quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Série "no país do faz de conta"



Uma sondagem, três perguntas e uma comunicação social que não tem pejo algum em não esconder que tem a sua agenda política. Comecemos pela sondagem do dia e pelas três principais perguntas, cujas respostas revelam que a maioria que suporta o Governo seria ainda maior se as eleições fossem hoje, que 49% dos inquiridos responderam que o Presidente da República fez bem em indigitar António Costa para Primeiro-ministro e que mais 3% do que estes 49%, 52%, são da opinião que Pedro Passos Coelho deveria ter sido o Primeiro-ministro a sair das últimas eleições. Margem de erro da sondagem: 2,9%. Título da notícia: “Portugueses preferiam Passos para Primeiro-ministro”. Título deste post: “No país do faz-de-conta”. Faz de conta que em Portugal elegemos Primeiros-ministros e não uma Assembleia da República composta por 230 deputados com o poder de suportar ou destituir o Governo. A comunicação social continua a vender este país ficcionado das eleições que não existem. As empresas de sondagens ajudam fazendo perguntas sobre o mundo imaginário que essa comunicação social vai impingindo aos consumidores das suas “verdades”. E a regulação continua a fingir que regula. Quais seriam as nossas escolhas colectivas se tivéssemos uma comunicação social isenta e plural? Podemos tê-la, ainda temos um serviço de rádio e de televisão público. Falta-lhe uma limpeza que lhe garanta a isenção e a pluralidade que pagamos com os nossos impostos e lhe devolva o interesse público do país real que todos queremos melhor.

1 comentário:

fb disse...

A comunicação social continua a vender este país ficcionado das eleições que não existem. As empresas de sondagens ajudam fazendo perguntas sobre o mundo imaginário que essa comunicação social vai impingindo aos consumidores das suas “verdades”. E a regulação continua a fingir que regula. Quais seriam as nossas escolhas colectivas se tivéssemos uma comunicação social isenta e plural? Podemos tê-la, ainda temos um serviço de rádio e de televisão público. Falta-lhe uma limpeza que lhe garanta a isenção e a pluralidade que pagamos com os nossos impostos e lhe devolva o interesse público do país real que todos queremos melhor.