segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Terroristas mas amigos


Encerrámos 2015 a ouvir falar em terrorismo e no reforço da segurança alegadamente necessário para o combater. Entramos em 2016 com a notícia trágica de uma execução de 47 condenados à morte por uma das ditaduras mais sinistras do mundo, a Arábia Saudita, uma das protegidas de um Ocidente dirigido por ávidos do seu petróleo e das fortunas que comanda e uma das mais odiadas por outra ditadura que não lhe fica nada atrás em ferocidade e em petróleo, o Irão, que desvaloriza 46 das 47 execuções para valorizar apenas uma delas, a de um líder da facção religiosa do regime gémeo do saudita quer na criatividade repressiva, quer também na disputa de mercado para o seu petróleo e cumplicidades anexas. E aterramos em 2016 a ler sobre riscos de financiamento do terrorismo com as mesmas cumplicidades e os mesmos silêncios de 2015. Os donos do mundo Estados Unidos, com os quais a Europa dos bancos e dos mercados anda a negociar ainda mais liberdades para esse enriquecimento que se obtém à custa do empobrecimento dos povos e do sacrifício da sustentabilidade ambiental do planeta - TTIC, contornou a condenação de mais um crime sem nome cometido pelo seu aliado saudita com as palavras ocas do costume. Os donos da Europa Alemanha, França e Inglaterra limitaram-se a declararem-se contra a pena de morte e a tentarem apaziguar o monstro de Teerão com lamentações da execução do clérigo chiita. Não se ouviu uma palavra sequer que possa indiciar a mais mínima das críticas ao reino do terror onde as mulheres são proibidas de conduzir e os detidos são barbaramente torturados até confessarem o que lhes for exigido, que começou o ano a somar 47 às 153 execuções à morte de 2015. Da próxima vez que se ouvir um responsável americano ou europeu a pregar contra o estado islâmico, alguém que lhe pergunte quantos milhões a mais seriam necessários para lhes estenderem a cumplicidade que dispensam aos amigos que o financiam e lhe fornecem o modelo e a inspiração.

1 comentário:

fb disse...

Da próxima vez que se ouvir um responsável americano ou europeu a pregar contra o estado islâmico, alguém que lhe pergunte quantos milhões a mais seriam necessários para lhes estenderem a cumplicidade que dispensam aos amigos que o financiam e lhe fornecem o modelo e a inspiração.