sexta-feira, 18 de março de 2016

O culto da deformação


Seríamos uma sociedade melhor e mais justa se os cidadãos fossem mais cidadãos, teríamos um Estado melhor se os seus dirigentes pugnassem pelo respeito à Constituição e à Lei, seríamos uma comunidade melhor se os cristãos fossem melhores cristãos. A utilização de escolas públicas para fins religiosos é apenas um exemplo entre muitos da promiscuidade que temos o dever de repudiar. A Associação República e Laicidade tem toda a razão ao recordar o impedimento do Estado, que vem consagrado na nossa Lei fundamental, de programar a Educação e a Cultura seguindo qualquer directriz religiosa. Nenhum dirigente público, sob o pretexto que seja, pode autorizar a celebração de uma missa nas instalações do estabelecimento que dirige sem violar a Constituição que jurou respeitar no acto de tomada de posse do cargo que ocupa. E nenhum cristão deveria aceitar que uma missa se realize num espaço que pertence a cristãos e a não cristãos por violar aquele princípio tão sagrado para a religião que professam, segundo o qual não devemos fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós.



Tudo isto talvez se entenda melhor descendo ao concreto. Vamos lá então. Se o responsável máximo por uma escola cuja religião fosse, por exemplo, uma das inúmeras ramificações evangélicas aceitasse que o pastor da sua congregação invadisse o espaço público que dirige para celebrar culto, não constituiria tal acto uma usurpação do poder que lhe foi confiado? Que moral é que tem o mau católico, que impõe marginalização aos filhos dos não católicos quando aceita que se rezem missas na escola do seu filho, para reclamar ao sabê-lo marginalizado numa sala destinada aos alunos que não queiram participar na celebração  da oração islâmica que o director, também islâmico, permitiu que se fizesse no organismo público que dirige? Pois é. É para não sermos agredidos por situações desagradáveis como estas que temos um Estado laico. E é para evitar que os dirigentes públicos se convençam que são donos de uma quinta que existem regras que balizam o que podem e o que não podem autorizar. Tudo isto resultaria estupidamente claro para todos se a escola formasse bons cidadãos e, caramba, mesmo ali ao lado, não ficará assim tão longe, na  igreja se formassem bons cristãos. Que lástima que não seja assim.

3 comentários:

fb disse...

Nenhum dirigente público, sob o pretexto que seja, pode autorizar a celebração de uma missa nas instalações do estabelecimento que dirige sem violar a Constituição que jurou respeitar no acto de tomada de posse do cargo que ocupa. E nenhum cristão deveria aceitar que uma missa se realize num espaço que pertence a cristãos e a não cristãos por violar aquele princípio tão sagrado para a religião que professam, segundo o qual não devemos fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós.

Anónimo disse...

Tanta coisa mal neste país e vão_se preocupar com missa em escolas, onde ninguém aponta uma pistola para obrigar a assistir, enfim! Nesse caso acabem com a concordata e acabem de vez com os feriados / dias santos que toda a gente goza independentemente da religião! Aí se calhar a sociedade já não é laica!!!

Filipe Tourais disse...

Tanta coisa mal, a missa nas escolas é uma delas. As outras coisas mal podem dizer o mesmo que acaba de dizer.