terça-feira, 28 de junho de 2016

E se o FMI também mandasse lá em casa?


Aproximadamente 100 dias, quatro meses e meio a trabalhar à borla desde Outubro de 2013. Fazendo-lhe as contas, sem contar com a supressão anual de entre 3 a 7 dias de férias, por cabeça, é esta a dimensão do roubo que resultou do aumento do horário de trabalho das 35 para as 40 horas sem qualquer acréscimo remuneratório na Administração Pública decidido pela governação Passos-Portas e mantido até à próxima Quinta-feira pelo actual Governo. O FMI, que como é sabido foi um dos inspiradores da façanha, está contra a reversão do roubo e aponta-a como indício inequívoco de que temos um sector público sobredimensionado. Nem vale a pena dizer-lhes que somos o país da Europa com menor peso de funcionários públicos na população activa e que, se faltavam trabalhadores, obrigar quem está no activo a trabalhar gratuitamente é/foi não apenas um roubo aos próprios como também um roubo a todos os desempregados que deveriam ter sido e não foram contratados para suprir a necessidade de mais horas trabalhadas. Estes contadores de histórias têm a comunicação social ao seu serviço a dar-lhes toda a cobertura sem contraditório e por isso  são completamente imunes a qualquer argumento. Mas calhou aparecerem a dizer mais este absurdo no mesmo dia em que na imprensa também se lê sobre um estudo que revela que, em média, as mulheres dedicam 4,23 horas diárias a tarefas domésticas não remuneradas enquanto que os homens lhes dedicam apenas 2,38 horas. Questões de desigualdade de género à parte, repare-se, primeiro, como a equação deste problema é em tudo idêntica à da opção de sobrecarregar funcionários públicos com o trabalho que garantiria o sustento a milhares de desempregados e, segundo, qual seria a conclusão do FMI caso as tarefas domésticas passassem a ser mais bem distribuídas, com os homens a dedicarem-lhes as horas que as mulheres passariam a poder dedicar a si próprias: diriam que haveria mulheres a mais nos lares portugueses. Sem dúvida alguma, seríamos um povo imensamente mais feliz se permitíssemos que a ciência FMI também mandasse lá em casa.

1 comentário:

fb disse...

Sem dúvida alguma, seríamos um povo imensamente mais feliz se permitíssemos que a ciência FMI também mandasse lá em casa.