quarta-feira, 20 de abril de 2016

O problema de sempre: o euro


Nas últimas semanas temos ouvido falar em paraísos fiscais e no saneamento que não foi feito no sector financeiro português, que pelo visto querem fazer sem ao menos separarem a actividade comercial e a actividade especulativa dos bancos. Hoje voltamos a ouvir falar em cortes orçamentais e em novas exigências de Bruxelas quanto ao salário mínimo, que a Comissão Europeia não quer que seja actualizado apesar de ser um dos mais miseráveis de toda a União Europeia. A porta-voz do Bloco de Esquerda reagiu apontando a Bruxelas o fanatismo ideológico que não espera pelos resultados da execução de um Orçamento aprovado nem há um par de semanas para exigir mais cortes. E tem toda a razão. Porém, haveria que dizer bastante mais. Gostava de tê-la ouvido perguntar a Bruxelas se os mil milhões que exige em cortes por acaso não poderiam ser obtidos por exemplo através da proibição do dumping fiscal que se permite à quase totalidade das 17 maiores empresas cotadas em bolsa a pagar imposto sobre lucros na Holanda e no Luxemburgo. Se não quer que o salário mínimo seja actualizado para que o crescimento desses lucros que não pagam imposto em Portugal seja maior, tornando necessária uma sobrecarga fiscal sobre os rendimentos do trabalho que compense a transferência de riqueza para a fatia do PIB que, ao contrário dos salários,  não contribui para  o saldo orçamental exigido. Ou se pretende ver o malparado dos bancos continuar a crescer em função das desvalorizações salariais e da flexibilização dos despedimentos que voltam a exigir. Percebe-se perfeitamente porque não o diz. Todas estas questões, as imposições de Bruxelas também, estão relacionadas com as regras do euro. E O Bloco continua sem um discurso claro quanto à nossa permanência no euro. Que o PS se refugie na ideia que é possível compatibilizar crescimento económico com as regras do euro, entendo. Que o Bloco colabore na omissão de que a permanência no euro implica desvalorizações salariais constantes e a eternização da austeridade, não me parece a melhor estratégia. Para vendedores de ilusões já temos o PS. E seguramente que não será a reboque dessas ilusões que nos libertaremos da austeridade que jamais permitirá que voltemos a ser um país minimamente decente. Foi sobre esta resposta cada vez mais urgente que se falou na Conferência Internacional "o Pós-Euro na Europa e em Portugal" que a Associação Cívica Democracia Solidária organizou em Lisboa na passada Sexta-feira. Excelente notícia. A sociedade civil começa a mobilizar-se para enfrentar o papão que os partidos actualmente existentes se recusam a tratar com a frontalidade que é nosso dever exigir também.

1 comentário:

fb disse...

Nas últimas semanas temos ouvido falar em paraísos fiscais e no saneamento que não foi feito no sector financeiro português, que pelo visto querem fazer sem ao menos separarem a actividade comercial e a actividade especulativa dos bancos. Hoje voltamos a ouvir falar em cortes orçamentais e em novas exigências de Bruxelas quanto ao salário mínimo, que a Comissão Europeia não quer que seja actualizado apesar de ser um dos mais miseráveis de toda a União Europeia.