quinta-feira, 3 de março de 2016

O mundo como nós o fazemos


Perdoem-me os leitores não ser mais um a comentar a proeza do alarve nascido além Tejo que pôs mãos à obra e deu forma de livro a uma compilação de alarvidades. É normal que um alarve escreva alarvidades, também que uma obra-prima da alarvidade se torne um best seller num país de alarves. E nós somos um país de alarves. Senão reparem nos lucros que a EDP apresentou no dia em que, se combinassem não teria resultado melhor, toda a gente decidiu contribuir para a notoriedade da nódoa que atrás referi: 913 milhões de euros. Se os dividirmos por 365 dias, deparamo-nos com um lucro diário de 2,5 milhões de euros. Se os multiplicarmos por zero, obtemos a receita fiscal gerada por 2,5 milhões de lucros diários de uma empresa que se fez com o dinheiro dos nossos impostos e que agora, depois de vendida por tuta e meia sem acautelar  sequer que não aconteceria o que se lê a seguir, tem sede fiscal na Holanda. Ainda poderia referir aquela coisa só para especialistas chamada défice tarifário, que serve para justificar um aumento de 2,5% no terceiro tarifário mais caro de toda a Europa até mesmo em ano de 913 milhões de lucros e de cotação do barril de petróleo em mínimos de mais de uma década, mas deixem lá isso. Num país de alarves, é tudo à bruta porque é tudo perfeitamente normal. Excepto as alarvidades que um anormal possa escrever.

1 comentário:

fb disse...

Perdoem-me os leitores não ser mais um a comentar a proeza do alarve nascido além Tejo que pôs mãos à obra e deu forma de livro a uma compilação de alarvidades. É normal que um alarve escreva alarvidades, também que uma obra-prima da alarvidade se torne um best seller num país de alarves. E nós somos um país de alarves. Senão reparem nos lucros que a EDP apresentou no dia em que, se combinassem não teria resultado melhor, toda a gente decidiu contribuir para a notoriedade da nódoa que atrás referi: 913 milhões de euros. Se os dividirmos por 365 dias, deparamo-nos com um lucro diário de 2,5 milhões de euros. Se os multiplicarmos por zero, obtemos a receita fiscal gerada por 2,5 milhões de lucros diários de uma empresa que se fez com o dinheiro dos nossos impostos e que agora, depois de vendida por tuta e meia sem acautelar sequer que não aconteceria o que se lê a seguir, tem sede fiscal na Holanda. Ainda poderia referir aquela coisa só para especialistas chamada défice tarifário, que serve para justificar um aumento de 2,5% no terceiro tarifário mais caro de toda a Europa até mesmo em ano de 913 milhões de lucros e de cotação do barril de petróleo em mínimos de mais de uma década, mas deixem lá isso. Num país de alarves, é tudo à bruta porque é tudo perfeitamente normal. Excepto as alarvidades que um anormal possa escrever.