sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Gostei de ler: "O primeiro dia é feliz, mas as dificuldades chegam depois"


«() Enquanto se especula sobre poderes presidenciais ou amarguras partidárias, nos últimos meses o desemprego voltou a subir, a confiança económica regrediu, o investimento mantém-se na mediocridade, a emigração não para, a economia europeia dá sinais preocupantes. Por isso, depois do primeiro dia feliz, para o novo governo chegam os problemas.
O Orçamento de 2016, que vai ser trabalhoso de negociar na maioria parlamentar, é apesar de tudo o menor desses problemas. No próximo, com cuidado orçamental, haverá uma ligeira recuperação de pensões e salários, redução do peso do IRS considerando a sobretaxa, a reversão das concessões dos transportes públicos, o aumento do salário mínimo nacional e uma melhoria do rendimento disponível dos trabalhadores abaixo dos 600 euros. Ou seja, milhões de pessoas, que têm expectativas baixas, vão sentir que valeu a pena a mudança em que votaram.
Grande parte das regras para esse orçamento estão já discutidas e acordadas, salvo, imprevidentemente, o ritmo da restituição da sobretaxa do IRS, porque o PS insiste nos 50% e a esquerda na abolição da medida em 2016. Há no entanto novas soluções que podem ser exploradas, como a diferenciação dos impactos em nome da protecção dos mais sacrificados pela austeridade, de modo que os trabalhadores com menores salários deixem desde já de sofrer a sobretaxa e os restantes recuperem completamente no ano seguinte.
 Outros problemas imediatos são mais difíceis. A TAP e o Novo Banco são os piores buracos deixados pelo governo anterior.
A TAP foi comprada por uma empresa sem poderes legais para assinar o contrato e que agora está a vender terrenos e edifícios para assim pagar a sua conta. Paga a TAP com a própria TAP. Uma embrulhada que parece bem uma falcatrua, ficando tudo nas mãos dos bancos, que vão decidir se e quando a empresa tem que ser nacionalizada. O governo só pode por isso estudar as condições jurídicas da reversão do contrato, que é nulo.
O Novo Banco é um problema ainda pior, porque houve uma intervenção pública promovida pelo governo e pelo Banco de Portugal e ficou um buraco que ainda está por medir, além da devastação nas poupanças dos “lesados do BES”. Mas, para já, faltam 1400 milhões e, se a recapitalização não ocorrer até ao final de Dezembro, as regras europeias tornam-na ainda mais difícil. Portanto, o banco tem que ser de novo intervencionado para abater a sua dívida e para reduzir o seu balanço, restituindo os rácios prudenciais de capital. O maior problema de curto prazo para Centeno.
E, se estes são alguns dos problemas de curto prazo, depois virão os outros, os mais estruturais.» – Francisco Louçã, no TME.

1 comentário:

fb disse...

A TAP foi comprada por uma empresa sem poderes legais para assinar o contrato e que agora está a vender terrenos e edifícios para assim pagar a sua conta. Paga a TAP com a própria TAP. Uma embrulhada que parece bem uma falcatrua, ficando tudo nas mãos dos bancos, que vão decidir se e quando a empresa tem que ser nacionalizada. O governo só pode por isso estudar as condições jurídicas da reversão do contrato, que é nulo.