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quinta-feira, 4 de junho de 2009

"Assuntos internos" e comércio livre

Este acto dos Estados Unidos ignora os factos e comporta acusações sem fundamento contra o Governo chinês” e constituem uma “interferência chocante nos assuntos internos da China”. Estas foram as palavras utilizadas por um porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros para reagir ao arrufo de ontem da chefe da diplomacia norte-americana, Hillary Clinton, que apelou à publicação dos nomes de todas as pessoas mortas, desaparecidas ou detidas na repressão das manifestações pró-democracia de 1989, na Praça de Tiananmen, há exactamente 20 anos. Os “assuntos internos” da China continuam a beneficiar da complacência internacional que faz deles um factor de competitividade para os “assuntos externos” de um coméricio global que se quer livre. Entre muros, vigora a repressão feroz, a violação sistemática de direitos humanos, laborais e ambientais. Só dizem respeito à China. Extra muros, vigora a maior das liberdades de “sã” concorrência entre os produtos obtidos naquelas condições e outros que são produzidos respeitando direitos humanos e todas as outras variáveis que tornam imbatível o Made in China. Como resultado, a deslocalização de empresas, a regressão social, o achatamento salarial e o desemprego galopante também são “assuntos internos” desses países, nos quais a China não se intromete, nem necessita de intrometer-se. Os governantes desses espaços desempenham bem o seu papel de zeladores do interesse “de todos”. É a concorrência.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

E agora, os nossos compromissos publicitários


A China censurou partes da transmissão em directo do discurso de tomada de posse do novo Presidente dos Estados Unidos da América. Os cortes coincidiram com a referência de Obama ao regime comunista e a BBC noticia que muitas das versões originais do discurso traduzidas para chinês disponibilizadas na Internet foram ligeiramente alteradas.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Teste

É um teste à disponibilidade de toda uma classe para colaborar com os caprichos de um regime assassino: foi oficialmente anunciado pela organização dos Jogos Olímpicos que A China vai censurar a Internet utilizada pelos media estrangeiros durante o evento. Se os desmandos do regime chinês e as promessas não cumpridas quanto ao respeito pelos direitos humanos parecem não incomodar as diplomacias ocidentais, aguardemos para verificar se os jornalistas imitam a sua submissão ou se, pelo contrário, a rejeição será o posicionamento maioritário.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Jogos Coca Cola 2008: o fim do espírito olímpico



Segundo um relatório da Amnistia Internacional ontem publicado, as autoridades chinesas usaram os jogos Olímpicos como pretexto para continuarem e, em alguns aspectos, intensificarem as políticas e práticas existentes que conduziram a violações graves e disseminadas dos direitos humanos.

Ao contrário do acordado para que os Jogos Olímpicos se realizassem na China, nos últimos meses, acrescenta o documento, o regime comunista reforçou a perseguição a jornalistas, advogados e activistas para “silenciar os dissidentes” à medida que a atenção internacional se centrava na China e, em alguns casos, as autoridades chegaram mesmo a intimidar as famílias dos opositores.

A Amnistia Internacional não poupa também o COI, a quem acusa de incapacidade para forçar Pequim a cumprir o caderno de encargos que assumiu em 2001, “passando a mensagem de que é aceitável um Governo organizar os Jogos Olímpicos numa atmosfera caracterizada pela repressão e perseguição”.

“A menos que se assista a uma mudança radical da parte das autoridades chinesas, a herança dos Jogos não será positiva para os direitos humanos na China”, avisa a organização, que repete o apelo para que o COI e a comunidade internacional convençam Pequim a adoptar medidas rápidas para salvar a face. (continuar a ler
aqui)




Prossegue uma campanha de boicote ao consumo de produtos das marcas patrocinadoras oficiais dos Jogos Olímpicos 2008.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Dos Jogos da Vergonha



Queremos Direitos Humanos, não Jogos Olímpicos" foi o título da carta aberta que Yang Chunlin conseguiu que 10 mil pessoas assinassem, depois de colaborar com um grupo de campesinos que protestavam pela expropriação das suas terras, uma prática recorrente na China. Após um período desde Julho passado em que foi torturado e obrigado a permanecer amarrado a uma cama 24 sobre 24 horas, foi hoje sentenciado a cinco anos de prisão sob a acusação de incitar à subversão e manchar a imagem do país. (via
El País)

domingo, 16 de março de 2008

Um povo sem país


Quatro dias após a administração Bush ter retirado a China da sua lista dos piores violadores de direitos do Homem e depois das dezenas de mortos dos últimos 4 dias, o Dalai Lama deu uma entrevista à BBC onde denunciou o genocídio cultural que está em curso no Tibete e apelou a uma investigação internacional independente sobre o que se está a passar naquele território ocupado pela China desde 1959.
“Team Tibet” (2007), o documentário que escolhemos para ilustrar este post, retrata um genocídio que não é apenas cultural. Fala de uma realidade escondida de atropelo quotidiano de direitos humanos e de uma opressão vendida aos negócios. De um povo encarcerado no seu país que não estará na festa das olimpíadas chinesas: ao contrário dos outros povos, que estarão em representação dos seus países, os tibetanos não foram convidados. Os tibetanos não têm país.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O terror da paternidade

