Terminou o passeio à Presidência
da República do comentador Marcelo. A fórmula de sucesso aí fica para qualquer celebridade
que se lembre de aproveitar a desistência daquele que se reclama o maior
partido da esquerda para querer ser Presidente da República. Não vale a pena
inventar muito, basta olhar para o trajecto do agora Presidente. Mais de uma década
de Domingos no papel do catequista que evita polémicas e se limita a compilar e
reproduzir a média da média das histórias de encantar contadas pela maioria de
homens e mulheres da situação que detêm a hegemonia do comentário político que
se faz em Portugal dispensaram-no da necessidade de ter cartazes de campanha. A
popularidade assim angariada colocou-o em primeiro lugar em todos os
alinhamentos de todos os jornais de campanha e dispensou-o de falar sobre
política nos programas de informação dirigidos por colaboradores que, quando o tema surgia, se encarregaram de fazê-lo desaparecer no
campeonato da simpatia em que transformaram toda uma campanha feita para fazer
esquecer que Marcelo era o candidato daquela direita radical que andou quatro
anos a desmantelar e a vender um país em que ser popular e à prova de povo é
mais apreciado do que dar a cara pelo povo e afrontar as consensualidades dos
fazedores de popularidades.
Marcelo ganhou-o à primeira, poisganhou, e ficou com o poder de dissolver a AR no momento mais oportuno para
devolver o poder à direita que o apoia. Era impossível que não ganhasse.
Repare-se como até na segunda
divisão da popularidade também foi o mais simpático Tino de Rans que ficou à
frente. Repare-se como a comunicação social cola o rótulo de populista ao
campeão da segunda divisão que não cola
ao campeão dos campeões. Como Sampaio da Nóvoa perdeu a aposta de tentar competir
com um discurso simpático e redondinho no campeonato da popularidade que não
tinha, nem poderia ter sem quinze anos a
fio à mesa do jantar dos portugueses, em vez de ter a coragem de assumir
rupturas e apostar naquilo que poderia diferenciá-lo, um discurso político
forte que enchesse a garrafa vazia do seu tempo novo. Como Maria de Belém se
afundou estrondosamente quando a sua impopularidade explodiu. Como todo este
circo de popularidades e simpatias, vazio de política, produziu uma abstenção
superior a 50% que facilita a eleição de um simpático com pouco
mais de metade dos votos da metade que não ficou em casa.
E repare-se como é falando sobre
política, sobre a vida de cada um de nós, que se arranca os desistentes dessa
abstenção para o combate que interessa, para a luta que confere sentido a
qualquer eleição em democracia. Os mais de dez por cento da Marisa Matias foram
conseguidos sem primeiros nem segundos lugares nos alinhamentos dos jornais de
campanha, com jornalistas que fizeram tudo o que puderam para desviar uma
disputa política para outra dimensão o mais longe possível daquela que
permitiria percepcionar que é na democracia que estão as respostas para as
vidas que as popularidades vão condenando e que só com respostas políticas
podem ser melhoradas. À Marisa devemos o sinal de esperança deixado nestas
presidenciais. O povo que não desiste nem se deixa levar em cantigas aí está,
firme e a crescer em número e em mobilização.


3 comentários:
Marcelo ganhou-o à primeira, pois ganhou, e ficou com o poder de dissolver a AR no momento mais oportuno para devolver o poder à direita que o apoia. Era impossível que não ganhasse.
É claro que os candidatos do bloco de esquerda são sempre bons e os outros nunca prestam. É pena não se poder fazer um contrato de voto automático no bloco de esquerda e nos candidatos do bloco de esquerda. Assim o nosso voto seria atuomaticamente atribuído em todas as eleições e não perderiamos tempo a ir às urnas. Porque o que tem a marca BE é bom. Não importa que seja tão vazio de conteúdo político como os outros. Não importa que conquiste votos pela simpatia como os outros. Se é BE é bom. Tem sido assim e sempre será. É como ser do benfica. Assim é tudo mais simples.
O seu comentário é que não diz rigorosamente nada. Insinua pela ironia que os candidatos do Bloco são iguais aos outros, apenas. Os candidatos são todos diferentes, somos todos diferentes, amigo.
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