O Governo de António Costa vai
alterar o processo de atribuição de reformas antecipadas. Por agora, pelo que já
foi tornado público, as principais alterações são duas, a possibilidade até
aqui vedada ao trabalhador de parar o processo ao saber o valor exacto do que
irá receber até ao final da vida e um desconto na penalização para
trabalhadores com carreiras contributivas mais longas do que os 40 anos
necessários para não ser penalizado. Ambas
são avanços no sentido correcto, e saudemo-las por isso, mas também avanços
muito tímidos, há que apontá-lo.
A primeira mais não é do que o
fim de uma aberração que resultou da vontade de alguém que se lembrou de pôr o
medo de não poder voltar atrás a diminuir o direito de cada um a decidir
livremente e na posse do dado mais importante
o momento em que se retira da vida activa.
A segunda aparece na vez da
completa eliminação de penalizações que não deixam de ser injustas mesmo com
desconto, quem começou a trabalhar aos 12 ou 13 anos continuará a ser
penalizado se quiser ou for obrigado a decidir pela aposentação antes dos 66
anos e dois meses que vigoram como mínimo também para si, isto é, 66-12=54,
apesar do desconto na penalização, quem começou a trabalhar aos 12 continua a ser obrigado a trabalhar 54 anos
para ter direito a uma reforma por inteiro e sem qualquer bonificação pelos 14 anos de descontos que
fez para além dos 40 anos obrigatórios para aqueles que puderam desfrutar a
juventude e começaram a trabalhar muito mais tarde, já para não referir os 12 anos
que dão direito à subvenção vitalícia àqueles cuja falta de escrúpulos lhes
chega e lhes sobra para reclamá-la.
E termino este com duas breves
referências a mais duas aberrações não contempladas pela timidez destas
alterações.
A primeira, o poder político
continua insensível à dificuldade de tantos portugueses que se vêem numa
situação de desemprego prolongado no final da sua vida activa. Continuaremos a
ter desempregados aos 58, aos 62 e aos 65 anos por não haver nenhum mecanismo
em sede de aposentação capaz de responder politicamente à improbabilidade de
conseguir trabalho com esta idade.
A segunda, pelo visto também
ainda não será desta que aqueles portugueses aos quais as seguradoras fazem
repercutir no valor do prémio a pagar a menor esperança de vida que têm verão
este último dado reconhecido pelo Estado numa redução da idade para se reformarem
sem penalizações, à semelhança do que acontece em países tão diferentes como a Holanda
ou o Brasil, onde se diferencia o que é diferente, e muito diferente. Falo-vos dos
portadores de deficiências, outra vez esquecidos, desta vez pelo primeiro Governo
a incluir no seu elenco uma cidadã portadora de uma deficiência. O processo não
está fechado, com toda a certeza que ainda vai muito a tempo para se fazer ouvir.
O Parlamento tem um deputado que também é portador de uma deficiência, estou certo
que irá ajudá-la a não se esquecer de o fazer.


1 comentário:
O Governo de António Costa vai alterar o processo de atribuição de reformas antecipadas. Por agora, pelo que já foi tornado público, as principais alterações são duas, a possibilidade até agora vedada ao trabalhador de parar o processo ao saber o valor exacto do que irá receber até ao final da vida e um desconto na penalização para trabalhadores com carreiras contributivas mais longas do que os 40 anos necessários para não ser penalizado. Ambas são avanços no sentido correcto, e saudemo-las por isso, mas também avanços muito tímidos, há que apontá-lo.
Enviar um comentário