sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Quem paga esta tropa?


Se há tema sobre o qual se têm escrito mais mentiras do que verdades, como tal, se há tema  que torna visível com particular nitidez aquilo que hoje é a nossa imprensa, uma prostituta descarada frequentada por uma tropa de colegas do mesmo ofício ao serviço de interesses mal camuflados, em número e com uma visibilidade suficientes para abafarem qualquer esforço de reposição da verdade que vão distorcendo à vontade do dono, esse tema é a privatização da TAP. Um destes laboriosos profissionais, J. Martins Pereira Coutinho, abusou na dose. António Pedro Vasconcelos, um dos rostos do movimento cidadão que se organizou para lutar contra mais um negócio ruinoso em que todos perdemos para o bolso de um comprador privado, encarregou-se de lhe compilar e desembrulhar as mentiras. Vale a pena lê-lo na íntegra  e usar as redes sociais para lhe dar a visibilidade negada pelo jornal que o publicou. "Quem são, afinal, os coveiros da TAP?" termina assim:

«(...) No auge do seu entusiasmo pela concretização do negócio com Neeleman, Coutinho enumera depois os investimentos que o benemérito cidadão americano já teria feito na TAP, esquecendo-se que foi preciso o governo demitido ter-se responsabilizado pela dívida da nossa companhia aérea, durante 7 anos (aval sem o qual o novo dono não teria conseguido o acordo dos bancos), um negócio ilegal e, esse sim, de alto risco para os contribuintes.

Mas isso não preocupa Coutinho, como não o preocupa conhecer o que, entretanto, Neeleman anda a fazer. Já se interrogou, por exemplo, onde está a compensação que é devida à nossa companhia aérea pelo facto de a Azul se ter apropriado da posição da TAP nas encomendas dos A350, tanto mais que, em 2008, o Eng.º  Fernando Pinto assegurou que a TAP já estava a pagar esses aviões?

Já se perguntou como é possível existirem benefícios concedidos aos accionistas da Atlantic Gateway pelos accionistas da ANA, com garantias sobre o património dos terrenos e edifícios da TAP?

E será que Coutinho considera que é por “bondade” que a Azul se propõe “ceder” à TAP os Embraier que estão parados no Brasil (por não haver rotas para eles), e que são umas das causas do prejuízo de €63 milhões que o benemérito David Neeleman teve na companhia aérea brasileira?

E por que razão não se questiona sobre os termos do acordo de code-share com a Azul, em que, sendo um contrato entre partes relacionadas, o benefício é todo do accionista Neeleman?

Com tantos embustes, por parte de Neeleman, que teve sempre a conivência de Fernando Pinto e de Passos Coelho, António Costa tem todo o suporte legal para declarar nula a transferência de acções e a tomada de controlo da TAP por parte da Atlantic Gateway; e, mais do que legitimidade, tem a obrigação de recuperar, antes que seja tarde, o controlo público sobre a nossa companhia aérea.

Até porque só a declaração de nulidade tornará possível, sem encargos para o Estado, declarar nulos, por sua vez, estes e outros contratos lesivos que têm vindo a ser realizados pela nova Administração e o comportamento danoso dos intervenientes, que o assanhado Coutinho, à semelhança de muitos outros “comentadores”, tem o despudor de vir defender na praça pública e nos jornais.»

2 comentários:

fb disse...

Se há tema sobre o qual se têm escrito mais mentiras do que verdades, como tal, se há tema que torna visível com particular nitidez aquilo que hoje é a nossa imprensa, uma prostituta descarada frequentada por uma tropa de colegas do mesmo ofício ao serviço de interesses mal camuflados, em número e com uma visibilidade suficientes para abafarem qualquer esforço de reposição da verdade que vão distorcendo à vontade do dono, esse tema é a privatização da TAP. Um destes laboriosos profissionais, J. Martins Pereira Coutinho, abusou na dose. António Pedro Vasconcelos, um dos rostos do movimento cidadão que se organizou para lutar contra mais um negócio ruinoso em que todos perdemos para o bolso de um comprador privado, encarregou-se de lhe compilar e desembrulhar as mentiras. Vale a pena lê-lo na íntegra e usar as redes sociais para lhe dar a visibilidade negada pelo jornal que o publicou. "Quem são, afinal, os coveiros da TAP?" termina assim:

fernanda disse...

Só pergunto, retoricamente, claro, vemos alguém na comunicação social mainstream desembrulhar esta teia de interesses dos compradores da TAP? Não não vemos nem veremos porque a comunicação social está nas mãos dos donos disto tudo que são meia dúzia de personagens, podem mudar de rosto, para fingir que há pluralismo e diversidade, mas defendem sempre o mesmo e no essencial são os mesmos, pertencem à mesma classe.
Será que não é possível alguns outros criarem meios de comunicação (televisão) alternativos? Será assim tão difícil? Esses alguns parece que ainda não perceberam que sem se ganhar a batalha ao nível das ideias não se consegue nada. Não basta ter um governo bem intencionado; repare-se que ele já começou a ser minado a nível da comunicação e dos jornalistas que de uma maneira geral ou são burros, ou não tem preparação política e econômica ou são pura e simplesmente a voz do dono. Esta situação é tão visível que só não percebo porque é que os politicos ditos de esquerda nada fazem para a alterar.