O Governo decidiu que a chamada
"factura da sorte" passe a atribuir como prémio certificados de
aforro em vez de carros topo de gama. Não é que um grão de areia faça diferença
num imenso areal, de facto a meia dúzia de milhões de euros destes prémios nem
aquecem nem arrefecem no balanço final das contas públicas e das contas
externas, para além de que se o Governo apostasse realmente no combate à fraude
e à evasão fiscal tornaria o NIF elemento obrigatório na emissão de todas as
facturas, há países que o fazem, e controlaria e tributaria todos os fluxos
financeiros com paraísos fiscais. É, pois, importante perceber que o anúncio
coloca-nos perante o simbolismo de uma medida e não diante da ambição que ela
objectivamente não tem. É este simbolismo que dá uma valente bofetada de luva
branca àqueles a quem, entre outras pérolas, ouvimos referirem-se à recuperação
do poder de compra dos salários como um disparate que apenas faz crescer as
economias que exportam para Portugal juntamente com baboseiras moralistas sobre
o pecado do consumo e a virtude da poupança gerada por salários que suas
excelências se encarregaram de encolher como não havia memória ao ponto de, em
tantos e cada vez mais casos, não assegurarem sequer o mínimo mais mínimo de
dignidade a quem os aufere, quanto mais chegarem para gerar poupanças. Foram estes moralistas,
que combatiam as importações mas importavam Audis, que se lembraram de
alimentar o sonho consumista pequeno-burguês de ter um carro topo de gama, que a maioria
que os ganhava era obrigada a vender de imediato com a desvalorização
respectiva, para catequizar para a poupança e para o dever que é de todos de
combater a fraude e a evasão fiscal. E quem acabou com os Audis e com as
parolices que neles viajavam foi o Governo que – veremos até quando e até quanto
–percebeu que devolver o poder de compra aos salários é, não apenas a política
socialmente mais justa, como também aquela que economicamente é a mais
racional. Os primeiros tudo fizeram para que ter um Audi se transformasse num
sonho apenas realizável através de um acaso da sorte. Os segundos prometem tudo
fazer para que o sonho de ter um Audi volte a ser realizável trabalhando para o
construir. O Audi da sorte e o Audi do trabalho. Faz toda a diferença.
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Há 1 hora


1 comentário:
Os primeiros tudo fizeram para que ter um Audi se transformasse num sonho apenas realizável através de um acaso da sorte. Os segundos prometem tudo fazer para que o sonho de ter um Audi volte a ser realizável trabalhando para o construir. O Audi da sorte e o Audi do trabalho. Faz toda a diferença.
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