O nosso homem do ano é dois em um. Um europeu, que cumpriu a incumbência de organizar duas festas lá em casa – uma com os colegas europeus e outra com estes e os colegas africanos – e, das duas festas, saiu um hábil estadista. Dois, um português, que através de uma melhoria nas cobranças fiscais (receita), conseguiu convencer quase toda a gente de que estava a resolver o problema do despesismo e da ineficiência da aplicação de dinheiros públicos, mesmo apesar das divergências de opinião com o Tribunal de Contas, que diz precisamente o contrário. E, apesar de o desemprego ter subido como nunca, de o consumo ter baixado como nunca, de não ter feito nada para resolver o problema da morosidade da justiça, de resumir a educação a resultados conseguidos através de uma diminuição nos níveis de exigência, de promover uma política de saúde móvel (nas estradas e auto-estradas portuguesas) com o encerramento de mais que muitas unidades de saúde em todo o país, de promover uma reforma da Administração Pública contra os poderosos interesses corporativos salvaguardando, e aumentando mesmo, os poderosos interesses corporativos de quem tem o cartão do seu partido. Apesar disto tudo e de o crescimento económico ser o menor da Europa, ele consegue tirar da cartola resultados espectaculares que só estão ao alcance de um hábil governante: ele, pois claro. José Sócrates, com os sapatinhos prada em que apoia toda a sua política, é a nossa personalidade do ano.

Um sucesso também verificável na promoção do calçado português. Sócrates só usa marcas nacionais.
