segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Viva a democracia


Começo este como terminei o de ontem, dizendo que o fim de tudo o que não presta não se lamenta e acrescentando que o problema de pôr um ponto final  ao que não serve muitas vezes está no que a seguir ocupa o seu lugar. A primeira parte da formulação aplica-se inteiramente à derrota histórica de ontem do partido de Nicolas Maduro. Os venezuelanos começaram a dizer adeus a um projecto político que começou bonito, a devolver a Venezuela ao seu povo, mas terminará exactamente como terminou o regime que substituiu, com a corrupção a invadir tudo, com a inflação a comer tudo  e com as prateleiras dos supermercados com falta de tudo. E, porque para já a segunda parte fica em aberto, quer porque Maduro continuará a governar – na Venezuela governa o Presidente,  quer porque a coligação que ontem obteve uma maioria qualificada no Parlamento é composta por muitas e diferentes forças partidárias, do centro-esquerda à direita mais conservadora, para além do fim anunciado de um regime apodrecido, podemos comemorar também a vitalidade de uma democracia à qual os cães de fila – os caniches também – das multinacionais que antes de Chavez mandavam como queriam na Venezuela  passaram os últimos 16 anos a chamar de ditadura. Se os virem por aí a comemorar, não se esqueçam de recordá-los desse papelinho que essa rafeirada adoptou como seu cartão de apresentação. Viva a democracia que tais cromos (ainda?) não sabem o que é.

1 comentário:

fb disse...

Para além do fim anunciado de um regime apodrecido, podemos comemorar também a vitalidade de uma democracia à qual os cães de fila – os caniches também – das multinacionais que antes de Chavez mandavam como queriam na Venezuela passaram os últimos 16 anos a chamar de ditadura. Se os virem por aí a comemorar, não se esqueçam de recordá-los desse papelinho que essa rafeirada adoptou como seu cartão de apresentação. Viva a democracia que tais cromos (ainda?) não sabem o que é.