Encerrámos 2015 a ouvir falar em
terrorismo e no reforço da segurança alegadamente necessário para o combater. Entramos
em 2016 com a notícia trágica de uma execução de 47 condenados à morte por uma
das ditaduras mais sinistras do mundo, a Arábia Saudita, uma das protegidas de
um Ocidente dirigido por ávidos do seu petróleo e das fortunas que comanda e
uma das mais odiadas por outra ditadura que não lhe fica nada atrás em
ferocidade e em petróleo, o Irão, que desvaloriza 46 das 47 execuções para
valorizar apenas uma delas, a de um líder da facção religiosa do regime gémeo
do saudita quer na criatividade repressiva, quer também na disputa de mercado
para o seu petróleo e cumplicidades anexas. E aterramos em 2016 a ler sobre riscos
de financiamento do terrorismo com as mesmas cumplicidades e os mesmos
silêncios de 2015. Os donos do mundo Estados Unidos, com os quais a Europa dos
bancos e dos mercados anda a negociar ainda mais liberdades para esse
enriquecimento que se obtém à custa do empobrecimento dos povos e do sacrifício
da sustentabilidade ambiental do planeta - TTIC,
contornou a condenação de mais um crime sem nome cometido pelo seu aliado saudita
com as palavras ocas do costume. Os donos da Europa Alemanha, França e
Inglaterra limitaram-se a declararem-se contra a pena de morte e a tentarem
apaziguar o monstro de Teerão com lamentações da execução do clérigo chiita.
Não se ouviu uma palavra sequer que possa indiciar a mais mínima das críticas
ao reino do terror onde as mulheres são proibidas de conduzir e os detidos são
barbaramente torturados até confessarem o que lhes for exigido, que começou o
ano a somar 47 às 153 execuções à morte de 2015. Da próxima vez que se ouvir um
responsável americano ou europeu a pregar contra o estado islâmico, alguém que
lhe pergunte quantos milhões a mais seriam necessários para lhes estenderem a
cumplicidade que dispensam aos amigos que o financiam e lhe fornecem
o modelo e a inspiração.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
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1 comentário:
Da próxima vez que se ouvir um responsável americano ou europeu a pregar contra o estado islâmico, alguém que lhe pergunte quantos milhões a mais seriam necessários para lhes estenderem a cumplicidade que dispensam aos amigos que o financiam e lhe fornecem o modelo e a inspiração.
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