quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

"Quem pensa como a direita acaba a governar como a direita", pois acaba.


"Governo aprova novas regras da reforma antecipada" é um dos títulos que se lêem na imprensa do dia. Quem se dê ao trabalho de não se ficar pela leitura do título fica a saber que, na verdade, o Governo se limitou a recuperar o "regime transitório" aprovado pelo anterior Governo, mantendo as enormes penalizações  e substituindo a impossibilidade de requerer a reforma antecipada pela possibilidade dada ao trabalhador que a solicite de parar o processo quando receba uma carta a dar-lhe conta do valor que irá receber. Simplificando, até agora um trabalhador com 55 anos que tenha começado a trabalhar aos 15 anos, e há-os que começaram aos 11 e aos 12, apesar de ter completado os 40 anos de descontos obrigatórios, não podia requerer a reforma antecipada. A partir de agora pode fazê-lo e, quando receba a cartinha da Segurança Social a comunicar-lhe que receberá apenas 176 euros mensais, ainda menos do que os cerca de 260 euros da pensão mínima, chegará à conclusão de que de nada lhe serviu trabalhar uma vida inteira e que, na prática, está proibido de assinar a sua própria sentença de miséria para o resto da vida. Quando ainda não era Primeiro-ministro, uma vez António Costa disse que quem pensa como a direita acaba a governar como a direita. Não disse mentira nenhuma. Em 2016, o desemprego sexagenário irá continuar a arrastar-se por aí. Enquanto isso, aqueles empregadores que pagam os salários mais miseráveis irão beneficiar de um desconto na TSU de 0,75%. A subsidiação da exploração do trabalho também foi aprovada hoje e com efeitos retroactivos a Fevereiro. O dinheiro que existe para financiar esta borla é exactamente o mesmo que não existe para garantir velhices dignas a quem não teve o direito a gozar a juventude.

1 comentário:

fb disse...

Em 2016, o desemprego sexagenário irá continuar a arrastar-se por aí. Enquanto isso, aqueles empregadores que pagam os salários mais miseráveis irão beneficiar de um desconto na TSU de 0,75%. A subsidiação da exploração do trabalho também foi aprovada hoje e com efeitos retroactivos a Fevereiro. O dinheiro que existe é exactamente o mesmo que não existe para garantir velhices dignas a quem não teve o direito a gozar a juventude.