O caso Sócrates é assunto
estafado. Estafado pela lentidão da Justiça, e a Justiça, por passar por ela a
vida de todos e de cada um de nós, em
caso algum poderá ser assunto estafado. Justifica-se, como tal, esta breve
referência à entrevista
que deu à TVI na noite passada. Dou-lhe toda a razão, é um excesso
inaceitável ter alguém em prisão preventiva durante tanto tempo para, passado
mais de um ano, ainda não haver nem provas nem acusação. Sou sensível à
sensação de impotência para cobrar em sede própria a prepotência e o abuso
reiterado de que se queixa. Também eu, cidadão anónimo e sem mediatismo para
dar entrevistas de um minuto sequer, já a senti por mais de uma vez. Faço
notar, porém, que quer a ineficiência da Justiça, quer o anacronismo medieval
da inimputabilidade de agentes judiciários que não respondem por nada nem
perante ninguém , ambos são também uma herança sua, o ex-governante que deles
se queixa ao mesmo tempo que se vangloria da sua incapacidade para o pôr a
responder à pergunta que qualquer cidadão gostaria de ver respondida no único local
onde a resposta valerá alguma coisa, que definitivamente não é um canal de televisão:
onde é que se arranjam amigos como aquele que nós sabemos? E ser inocente é uma
coisa, outra bem distinta é ser inocente porque todos o somos até prova em contrário
e porque essa prova em contrário não apareceu, da mesma forma que uma coisa é essa
prova não aparecer e ser instaurado um processo para averiguar o porquê de não ter
aparecido e outra bem distinta é a prova não aparecer e continuar a presumir-se
que quem conduziu o processo continua a ser digno do poder de julgar que a sociedade
lhe confiou. E presumivelmente continua, para garantia de felicidade e para objecto
de queixa dos presumíveis
criminosos. O melhor de dois mundos.
ANÁLISE DAS CONTAS DO 3º TRIMESTRE DE 2018 DA CGD: Como foram obtidos os resultados positivos de 369 milhões €? Diminuição de trabalhadores e fecho de agências – por EUGÉNIO ROSA
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A QUEBRA CONTINUADA NO CRÉDITO CONCEDIDO ÀS EMPRESAS E ÀS FAMÍLIAS PELA
CGD E DOS DEPÓSITOS DURANTE A ADMINISTRAÇÃO DE PAULO MACEDO Quadro 1- A
queda...
Há 1 hora


1 comentário:
Quer a ineficiência da Justiça, quer o anacronismo medieval da inimputabilidade de agentes judiciários que não respondem por nada nem perante ninguém , ambos são também uma herança sua, o ex-governante que deles se queixa ao mesmo tempo que se vangloria da sua incapacidade para o pôr a responder à pergunta que qualquer cidadão gostaria de ver respondida no único local onde a resposta valerá alguma coisa, que definitivamente não é um canal de televisão: onde é que se arranjam amigos como aquele que nós sabemos? E ser inocente é uma coisa, outra bem distinta é ser inocente porque todos o somos até prova em contrário e porque essa prova em contrário não apareceu, da mesma forma que uma coisa é essa prova não aparecer e ser instaurado um processo para averiguar o porquê de não ter aparecido e outra bem distinta é a prova não aparecer e continuar a presumir-se que quem conduziu o processo continua a ser digno do poder de julgar que a sociedade lhe confiou. E presumivelmente continua, para garantia de felicidade e para objecto de queixa dos presumíveis criminosos. O melhor de dois mundos.
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