Na China, o “combate aos poderosos interesses corporativos”, que por lá tem outro nome, faz-se no seio da família e das liberdades individuais. O Partido Comunista Chinês expulsou cerca de 500 pessoas e outros 395 funcionários públicos por terem mais de um filho. (…)De acordo com esta política, as famílias urbanas podem ter apenas um filho e as minorias étnicas e as famílias rurais podem ter dois, se o primeiro filho for uma rapariga. O recurso ao infanticídio é uma das consequências conhecidas da política de controlo de natalidade chinesa, perante a indiferença do resto do mundo. A China significa lucro fácil para as grandes multinacionais com interesses e laboração no país. Na China tudo é permitido, desde que continue a cumprir esse seu papel.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A vingança do chinês

«Para Luís Amado são "óbvias" as razões que levam o Governo português e o Presidente da República a não receberem oficialmente o Dalai Lama, Prémio Nobel da Paz, na sua segunda visita a Portugal. Luís Amado não se refere, claro está, às razões de agenda evocadas por José Sócrates ou Cavaco Silva. Fala das razões políticas e económicas que estão na base desta indisponibilidade. (…) Uma questão completamente diferente é a das lojas chinesas que Maria José Nogueira Pinto quer retirar da Baixa de Lisboa. (…)»

Em vez da imposição de regras, como o respeito pelos mais elementares direitos humanos, laborais e ambientais, a ue preferiu vergar-se aos interesses das grandes multinacionais que operam em países como China e Índia, utilizando, para consumo doméstico, um discurso cheio de chavões como “competitividade”, “flexibilização” e “contenção salarial”. Os efeitos da abertura dos mercados fizeram-se sentir de forma diferenciada, consoante o grau de especialização tecnológica e solidez das economias.
Portugal, frágil, estrebuchou. Com a globalização sem regras vieram o desemprego, a precarização no mundo do trabalho, a perda de poder de compra dos portugueses e, com eles, o encerramento de fábricas e lojas. Estas, em menor número, concentraram-se em grandes catedrais de consumo e, nas baixas das cidades de todo o país, assistiu-se a um fenómeno de substituição de representações de grandes marcas por lojas que comercializam produtos de baixo valor, ao alcance de todas as bolsas mas que só contentam quem aufere rendimentos baixos.
É este segmento de mercado, liderado por chineses e indianos, com produtos importados directamente dos seus países de origem, que envergonha agora toda uma classe que se vergou ao peso económico do gigante chinês. É esta exposição de pobreza e empobrecimento crescente do país e a ausência do glamour das grandes marcas e dos produtos de luxo com que terão que conviver e, pior que tudo, que verão os convidados ilustres, ricos, congéneres dos nossos governantes bem vestidos, em contraste com a boa marca das suas fatiotas e carros. Uma cópia à escala da realidade dos países de ilustres convidados e sempre bem-vindos como os ditadores
José Eduardo dos santos, Robert Mugabe ou Ben Ali, só para dar três exemplos que, como pode ver-se, contrastam com o mal-vindo Dalai Lama.
De súbito aparece em cena Maria José Nogueira Pinto, que tenta, por todos os meios, varrer a vergonha para debaixo do tapete, da nobre baixa para o Martim Moniz. Tarefa possível numa China com regras muito próprias, mas impossível num espaço com regras próprias de um Estado de Direito, aquelas que a Europa não exigiu aos chineses: leis específicas “para lojas chinesas” são xenófobas, proibidas, para horror dos convidados e vergonha dos anfitriões. Quiseram os chineses, eles aí estão. Ricos ou pobres, todos sentiremos a sua presença. Será a célebre "vingança do chinês"?

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Um alerta para o Mundo

Há 20 milhões de anos que o golfinho branco vivia no rio Azul, na China. Um rio de todas as cores, poluidíssimo, como quase todos os rios chineses. Um animal venerado porque, segundo uma crença local, neles reencarnavam as princesas que morrem afogadas. Reencarnavam e já não vai ser necessário proibi-las, como ao Dalai Lama, porque nenhuma princesa voltará a fazê-lo. O golfinho branco foi ontem declarado extinto. Um sinal de alerta para o desrespeito ambiental sistemático que caracteriza o “milagre” chinês, ignorado pelos donos de um mundo ávido de cifrões.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Proibido reencarnar

«O governo chinês emitiu um decreto proibindo o Dalai Lama de reencarnar. "O chamado Buda vivo é ilegal e inválido sem a aprovação governamental", afirma o texto assinado pela Administração para os Assuntos Religiosos.» no Público, via Grande Loja do Queijo Limiano

