sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Uma despedida em grande


Dizia eu há uns dias que as ordens honoríficas portuguesas andam a precisar de novas denominações. Só na fornada anterior de condecorados por Cavaco Silva tínhamos Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato, isto originaria a Gran-cruz do colégio privado; Vítor Gaspar justificaria inteiramente a Ordem do Gran-lacaio; Álvaro Santos Pereira, a cruz da nulidade pasteleira; Pires de Lima, a gran-carica dos negócios banqueiros. E vá lá, dizia eu com os também condecorados Zeinal Bava, Dias Loureiro , Durão Barroso e Pedro Santana Lopes na memória, o mano Paulo Santana Lopes foi preso a tempo de não ser condecorado. Mas isto na semana passada, porque, já  nesta, Cavaco Silva condecorou Sousa Lara, um homem que entre os serviços que prestou à Nação se notabilizou imenso: enquanto membro de um Governo, sub-secretário de Estado da Cultura,  usou esse poder para tudo fazer para que José Saramago não fosse  o único português com um Nobel da Literatura e, enquanto gestor desse antro de tudo o que Portugal teve de mais podre, que se chamou Universidade Moderna, foi acusado de quatro crimes de apropriação ilícita, 1 de associação criminosa e 1 de administração danosa e acabou condenado a uma pena de prisão de dois anos e meio suspensa por dois anos. Não vale a pena alongar-me muito mais em comentários sobre a última condecoração da nódoa que habitou Belém nos últimos dez anos, um cadastrado. Quer como balanço da década, quer como despedida de uma carreira política  onde evoluiu sempre rodeado pelos piores entre os piores e sempre inspirado no que de pior um dia se conte sobre o que os portugueses deixaram que fizessem à sua, nossa democracia, a derradeira escolha de Cavaco Silva não poderia ter sido melhor.

2 comentários:

fb disse...

Não vale a pena alongar-me muito mais em comentários sobre a última condecoração da nódoa que habitou Belém nos últimos dez anos, um cadastrado. Quer como balanço da década, quer como despedida de uma carreira política onde evoluiu sempre rodeado pelos piores entre os piores e sempre inspirado no que de pior um dia se conte sobre o que os portugueses deixaram que fizessem à sua, nossa democracia, a derradeira escolha de Cavaco Silva não poderia ter sido melhor.

Anónimo disse...

Caro Filipe, o seu blog faz serviço público. Deixo-lhe um agradecimento sincero