sexta-feira, 8 de abril de 2016

Os papeis da estalada, ou lá o que era





Os papeis do Panamá. Esta semana teve nome de filme com projecção à escala mundial. É um filme em que cada um de nós tem o seu papel, porém, à excepção dos islandeses, que voltaram a interpretar o seu de forma a não envergonharem filhos e netos, o título passou como passam todos. As notícias tornaram-se mais um produto de consumo com um prazo de validade que vai encurtando juntamente com a memória colectiva que se dilui na torrente do que se consome hoje para se esquecer amanhã. O declínio social e civilizacional constante destes dias escreve-se nas linhas intermináveis desta incapacidade sequer de reter a memória do que aconteceu um par de semanas antes, quanto mais de produzir memórias para nunca mais esquecer, como os islandeses. Podíamos ter exigido o encerramento do off-shore da Madeira na Segunda. Controlo mais apertado e tributação de todas as transacções com tais antros de criminalidade na Terça. Explicações aos partidos que usaram o poder que lhes foi confiado pelo povo para aprovarem perdões judiciais aos figurões do Monte Branco e Furacão na Quarta. Ter pressionado o Governo no sentido de exigir aos parceiros europeus medidas para acabar com os paraísos que, no seio da própria Europa, anualmente nos roubam milhares de milhão em receitas fiscais na Quinta. E terminar a semana com a notícia da demissão daquele Ministro da Segurança Social que foi reconduzido por António Costa apesar de, na era Sócrates, ter perdido (ou ganhado, depende da perspectiva) umas largas centenas de milhão das nossas reformas nos tais paraísos onde a vigarice adquire o direito a dizer que o dinheiro sumiu. Qual quê! Paraísos fiscais foi o tema da Segunda. E hoje já é Sexta. O tema do dia são umas bofetadas gravíssimas com direito a demissão ministerial. E não saia do seu lugar. Para a semana teremos notícias ainda mais divertidas e à medida de qualquer comentário inflamado nas redes sociais.

1 comentário:

Anónimo disse...

Não vi em jornais ou blogues qualquer comentário ao facto de o PR ter chamado um estrangeiro para das lições aos conselheiros de estado. Não tenho conhecimentos para avaliar a legalidade da coisa, mas parece-me que foi dada (mais) uma grande machadada na independência do país.