Para citar apenas um, o livro
"Os
privilegiados", de Gustavo Sampaio, é um dos trabalhos que têm sido
publicados sobre um dos cancros da nossa democracia, o conflito de interesses
que objectivamente existe entre o exercício de funções remuneradas em empresas
privadas com negócios com o Estado por deputados que integram comissões
parlamentares que quando as fiscalizam também fiscalizam os próprios. Graças a
este importante contributo, a opinião pública ficou a saber os seus nomes, surpreendeu-se ao saber quantos
eram, e eram muitos, 117 em 230, e a que partidos pertenciam, e todos os 117
pertenciam aos três partidos que já foram Governo, PSD, PS e CDS, uma ampla
maioria contra a qual os outros dois partidos sem qualquer deputado nesses 117
magníficos nada puderam nas várias vezes
que tentaram mudar a legislação que conferia legalidade à promiscuidade que
esse arco quis que continuasse legal.
Entretanto tivemos eleições legislativas,
é impossível dizer como é que toda esta informação pesou no custo político dos
votos e dos mandatos no Parlamento que perderam, apenas podemos constatar que, embora
ainda não o suficiente para ilegalizar a legalidade que graças a eles persiste,
o arco que a suporta encolheu. E agora teremos presidenciais e, porque uma dessas deputadas que numa parte do dia trabalhava
para a BES Saúde e na outra presidia à Comissão Parlamentar – exactamente – de Saúde
quer ser Presidente da República, a questão regressa em força concentrada numa só
candidatura. Apesar de ninguém lho apontar, a senhora diz-nos que não fez nada de ilegal. É óbvio que não fez nada
de ilegal. É uma filha da lei, as filhas da lei nunca cometem ilegalidades. É por isso que os tribunais
não perdem tempo a julgá-las. O julgamento dos filhos da lei é político e faz-se
nas urnas. O de Maria
de Belém Roseira está marcado para o próximo dia 24 de Janeiro. E foi a própria quem o marcou no dia em que decidiu apresentar-se a votos.


2 comentários:
A senhora diz-nos que não fez nada de ilegal. É óbvio que não fez nada de ilegal. É uma filha da lei, as filhas da lei nunca cometem ilegalidades. É por isso que os tribunais não perdem tempo a julgá-las. O julgamento dos filhos da lei é político e faz-se nas urnas. O de Maria de Belém Roseira está marcado para o próximo dia 24 de Janeiro.
É de facto uma sonsa sem perfil para a função presidencial.Um cavaquinho ďe saias. ...
Enviar um comentário