sábado, 9 de janeiro de 2016

Presidenciais 2016: o julgamento político de uma filha da lei


Para citar apenas um, o livro "Os privilegiados", de Gustavo Sampaio, é um dos trabalhos que têm sido publicados sobre um dos cancros da nossa democracia, o conflito de interesses que objectivamente existe entre o exercício de funções remuneradas em empresas privadas com negócios com o Estado por deputados que integram comissões parlamentares que quando as fiscalizam também fiscalizam os próprios. Graças a este importante contributo, a opinião pública ficou a saber os seus nomes, surpreendeu-se ao saber quantos eram, e eram muitos, 117 em 230, e a que partidos pertenciam, e todos os 117 pertenciam aos três partidos que já foram Governo, PSD, PS e CDS, uma ampla maioria contra a qual os outros dois partidos sem qualquer deputado nesses 117 magníficos nada puderam  nas várias vezes que tentaram mudar a legislação que conferia legalidade à promiscuidade que esse arco quis que continuasse legal.

Entretanto tivemos eleições legislativas, é impossível dizer como é que toda esta informação pesou no custo político dos votos e dos mandatos no Parlamento que perderam, apenas podemos constatar que, embora ainda não o suficiente para ilegalizar a legalidade que graças a eles persiste, o arco que a suporta encolheu. E agora teremos presidenciais e, porque  uma dessas deputadas que numa parte do dia trabalhava para a BES Saúde e na outra presidia à Comissão Parlamentar – exactamente – de Saúde quer ser Presidente da República, a questão regressa em força concentrada numa só candidatura. Apesar de ninguém lho apontar, a senhora diz-nos que não fez nada de ilegal. É óbvio que não fez nada de ilegal. É uma filha da lei, as filhas da lei nunca  cometem ilegalidades. É por isso que os tribunais não perdem tempo a julgá-las. O julgamento dos filhos da lei é político e faz-se nas urnas. O de Maria de Belém Roseira está marcado para o próximo dia 24 de Janeiro. E foi a própria quem o marcou no dia em que decidiu apresentar-se a votos.

2 comentários:

fb disse...

A senhora diz-nos que não fez nada de ilegal. É óbvio que não fez nada de ilegal. É uma filha da lei, as filhas da lei nunca cometem ilegalidades. É por isso que os tribunais não perdem tempo a julgá-las. O julgamento dos filhos da lei é político e faz-se nas urnas. O de Maria de Belém Roseira está marcado para o próximo dia 24 de Janeiro.

jorege Mendes disse...

É de facto uma sonsa sem perfil para a função presidencial.Um cavaquinho ďe saias. ...