segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Série "como não deve ser um Presidente da República": "papá dá licença?"


Garantias de aprovação de Orçamentos que ainda nem sequer existem, cumprimento de regras de organizações que não lhe competem fiscalizar e representar, respeito por uma concertação social que sempre desprezou quando era Primeiro-ministro, assegurar a estabilidade do sistema financeiro que ajudou a enterrar ao participar no banquete BPN e ao garantir publicamente a saúde financeira de um banco que faliu dias depois, eis algumas das condições exigidas para indigitar o novo Primeiro-ministro hoje tornadas públicas por um tal Aníbal que por estes dias anda entretido a brincar ao “papá dá licença”. E note-se como só pode estar a brincar. Caso António Costa lhe satisfaça o capricho agora, Cavaco está de pés e mãos atadas para fazer o que quer que seja na eventualidade académica de uma qualquer das suas seis exigências vir a não ser satisfeita nos dois meses que lhe restam de desparataria presidencial: não pode dissolver a Assembleia da República e desde 1982 que o Primeiro-ministro apenas responde perante o Parlamento, não perante o Presidente da República. E o país fica sem Governo caso António Costa lhe diga que esta exigência é um abuso inaceitável à luz de uma CRP que, por mais que esperneie o louco furioso que ocupe o cargo, não confere tais poderes ao Presidente da República. Obviamente que não será esta a resposta de Costa à forma que Cavaco engendrou para descalçar a botifarra em que se meteu. Toda a gente sabe que contrariar malucos não é nada boa ideia. Mas que Cavaco o coloca numa posição difícil, coloca, e que a função do Presidente da República é precisamente o oposto do que hoje pudemos testemunhar ainda mais uma vez, sem dúvida. Arre que nunca mais é Janeiro.

1 comentário:

fb disse...

Note-se como Cavaco só pode estar a brincar. Caso António Costa lhe satisfaça o capricho agora, Cavaco está de pés e mãos atadas para fazer o que quer que seja na eventualidade académica de uma qualquer das suas seis exigências vir a não ser satisfeita nos dois meses que lhe restam de desparataria presidencial: não pode dissolver a Assembleia da República e desde 1982 o Primeiro-ministro apenas responde perante o Parlamento, não perante o Presidente da República. E o país fica sem Governo caso António Costa lhe diga que esta exigência é um abuso inaceitável à luz de uma CRP que, por mais que esperneie o louco furioso que ocupe o cargo, não confere tais poderes ao Presidente da República. Obviamente que não será esta a resposta de Costa à forma que Cavaco engendrou para descalçar a botifarra em que se meteu. Toda a gente sabe que contrariar malucos não é nada boa ideia. Mas que Cavaco o coloca numa posição difícil, coloca, e que a função do Presidente da República é precisamente o oposto do que hoje pudemos testemunhar ainda mais uma vez, sem dúvida. Arre que nunca mais é Janeiro.