segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Então e a dívida, pá?


A série de barbaridades sobre o Orçamento de Estado para 2016 soma e segue em toda a comunicação social, num registo de confronto de facções que reduz o debate a um simples "o meu Orçamento é melhor do que o teu". Simples mas nada ingénuo, refira-se. Senão reparemos no elemento que transforma este antagonismo aparente num consenso absoluto, os mais de oito mil milhões de euros do serviço da dívida pública, os mais de 800 euros por cabeça que custam anualmente os juros dessa dívida, os pormaiores de um debate moldado no pressuposto de ser possível pagá-la, conduzido para nos porem a dizer que preferimos que seja o vizinho a pagar com o corte no seu salário ou na sua reforma  o que nós não queremos pagar quando abastecemos o carro ou compramos cigarros e para nos porem a defender um Estado mínimo sem Saúde nem Educação, onde cada um as tem e se vai safando em função das suas posses. Podíamos estar a discutir a renegociação da nossa dívida, devíamos preferir que fosse quem continua a não pagar impostos a pagar aquilo que nós e o vizinho pagamos, podíamos e devíamos rejeitar continuar a pagar o banco seguinte e a actualização constante das rendas garantidas da energia e das PPP, caber-nos-ia exigirmos trabalho e salários   dignos para todos, mas para isso teríamos que ser a comunidade que deixámos de ser e saber ficar de fora desta conflitualidade alimentada para nos pôr uns contra os outros a consumir a energia que devíamos canalizar contra aqueles que vão enriquecendo à margem destas algazarras fratricidas, das quais saímos sempre a perder. Temos que aprender a dizer "eu não quero ser eu, nem quero que seja o meu vizinho a pagar, não quero que paguemos nada nem com cortes de salários e de pensões nem com impostos indirectos enquanto os donos disto tudo não forem obrigados a pagar também, não aceitamos que uns senhores que não elegemos decidam o nosso presente e o nosso futuro em Bruxelas, devolvam-nos aquele país que começámos a reconstruir em 1974 e deixámos desbaratar pela nossa inconsciência colectiva".

1 comentário:

fb disse...

um debate moldado no pressuposto de ser possível pagá-la, conduzido para nos porem a dizer que preferimos que seja o vizinho a pagar com o corte no seu salário ou na sua reforma o que nós não queremos pagar quando abastecemos o carro ou compramos cigarros e para nos porem a defender um Estado mínimo sem Saúde nem Educação, onde cada um as tem e se vai safando em função das suas posses. Podíamos estar a discutir a renegociação da nossa dívida, devíamos preferir que fosse quem continua a não pagar impostos a pagar aquilo que nós e o vizinho pagamos, podíamos e devíamos rejeitar continuar a pagar o banco seguinte e a actualização constante das rendas garantidas da energia e das PPP, caber-nos-ia exigirmos trabalho e salários dignos para todos, mas para isso teríamos que ser a comunidade que deixámos de ser e saber ficar de fora desta conflitualidade alimentada para nos pôr uns contra os outros a consumir a energia que devíamos canalizar contra aqueles que vão enriquecendo à margem destas algazarras fratricidas, das quais saímos sempre a perder.