Depois de, em final de mandato,
alterar à
última da hora e à pressa os termos da venda a um grupo que objectivamente não
tem dinheiro nem para assegurar a sustentabilidade financeira dos seus próprios negócios
daquela que é, nem mais, nem menos, do que a empresa que tem uma importância
estratégica capaz de viabilizar ou de inviabilizar todo o nosso sector turístico,
eis que, depois de cair no Parlamento e se ver reduzido a um Governo de gestão
até que Cavaco Silva se digne a tomar uma decisão, o novo Governo de Passos
Coelho torna
público o seu atrevimento de alterar novamente os termos do malfadado negócio
da venda da TAP como se fosse um acto de mera gestão que não é. Cá está ela
novamente, a tradição. A da venda ao desbarato de um património construído ao longo
de várias gerações por todos nós, a do reverso dos negócios tão proveitosos
para a máfia que gravita em torno do poder como danosa do interesse público, sobretudo
a tradição da insistência em fazer de conta que a Constituição da República que
lhes delimita os poderes não existe. E não quero acreditar que, como se comenta
por aí à
boca pequena, o PS desista assim à
primeira de inviabilizar mais uma negociata escandalosa conduzida do lado de
fora da legalidade, por esse motivo tão fácil de anular. Seria tradição a mais
e já tivemos a nossa dose. Foi para romper com ela que a esquerda se uniu para
correr com a camarilha que passou cada dia dos últimos quatro anos e meio a
fazer fortunas a desfazer-se do país que nunca compraremos pelo preço a que foi
vendido.
Actualização: Após
a aprovação em Conselho de Ministros da minuta final do acordo da venda da TAP,
o contrato da privatização de 61 por cento da empresa foi assinado em segredo numa
cerimónia
à porta fechada que começou por volta das 19.30 nas instalações da
Parpública na presença da secretária de Estado Isabel Castelo Branco e do
Presidente da TAP Fernando Pinto.. O anúncio da venda foi feito por comunicado
desta entidade cerca das 23.30, já depois deste post ter sido escrito.


2 comentários:
Cá está ela novamente, a tradição. A da venda ao desbarato de um património construído ao longo de várias gerações por todos nós, a do reverso dos negócios tão proveitosos para a máfia que gravita em torno do poder como danosa do interesse público, sobretudo a tradição da insistência em fazer de conta que a Constituição da República que lhes delimita os poderes não existe.
Vai-se percebendo o motivo do aparente "impasse" político do Venerando Chefe de Estado e a razão porque mantém a apadrinha um Governo de gestão com plenos poderes, para dar seguimento às negociatas e para esconder as manipulações orçamentais. Houvesse condições (haverá?) e teríamos na forja uma "quartelada" como a de 1926. Revisão Constitucional já eles reclamam, tendo talvez como modelo a sufragada em 1933.
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