Coca-Cola 2008

São dois os relatórios de organizações internacionais que, no espaço de uma semana, denunciam a falta de cumprimento das promessas feitas pela China quando o gigante asiático apresentou a sua candidatura à organização das olimpíadas que terão início a 8 de Agosto de 2008, de amanhã a 1 ano. Depois do relatório da Human Rights watch, da semana passada, também a Amnistia internacional denuncia a ausência de transformações políticas, legais e sociais e a falta de empenho do governo chinês em conduzi-las. Pelo contrário, o governo chinês continua a aplicar a pena de morte a 68 crimes (nos quais se incluem crimes não violentos) sem observar os direitos dos acusados, intensificou as campanhas de repressão de activistas de direitos humanos e de juristas envolvidos em casos desta natureza e reforçou as medidas de controlo sobre os órgãos de informação e sobre a Internet.

Directamente relacionado com a construção das infra-estruturas necessárias para os Jogos, o governo chinês tem procedido à deslocação forçada de dezenas de milhares de habitantes de Pequim, arrasando quarteirões inteiros da capital e recorrendo a mão-de-obra migrante, forçada a trabalhar em condições que desrespeitam todas as regras das convenções internacionais de direitos humanos e de direitos do trabalho. O relatório da AI critica ainda a relutância do Comité Olímpico Internacional em adoptar uma atitude mais activa na questão dos direitos humanos à medida que se aproximam as Olimpíadas e acentua que as violações dos direitos humanos que sucedem na China representam uma afronta a princípios fundamentais da
Carta Olímpica relativos à preservação da dignidade humana e ao respeito por princípios éticos fundamentais de carácter universal. Sem o respeito por tais princípios, as olimpíadas perdem a sua razão de ser. Como uns quaisquer jogos Coca-Cola, quando terminarem, os Jogos Olímpicos de 2008 arriscam-se a deixar atrás de si na China pouco mais que latas vazias e uma sensação intensa de impunidade à escala mundial.

terça-feira, 17 de julho de 2007

O fantástico sucesso chinês

«O crescimento da economia chinesa nos doze meses até Junho foi de 11,1%, de acordo com as estimativas de 23 economistas contactados pela agência Bloomberg. Este ritmo de crescimento antecipa uma nova subida das taxas de juro na China, numa altura em que a inflação está no máximo de 27 meses. (…)»

Fantástico exemplo de sucesso que, dizem-no as regras de ascenção pessoal e do politicamente correcto, não devemos questionar, quer por ser fantástico, quer por ser sucesso: colando-nos a eles o sucesso é um bocadinho nosso também e é bom sermos vistos como alguém de sucesso, fantásticos. Mas…

Questão: quem ganha com o crescimento chinês? Resposta: não é o nível de vida da população chinesa em geral, não são os portugueses, não é a economia portuguesa, não são os cidadãos europeus, nem tão pouco a economia europeia e, menos ainda, o ambiente global. Ganham as multinacionais que operam na China, nas condições de exploração do trabalho e do ambiente que todos conhecemos. Agradecimentos ao proteccionismo dado ao comércio sem regras. Será uma utopia, dessas “utopias estúpidas de esquerda”, exigir regras mínimas de concorrência no comércio mundial?

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O milagre chinês

Porque os responsáveis europeus fecham os olhos e não exigem um fim para estes crimes, esta é a vida de milhões de chineses e é com isto que competimos. Com produtos produzidos sem custos laborais, que entram na Europa a preços imbatíveis, destruindo o emprego com direitos e as empresas europeias. Qual a prioridade? A Flexibilidade? Ou sanções proteccionistas enquanto continuar a existir escravatura no tal mundo cheio de modernidade? A posição europeia é de todos conhecida.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Escravos? Calma! Nós flexibilizamos.

«Pequim, 25 Jun (Lusa) - As fábricas de tijolos e minas envolvidas num escândalo de escravatura na China empregavam mais de 53 mil trabalhadores migrantes ilegais, noticia hoje a imprensa estatal chinesa.

Um relatório da assembleia provincial de Shanxi, no centro do país, citado pela agência noticiosa oficial Nova China, diz que 2.036 das 3.347 empresas investigadas operavam sem licença e usavam 53.036 trabalhadores ilegais vindos de outras províncias da China.

De acordo com os últimos números divulgados, a polícia chinesa libertou perto de 600 pessoas, entre as quais crianças, idosos e deficientes mentais, que tinham sido feitos escravos por empresas no centro do país.»

A Europa responde, sem condenações constrangedoras, em europês ultra-moderno de última geração. Sobre o caso chinês e sobre o modelo de concorrência desleal que dele resulta, nem uma linha.

«Bruxelas, 25 Jun (
Lusa) - Flexibilização contratual, formação contínua, políticas orientadas para o mercado de trabalho e modernização dos sistemas de segurança social são as chaves para a aplicação da flexigurança, segundo um documento a adoptar quarta-feira pela Comissão Europeia.»