Os títulos da imprensa do dia obrigam-me
a voltar ao tema BANIF, aqui
tratado ontem. É que hoje lê-se em toda a parte “BCE
recusou oferta para o Banif que poupava 1,7 mil milhões ao Estado”, quando o
que deveria ler-se seria “Governo aceitou que o BCE recusasse oferta para o
Banif que pouparia 1,7 mil milhões aos contribuintes”. É um bocadinho diferente.
Um bocadinho tão grande como a que existe entre “"Portugal é uma República
soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e
empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária", o primeiro
artigo da nossa Lei
Fundamental, que continua em vigor não apenas para enfeitar discursos bonitos, e “"Portugal é uma colónia que deve
obediência ao BCE, baseada na indignidade da delinquência banqueira e na
vontade da grande finança e empenhada na destruição de uma sociedade cada vez menos
livre, justa e solidária", o país que nos é sugerido pela omissão de “Governo
aceitou”. E o Governo de uma República soberana não podia ter aceitado oferecer
1,7 mil milhões que pertenciam a todos os portugueses a um banco espanhol.
Vagamente relacionado: A idade legal para a aposentação
com uma pensão de reforma por inteiro ontem aumentou
novamente. O Governo também aceitou financiar a subsidiação da exploração do
trabalho compensando os patrões que pagam os salários mais miseráveis pela actualização
dos mesmos com um desconto de 0,75% na TSU, o nome da sua contribuição para aquela
mesma Segurança Social para a qual temos que trabalhar cada vez mais anos por alegada
quebra de receitas, aquela que é também a explicação oficial para os 3 em cada 5
portugueses que actualmente, porque não têm direito a qualquer protecção no desemprego,
não auferem qualquer rendimento e igualmente a razão apontada para a impossibilidade de actualizar as pensões mais baixas em mais do que uns miseráveis 2,5 euros.

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