As confederações patronais,
escusado será dizê-lo, prontamente secundadas pela UGT, queriam que aquele
dinheiro que é nosso e escasseia para travar o progressivo aumento da idade
mínima para nos aposentarmos sem penalizações servisse para compensá-los pelo
aumento do salário mínimo. A CGTP opôs-se, era o que faltava que esse dinheiro
servisse para subsidiar a exploração de quem trabalha, o salário mínimo será
actualizado e os patrões pagá-lo-ão sem mas nem meios mas. Não houve consenso e
todos saímos a ganhar.
A União Europeia, escusado será
dizê-lo, prontamente obedecida pelo Governo português, opôs-se a que os activos
não tóxicos do BANIF – depósitos e trabalhadores – fossem absorvidos pela CGD,
encerrando-se o banco e ficando o restante ao encargo de quem o faliu. Houve
consenso e sairemos todos a perder quase
4 mil milhões de euros para que o Santander faça o excelente negócio que a
União Europeia proibiu à CGD.
Escolhi os dois exemplos acima
para ilustrar duas coisas. A primeira, que os consensos só por si não são
garantia de nada. A segunda, as mudanças que, para o bem e para o mal, se notam
– ou não – no processo de decisão política que resultam do compromisso que
envolve Bloco e PCP na maioria parlamentar que suporta o Governo.
Para o bem, conseguiram obrigar o
PS a guardar na gaveta das medidas que aguardam por maioria absoluta para serem
implementadas a redução da TSU que cabe às entidades patronais, e devemos
congratular-nos, agradecer até, terem conseguido que essa borla não se tenha
verificado nem sequer a título de compensação pela actualização do salário
mínimo.
Para o mal, porém, e tenho imensa
pena mas ainda não é proibido apontá-lo, não foram ouvidos e nada puderam fazer
para obrigar o Governo a dizer a Bruxelas que o interesse nacional não passa
por financiar o excelente negócio de um banco privado por haver soluções menos
onerosas para os contribuintes, nomeadamente dizer-lhes que o que é permitido
ao Santander não pode ser proibido à Caixa Geral de Depósitos.
Posto isto, e porque seguramente
será mais importante para o Governo evitar levar com a porta na cara em
Bruxelas do que evitar levar com ela na AR, perante uma decisão oficializada e
definitiva, não restou outra alternativa a Bloco e PCP que não a de defender o
interesse nacional tentando minimizar as perdas para os contribuintes.
Para o bem, o Bloco impõe como
condição para votar a favor do suporte orçamental da decisão do Governo de
enterrar mais vários anos de sobretaxas e outros confiscos em mais um banco
falido a aprovação demedidas que façam desta a última vez que sustentamos a delinquência banqueira.
No mesmo sentido, o PCP, que também não está de acordo com a decisão do Governo
– e não é obrigado a estar, anunciou que votará
contra o Orçamento rectificativo. Para o mal, o Governo tem o PSD e o CDS,
eles que o aprovem. Pedro Passos Coelho desfez-se
em elogios à solução avançada pelo Governo. Os consensos são sempre bonitos,
sobretudo quando toca a bancos e a obedecer à Europa. Ainda bem que temos uma esquerda de palavra para lhes fazer frente e para mostrar aos portugueses que
outro caminho é possível. Haja votos. Úteis.


1 comentário:
Para o mal, o Governo tem o PSD e o CDS, eles que o aprovem. Pedro Passos Coelho desfez-se em elogios à solução avançada pelo Governo. Os consensos são sempre bonitos, sobretudo quando toca a bancos e a obedecer à Europa. Ainda bem que temos uma esquerda de palavra para lhes fazer frente e para mostrar aos portugueses que outro caminho é possível. Haja votos. úteis.
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