quinta-feira, 21 de julho de 2016

A democracia dos afectos


Realmente, o dia que Marcelo Rebelo de Sousa reservou na sua preenchidíssima agenda de condecorações para dizer aos portugueses que não contem consigo para se pronunciarem democraticamente sobre questões europeias dificilmente seria mais bem escolhido. A Turquia, esse farol da democracia que a União Europeia designou como seu fiel depositário dos refugiados das guerras que tem alimentado nas últimas décadas, que por estes dias assiste a uma purga de opositores a um regime que simulou um golpe de Estado para dar largas às paranóias do seu Presidente, escolheu a mesma data para decretar a suspensão da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Traduzindo a conjugação em afectos, a democracia turca conta com os mimos dos sócios de Bruxelas no negócio dos refugiados para silenciarem qualquer voz que critique os afastamentos e prisões de juízes e funcionários do Estado, a democracia europeia conta com o sócio de Belém para silenciar qualquer voz que se levante contra o tratamento de colónia que os senhores de Bruxelas continuem a reservar-nos, sanções por termos cumprido todos os disparates que nos foram ordenando e associações da União Europeia a estados terroristas incluídos no pacote. Todos caladinhos, eles dão o seu melhor para o bem de todos, essa coisa a que chamaram democracia é um estorvo que não os deixa trabalhar.

1 comentário:

fb disse...

Realmente, o dia que Marcelo Rebelo de Sousa reservou na sua preenchidíssima agenda de condecorações para dizer aos portugueses que não contem consigo para se pronunciarem democraticamente sobre questões europeias dificilmente seria mais bem escolhido. A Turquia, esse farol da democracia que a União Europeia designou como seu fiel depositário dos refugiados das guerras que tem alimentado nas últimas décadas, que por estes dias assiste a uma purga de opositores a um regime que simulou um golpe de Estado para dar largas às paranóias do seu Presidente, escolheu a mesma data para decretar a suspensão da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Traduzindo a conjugação em afectos, a democracia turca conta com os mimos dos sócios de Bruxelas no negócio dos refugiados para silenciarem qualquer voz que critique os afastamentos e prisões de juízes e funcionários do Estado, a democracia europeia conta com o sócio de Belém para silenciar qualquer voz que se levante contra o tratamento de colónia que os senhores de Bruxelas continuem a reservar-nos, sanções por termos cumprido todos os disparates que nos foram ordenando e associações da União Europeia a estados terroristas incluídos no pacote. Todos caladinhos, eles dão o seu melhor para o bem de todos, essa coisa a que chamaram democracia é um estorvo que não os deixa trabalhar.