Venezuela são os Venezuelanos. Há uma nova ordem na América Latina que, através da enfatização de questões de estilos, se tenta evitar que se propague ao resto do mundo. Com assinalável sucesso, sublinhe-se.