Uma catástrofe, o choque, o medo,
o instinto à solta, a sua necessidade de encontrar culpados no seu pequeno
mundo, o boato infundado que nasce, a efervescência que gera, a oportunidade de
rentabilizar mediatismos, os vilões que vociferam ao desafio, os aplausos, o
herói que emerge da mentira. Mais coisa, menos coisa, com a falta de escrúpulos
de uma comunicação social que vende não lhe
importa o quê a fazer as vezes de caixa de ressonância, em termos genéricos a
linha de montagem do ódio social é esta. Se olharmos para o passado, para a
linha de montagem alimentada a mentiras sobre judeus que se instalou na
Alemanha dos anos 30 do século passado, o produto final chama-se Adolph itler.
Mas se olharmos para o presente,
para a linha de montagem que o clube da “festa do chá” (tea party) está a
tentar instalar na América deste 2015, o produto final poderá chamar-se Donald
Trump, assim consiga converter em votos em número suficiente para chegar à Casa
Branca o ódio que vai capitalizando com uma série interminável de mentiras às
quais está a conseguir dar voz com os dotes de artista que se lhe reconhecem. A
última delas andou de boca em boca desde o atentado às torres gémeas em 2001 a semear
a ideia de festejos que não aconteceram para terminar na sua, testemunha voluntária
de uma mentira que o torna porta-voz do energúmeno anónimoque a considera a verdade
das verdades: "Hey,
eu vi o World Trade Center a desabar. E vi em Jersey City, Nova Jérsia,
milhares e milhares de pessoas a festejarem à medida que aquele edifício caía.
Milhares de pessoas estavam a festejar", jordanos, palestinianos, sírios
e libaneses, todos árabes.
O incentivo ao ódio é crime. É sobre
ele que Aquele que neste momento é o mais
bem posicionado para ser o candidato do partido republicano à presidência da maior
potência militar mundial vai construindo a sua popularidade. A acusação tarda em
aparecer, a fábrica de “verdades” aproveita para ir acelerando o ritmo de produção.


1 comentário:
Se olharmos para o passado, para a linha de montagem alimentada a mentiras sobre judeus que se instalou na Alemanha dos anos 30 do século passado, o produto final chama-se Adolph itler.
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