terça-feira, 24 de novembro de 2015

Donald Trump e a fábrica de Verdades


Uma catástrofe, o choque, o medo, o instinto à solta, a sua necessidade de encontrar culpados no seu pequeno mundo, o boato infundado que nasce, a efervescência que gera, a oportunidade de rentabilizar mediatismos, os vilões que vociferam ao desafio, os aplausos, o herói que emerge da mentira. Mais coisa, menos coisa, com a falta de escrúpulos de uma comunicação social que  vende não lhe importa o quê a fazer as vezes de caixa de ressonância, em termos genéricos a linha de montagem do ódio social é esta. Se olharmos para o passado, para a linha de montagem alimentada a mentiras sobre judeus que se instalou na Alemanha dos anos 30 do século passado, o produto final chama-se Adolph itler.
Mas se olharmos para o presente, para a linha de montagem que o clube da “festa do chá” (tea party) está a tentar instalar na América deste 2015, o produto final poderá chamar-se Donald Trump, assim consiga converter em votos em número suficiente para chegar à Casa Branca o ódio que vai capitalizando com uma série interminável de mentiras às quais está a conseguir dar voz com os dotes de artista que se lhe reconhecem. A última delas andou de boca em boca desde o atentado às torres gémeas em 2001 a semear a ideia de festejos que não aconteceram para terminar na sua, testemunha voluntária de uma mentira que o torna porta-voz do energúmeno anónimoque a considera a verdade das verdades: "Hey, eu vi o World Trade Center a desabar. E vi em Jersey City, Nova Jérsia, milhares e milhares de pessoas a festejarem à medida que aquele edifício caía. Milhares de pessoas estavam a festejar", jordanos, palestinianos, sírios e libaneses, todos árabes.
O incentivo ao ódio é crime. É sobre ele que Aquele que  neste momento é o mais bem posicionado para ser o candidato do partido republicano à presidência da maior potência militar mundial vai construindo a sua popularidade. A acusação tarda em aparecer, a fábrica de “verdades” aproveita para ir acelerando o ritmo de produção.





1 comentário:

fb disse...

Se olharmos para o passado, para a linha de montagem alimentada a mentiras sobre judeus que se instalou na Alemanha dos anos 30 do século passado, o produto final chama-se Adolph itler.