sábado, 16 de janeiro de 2016

Entre o obedecer e pagar e o pagar por obedecer


Foi hoje posto a circular um boato sobre a preferência de alguns círculos da capital do império por uma solução para o BANIF que pusesse os grandes aforradores a pagar a factura que, consumada a decisão, caberá aos contribuintes pagar na sua vez. Por outras palavras, alguém que não dá a cara usa a ideia simpática de pôr quem devia pagar a falência de mais um banco, que todos lamentamos sermos nós a pagar outra vez, para nos convidar a alimentarmos o reconhecimento e a simpatia por um poder que em Bruxelas decide os nossos destinos.

Foi sobre esse poder que nos falou Mário Centeno nos dias a seguir ao dos anúncios, primeiro, da injecção de mais de dois mil milhões no BANIF magrinho, e, segundo, da oferta do BANIF assim tornado gordinho ao Santander por menos de um décimo do valor da injecção, 150 milhões de euros, uma solução alegadamente imposta pelos círculos mais antipáticos de Bruxelas,: a injecção contaria para o défice mas não para o "procedimento por défices excessivos". E foi sobre esse poder que o mesmo Mário Centeno ontem nos voltou a falar, agora diz-nos que a intervenção no BANIF coloca dificuldades na saída do País do "Procedimento por Défices Excessivos”, isto é, para além do que iremos ser obrigados a pagar pelo BANIF, ordens dos autores do boato mais simpático do dia,  ainda nos arriscamos a pagar um adicional em austeridade por nos termos deixado convencer a pagar os cambalachos do Banco que na Madeira financiava as falcatruas do PSD e nos Açores financiava as trapaças do PS.

A situação de pagar bancos que o país atravessa, os aumentos de impostos, o desmantelamento de serviços públicos e os cortes nos direitos sociais e laborais a que alegadamente somos obrigados devido à situação que o país atravessa, a obediência a Bruxelas vai dando para tudo. Vamos obedecendo, vamos pagando. E ai daquele que se atreva a passar férias de luxo numa mansão – quem será que a pagou? – do banqueiro rei dos vigaristas. Arrisca-se a ser eleito Presidente da República. Vamos agradecendo, também.

1 comentário:

fb disse...

Foi hoje posto a circular um boato sobre a preferência de alguns círculos da capital do império por uma solução para o BANIF que pusesse os grandes aforradores a pagar a factura que, consumada a decisão, caberá aos contribuintes pagar na sua vez. Por outras palavras, alguém que não dá a cara usa a ideia simpática de pôr quem devia pagar a falência de mais um banco, que todos lamentamos sermos nós a pagar outra vez, para nos convidar a alimentarmos o reconhecimento e a simpatia por um poder que em Bruxelas decide os nossos destinos.