segunda-feira, 27 de junho de 2016

Fica para a próxima


Poderia ter sido um dia histórico, era um daqueles dias em que a democracia concede aos cidadãos a oportunidade de mudar o que está mal e agarrar o destino nas mãos. Os espanhóis desperdiçaram-na mais uma vez. Ontem, nada de demasiadamente significativo se alterou relativamente às eleições de há seis meses. O centrão conseguiu travar a dinâmica de mudança então iniciada e estancar a sangria de votos que meio ano antes havia destroçado um bipartidarismo velho de quase 40 anos. Apesar do escândalo de corrupção, mais um, que rebentou na última semana de campanha, o PP voltou a ser o partido mais votado e até reforçou o número de mandatos, ganhando-os  ao PSOE e ao Ciudadanos. O PSOE, concorrente directo  desse campeonato da habituação espanhola ao crime organizado, voltou a ser segundo e a perder mandatos. E, porque volta a não haver nenhum partido com maioria para governar, dada a improbabilidade de qualquer acordo que inclua Podemos e Ciudadanos e porque a única soma de duas parcelas capaz de produzir uma maioria volta a ser PP+PSOE, torna a caber aos socialistas a viabilização ou não de um Governo minoritário PP. Se não o fizer, perderá votos, mas se o fizer, o custo político será ainda maior. O PP será o vencedor das eleições de ontem se o PSOE quiser maximizar a sua derrota.

1 comentário:

fb disse...

Torna a caber aos socialistas a viabilização ou não de um Governo minoritário PP. Se não o fizer, perderá votos, mas se o fizer, o custo político será ainda maior. O PP será o vencedor das eleições de ontem se o PSOE quiser maximizar a sua derrota.