sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Eu cá sou pelos exames porque sou de esquerda


A direita é pelos exames por serem à antiga portuguesa. A esquerda é contra os exames por serem à antiga portuguesa. Sei que haverá quem se decepcione com o que lerá a seguir, este é dos tais temas que põem quase toda a gente a berrar de cabelos em pé, mas eu sou pelos exames porque sou de esquerda. Passo a explicar-me: sem a boa nota que pode obter no tal exame que a esquerda diaboliza, o aluno pobre fica em pé de desigualdade com o aluno rico que obtém uma nota menor. E escrevi pé de desigualdade e não pé de igualdade porque, quando ambos saem do sistema de ensino e entram no mercado de trabalho, o desempate entre este bom aluno pobre e este mau aluno rico é feito pelo papá do segundo, que em regra, usando a gíria do maravilhoso mundo da cunha, tem mais “conhecimentos”do que o do primeiro, que se relaciona maioritariamente com gente tão simples e sem poder como ele próprio, já para não mencionar todas as experiências enriquecedoras que apenas os alunos de classes mais abastadas têm a possibilidade de vivenciar e que, pelas competências que desenvolvem, também entram neste desempate.

E antes que alguém diga que os conhecimentos de um aluno não se conseguem medir cabalmente em duas horas de exame, ideia com a qual estou completamente de acordo, antecipo-me deixando algumas questões para as quais confesso não ter respostas. E então como é que se distingue o bom do mau aluno? Como é que se convence um puto que a escola não é apenas um sítio divertido para ir passar o dia se, quer trabalhem, quer não o façam, o “sucesso” é garantido à partida para todos? Como é que se diferencia o bom do mau professor e uma escola de uma vendedora de boas notas sem uma avaliação externa que sirva de termo de comparação? Já agora, o primeiro teste de conhecimentos que façam, na faculdade ou no primeiro concurso para um posto de trabalho, e serão obrigados a fazê-lo mais cedo ou mais tarde, também é “fascista”? Responda quem tiver a certeza absoluta. E sim, exames no 4º ano talvez fossem um exagero, aos 9 anos talvez seja demasiado cedo para sujeitar uma criança a tanta pressão. Mas apenas talvez. E as questões que enumerei atrás não desaparecem neste talvez.

7 comentários:

fb disse...

A direita é pelos exames por serem à antiga portuguesa. A esquerda é contra os exames por serem à antiga portuguesa. Eu sou pelos exames porque sou de esquerda.

Anónimo disse...

A avaliação é contínua.Esteja descansado que se sabe ê perfeitamente quem são os bons e os maus alunos. Não transita toda a gente como muitos querem fazer crer.
maria

Vitor Braz disse...

Meus amigos neste assunto eu sou o mais burro!!! Isto não merece qualquer comentário pois todos sabemos que existem os partidos do contra,que não produzem nada e são sempre contra tudo o que existe,etc.É o caso !!! E que é isso de direita e esquerda,esquerda e direita principalmente aplicado a este caso ?? Ainda há uns meses atrás um grande amigo meu que sempre falava ser da "esquerda"e era contra tudo,teve um chorudo prémio de quase um milhão de euros,no vosso ver este indivíduo passou a ser da dita "direita"e o filho agora nem vai á escola e passa todos os anos!.... Deixem-se disto meus amigos.Um abraço.

Filipe Tourais disse...

Os partidos do contra os nossos salários, do contra o nosso direito ao trabalho, do contra o nosso Estado social minimalista, do contra a nossa dignidade na velhice, contra o património que era nosso e eles venderam ao desbarato. Tem razão, esses só fazem asneiras.

Fenix disse...

Caro Filipe,

Na minha modesta opinião, acho que os exames no 9º e no 12º serão suficientes para o apuramento do bom e do mau aluno, perante o ministério, já que existe a avaliação contínua. Os do 4º ano faziam sentido quando poderiam ser um fim de ciclo, antigamente. Os do 6º também não entendo, pois se a avaliação contínua não é confiável, então é por aí que se deve actuar. Quanto às desigualdades sociais, penso que a boa nota do aluno pobre, nunca irá obstaculizar que a má nota do aluno rico com outros "enriquecimentos" curriculares próprios de quem "tem mundo", triunfe no mundo laboral. Salvo raríssimas excepções!

Filipe Tourais disse...

A avaliação contínua, porque depende do docente e da escola que a fazem, e como sabemos há muita pressão para o "sucesso" e há escolas privadas que vendem boas notas, necessitaria de ser monitorizada externamente para que não seja falseada. Ora essa monitorização custa muito dinheiro. Os exames serão/seriam a forma mais barata de a complementar com um tira-teimas igual para todos que exppõe problemas que de outra forma vão permanecer escondidos e, nessa medida, prescindindo dessa ferramenta é impossível actuar no sentido de corrigir eventuais deficiências em tempo útil, isto é, antes que seja tarde demais. O aluno pobre, em regra muito menos acompanhado pelos pais do que aquele que vem de meios mais favorecidos, fica muito mais exposto a esta fragilidade. Infelizmente, há muitos casos de alunos que chegam ao 10º praticamente sem saberem ler, analfabetos funcionais, e nessa idade é praticamente impossível recuperá-los.

fernanda disse...

Os exames como forma de avaliação tem apoiantes e contendores à esquerda e à direita , o que é preciso é estudar empiricamente o problema, ver em diferentes países desenvolvidos qual é a situação, quais são os ganhos e os prejuízos com essa pratica; em principio uma avaliação continua de qualidade e exigente parece-me preferível, mas também é preciso ver se a maioria dos docentes estão preparados para a fazer.
Alguns dos comentários parecem-me tão toscos como esse dos 'partidos do contra que não produzem nada' que não resisto a referir-me ao assunto. Afinal qual é a ideia de produção que o respetivo senhor defende? So produzem os partidos que são a favor? De quê? Da manutenção do status quo?!
Enfim fica o desabafo.