Voltamos a confirmá-lo ainda mais
uma vez. Não há dinheiro para baixar impostos, não há dinheiro para repor
salários e pensões, não há dinheiro para prestações sociais que garantam
dignidade à vida de todos e não há dinheiro para serviços públicos universais
de qualidade mas para – ou será porque? – pagar a delinquência banqueira há
sempre, muito e do dia para a noite. Já pagámos bancos suficientes para cimentar
a certeza de que o problema do sector financeiro não se resolve nem
injectando-lhe os milhões que socializam as suas perdas nem com uma regulação
que comprovadamente não regula porcaria nenhuma. A nacionalização da banca, que
apenas existe na parte relativa aos prejuízos, tem que ser rapidamente alargada
também à parte relativa aos lucros e à sua gestão e as actividades
especulativas têm que ser proibidas de uma vez por todas. Porém, a opção foi
novamente outra. Hoje foi oficializada mais uma nacionalização de lixo
financeiro acompanhada da venda de mais
um banco limpinho de qualquer incobrável pelo valor simbólico de 150
milhões. Em vez de prescindir desse encaixe e ordenar o encerramento do BANIF, o
Governo decidiu convocar os portugueses para pagarem o equivalente a vários anos de cortes salariais ou de sobretaxas pela sobrevivência de um
banco que, com o dinheiro de todos, continuará a desenvolver a sua actividade
no âmbito das mesmíssimas regras que permitiram que falisse. O poder político - herança de Passos mas decisão de Costa - voltou
a não querer arriscar um encerramento do qual resultaria a percepção generalizada
do quase nada que aconteceria a seguir ao desaparecimento de um banco mini. Os portugueses não arriscam organizar-se
para pôr um fim a este regabofe. É Natal, uma época do ano tradicionalmente vocacionada
para olhar para os que mais precisam. Os bancos, pois claro.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
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1 comentário:
Em vez de prescindir de 150 milhões e ordenar o encerramento do BANIF, o Governo decidiu convocar os portugueses para pagarem o equivalente a vários anos de cortes salariais pela sobrevivência de um banco que, com o dinheiro de todos, continuará a desenvolver a sua actividade no âmbito das mesmíssimas regras que permitiram que falisse. O poder político voltou a não querer arriscar um encerramento do qual resultaria a percepção generalizada do quase nada que aconteceria a seguir. Os portugueses não arriscam organizar-se para pôr um fim a este regabofe. É Natal, uma época do ano tradicionalmente vocacionada para olhar para os que mais precisam. Os bancos, pois claro.
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