segunda-feira, 28 de março de 2016

Os bons dias de uma cidadania muito doente


Quem, como eu, ouviu os noticiários da manhã da rádio pública começou a semana ao som de dois problemas, qual deles o maior. O primeiro, espelho do desperdício de médicos formados nas nossas universidades, e medicina é um dos cursos mais caros, a coexistência de jovens médicos a emigrarem por não encontrarem trabalho e a falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde, em particular em certas especialidades e em especial em algumas regiões mais afastadas dos grandes centros. O segundo, a Ordem dos médicos e a Associação de Estudantes de Medicina, em vez de reivindicarem a abertura de concursos no SNS, a redução do número de alunos por turma nos cursos de Medicina e melhorias na qualidade do ensino, exigem a redução gradual do número de vagas a concurso no ingresso ao ensino superior. O primeiro não é novidade, por maior que seja o optimismo que se passeie por aí, a austeridade na Saúde  continua tal e qual os Governos anteriores a deixaram. O segundo confronta-nos com o pior do corporativismo da Ordem dos Médicos e com o individualismo de jovens que no máximo dos máximos serão tecnicamente bons mas que nunca serão bons médicos por serem tão maus cidadãos. Se o que pretendem se resume a verem solucionados os seus problemas pessoais e não o da Saúde da sociedade que contribuiu solidariamente para lhes pagar os cursos, quer-me cá parecer que o país não perde grande coisa se vir as suas vocações mercantis partirem para aquela emigração capaz de lhes remunerar a ambição. Ao contrário do que alegam, não temos médicos a mais. Mas mercenários sim, demasiados, em número bastante acima das nossas possibilidades. Adeus e boa sorte para todos eles.

1 comentário:

fb disse...

O primeiro não é novidade, por maior que seja o optimismo que se passeie por aí, a austeridade na Saúde continua tal e qual os Governos anteriores a deixaram. O segundo confronta-nos com o pior do corporativismo da Ordem dos Médicos e com o individualismo de jovens que no máximo dos máximos serão tecnicamente bons mas que nunca serão bons médicos por serem tão maus cidadãos.