terça-feira, 22 de março de 2016

Foi só um atentado, ouviram?


Na semana passada, um acordo que oficializa as deportações de refugiados para campos de concentração na Turquia. Chamaram-lhe outra coisa qualquer. Hoje, o horror de mais um atentado, desta vez em Bruxelas, réplica do atentado anterior a repetir no atentado seguinte. E como é que se chama a uma sucessão de ataques e contra-ataques em que morrem pessoas às dezenas ou centenas de cada vez? Guerra, acho eu. E esta estende-se de Bruxelas a Damasco, de Nova Iorque a Bagdad, não vejo o que lhe falte para ser mundial. Naturalmente, como em todas as guerras, os que nos atacam são os maus e nós, europeus,  que negamos asilo às centenas de milhar que fogem das guerras que alimentamos, somos os bons. Uns, menos bons, têm direito a reformas de miséria actualizadas uns cêntimos quando o rei faz anos e outros, mesmo bons, têm boas reformas actualizadas este ano em 4,25% na parte Ocidental da Alemanha e 5,95% na região mais a Leste, mas isso já é outra conversa. Não é que o esbulho que produziu a acumulação que permite actualizações tão generosas na Alemanha não seja, juntamente com os atentados, as deportações e a xenofobia por consenso,  outra das dimensões desta guerra, mas essa parte vocês já conhecem. E anda para aí tanta gente a festejar o fim da austeridade que também não serei eu a estragar-lhes a festa. Às tantas a guerra até já acabou e eu para aqui a exagerar. O melhor mesmo será nem lhe chamar guerra, senão ainda me chamam maluco. Foi só mais um atentado. Vão reforçar a segurança nos aeroportos  e depois hão-de prender todos os bandidos. A Europa saberá responder, forte e coesa. Je suis Charlie.

5 comentários:

fb disse...

O melhor mesmo será nem lhe chamar guerra, senão ainda me chamam maluco. Foi só mais um atentado. Vão reforçar a segurança nos aeroportos e depois hão-de prender todos os bandidos. A Europa saberá responder, forte e coesa. Je suis Charlie.

jcostar disse...

Sou contra ataques dito "terroristas" morrem sempre os que culpa não têm. Sou mesmo contra todo o tipo de terrorismo, sou ainda mais contra o terror do capital, sou contra todas as guerras, já que os que com a guerra enriquecem, nunca lá vão.
Mas os que irão ter este ano os 4% de aumentos nas Reformas, "eu sou um deles" ainda vão ficar muito aquém dos 80% do que outros recebem e nada têm a ver com estas guerras, "alguns até fizeram outras", tão injustas como as actuais. Acho que se apontasse-mos o dedo aos culpados das guerras, haveria mesmo menos guerras. Nós como portugueses não deveria-mos esquecer o célebre acordo das LAGES, o País da Angela Merkel foi contra a invasão do Iraque. O nosso José apoiou o Bush, o Arzenar e o outro. E o País parece que ficou mais ou menos calado.

Filipe Tourais disse...

Aqui não se critica o rendimento de quem trabalha ou trabalhou uma vida inteira. A referência é feita exclusivamente para ilustrar a discrepância que existe entre países que enriquecem e países que empobrecem, os primeiros ganham o que os segundos perdem, com esta União Europeia. Até porque qualquer aumento de rendimentos do trabalho na toda-poderosa Alemanha são boas notícias para as exportações dos demais. Est aumento tem mais eficácia sobre a economia real do que qualquer injecção monetária do BCE.

jcostar disse...

Não nos devemos esquecer dos contentores de dinheiro que Portugal recebeu da Europa para o país se desenvolver, e que desenvolvemos? Apoiamos guerras, participando até nalgumas delas. Esperamos que os ataques "terroristas" não cheguem a Portugal.

Filipe Tourais disse...

Os contentores de dinheiro que chegaram para pagar o desmantelamento da nossa agricultura, pescas, indústria, etc, esqueceu-se de dizer.