quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Normalidade uma ova


Vamos sabendo como foi com o BANIF. Três dias foi tudo quanto demorou a Bruxelas impor ao Governo português uma injecção de quase 2 mil milhões em mais um banco falido para, imediatamente a seguir, quando ainda decorriam negociações com outros interessados, o BANIF ser oferecido ao Santander por 150 milhões, potenciando-se um prejuízo para os contribuintes de 3,2 mil milhões de euros. Agora que Marcelo já foi eleito, tão bom que foi ter evitado a chatice de ter que debater política, vamos sabendo como vai ser com o Orçamento de 2016. Em tom de ameaça, Bruxelas escreveu um ultimato ao Governo a pedir explicações em três dias sobre a razão do "ajustamento" planeado  estar 700 milhões abaixo do "acordado". António Costa afiança que é uma carta "absolutamente normal". É impossível negá-lo. E o problema está precisamente aí, em ser tão anormalmente "normal" a obediência com que se aceitam ordens de Bruxelas, em ser tão normal ser generoso quando o destino dado aos milhões é a delinquência banqueira e em ser tão normal ser sovina quando o destino a dar-lhes é uma ínfima – e reforço o ínfima, a austeridade continua a matar – reposição da normalidade nas vidas das vítimas de tanta normalidade. Quer no primeiro, quer no segundo ultimato, seria nem mais nem menos do que isto que se exigiria ouvir a um Primeiro-ministro de um país soberano que desse a cara pelos seus e se recusasse a colaborar com o esbulho e a humilhação do seu povo. Normalidade uma ova. Os países são espaços geográficos onde vive gente, não mercados onde os bancos têm sobrevivência garantida. E Portugal tem demasiada gente a viver muito mal e bancos e banqueiros a sobreviver demasiadamente bem.

1 comentário:

fb disse...

António Costa afiança que é uma carta "absolutamente normal". É impossível negá-lo. E o problema está precisamente aí, em ser tão anormalmente "normal" a obediência com que se aceitam ordens de Bruxelas, em ser tão normal ser generoso quando o destino dado aos milhões é a delinquência banqueira e em ser tão normal ser sovina quando o destino a dar-lhes é uma ínfima – e reforço o ínfima, a austeridade continua a matar – reposição da normalidade nas vidas das vítimas de tanta normalidade. Quer no primeiro, quer no segundo ultimato, seria nem mais nem menos do que isto que se exigiria ouvir a um Primeiro-ministro de um país soberano. Normalidade uma ova.