Alguns de nós escolhem o projecto
político que apoiam de acordo com o que for defendendo o partido ou o líder
político da sua devoção. Outros escolhem o partido e o líder político que apoiam segundo o critério da proximidade
e da interpretação da defesa do projecto
político que defendem previamente. Isto parece um mero jogo de palavras mas
está muito longe de o ser.
É muito diferente aquele que
consegue defender um Orçamento que não reverte o desinvestimento na Saúde que
vamos rapidamente deixando de ter apenas por ser um Orçamento PS e aquele que
repara que sem o investimento necessário para repor os equipamentos do SNS que
se avariaram e não foram nem reparados nem substituídos durante a década negra da austeridade um dia destes
acabará obrigado a ajudar a enriquecer uma seguradora privada se quiser
assegurar minimamente o seu, e apenas o seu, direito à Saúde.
E são em tudo iguais a forma de
pensar daquele que aceita como mudança significativa uma ligeira recomposição
da carga fiscal que continua a abusar dos rendimentos do trabalho por não haver
vontade política de pôr a pagar quem nunca contribuiu e a forma de pensar daquele
que critica a "irresponsabilidade" de arrecadar na bomba de gasolina e na subida dos preços de todos os bens que
repercutem o aumento do imposto sobre combustíveis os milhões para pagar juros
que antes eram arrecadados através de uma sobretaxa e de cortes salariais
inconstitucionais que se mantêm, que agora podiam sê-lo englobando a
distribuição de lucros e proveitos financeiros nos rendimentos tributados em
sede de IRS.
Fui-me lembrando disto à medida
que ia ouvindo a animada discussão que acontecia na mesa de café mesmo ao lado
da minha em torno da notícia
do DN de hoje sobre a chegada limpa da equipa da troika que veio a Lisboa
exigir cortes nas nossas vidas de valor equivalente ao da injecção de vida que
foi dada ao BANIF no final de Dezembro para capitalizar o Santander que o
comprou ao preço da uva mijona.
Um dos amigos defendia o Governo
que permitiu deixar crescer o monstro. O outro defendia o Governo que cometeu a
monstruosidade de engordá-lo ainda mais. Discutiam apesar de, e sobre isso não me ficou nenhuma dúvida, estarem
de acordo sobre a obediência que devemos a uma Europa que, numa semana, ordena que
se descubram 2 mil milhões de dinheiro que alegadamente não há para serem oferecidos
a quem sempre tem que ganhar e, apenas um par de semanas depois, ordena que esse
valor seja extorquido a quem sempre tem que perder. O motivo da discussão era tão-somente
o do nome do capataz preferido para espremer cada um destes dois amigos dos amigos
do alheio.
A seguir o tema da conversa mudou
para o futebol. O meu Benfica é melhor do que o teu Sporting, o meu Sporting é melhor
do que o teu Benfica. Os argumentos não mudaram nadinha. Convenceram-me. O Bayern Munich ganhou-lhes também a segunda discussão. É a vida.


1 comentário:
Alguns de nós escolhem o projecto político que apoiam de acordo com o que for defendendo o partido ou o líder político da sua devoção. Outros escolhem o partido e o líder político que apoiam segundo o critério da proximidade e da interpretação da defesa do projecto político que defendem previamente. Isto parece um mero jogo de palavras mas está muito longe de o ser.
Enviar um comentário