segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Clima: "são três desejos, não é possível"


Querer reduzir as emissões poluentes que estão a matar o planeta e, ao mesmo tempo, não querer um acordo com metas de curto prazo nem sanções comerciais para quem o viole lembra aquele anúncio de há uns anos onde alguém dizia “são três desejos, não é possível”. As duas potências mais poluidoras, China e Estados Unidos, e esta Europa dos estranhos consensos, sempre tão bem comportadinha quando se trata de proteger as empresas europeias da voracidade de multinacionais que as arruínam com uma concorrência desleal feita de produtos obtidos sem custos ambientais e, por que não dizê-lo também, com o factor trabalho remunerado à malga de arroz e sem direitos laborais de espécie nenhuma, bem podem passar a Cimeira do Clima de Paris a ensaiar discursos bonitos sobre um planeta verdejante e sustentável. Já tivemos experiências suficientes para perceber que tanta boa vontade, invariavelmente ancorada num livre comércio que eles juram será bom para todos, voltará a resultar no prolongamento da licença que continuarão a conceder àqueles que enriquecem rentabilizando a destruição de um recurso que é de todos, o nosso planeta. E se não é verdade que a Cimeira de Paris não serviu para nada devemo-lo a uma manifestação que deu exposição mundial a medidas de segurança que em vez de combaterem o terrorismo, que sem o fim dos paraísos do segredo bancário e sem beliscar os interesses dos traficantes de armas também não combatem, limitaram a liberdade de milhares de pessoas se manifestarem livremente contra o banquete dos comensais do globo terrestre, que da Cimeira receberão luz verde para continuarem a comer-nos o chão. O mundo está em muito boas mãos.

1 comentário:

fb disse...

Querer reduzir as emissões poluentes que estão a matar o planeta e, ao mesmo tempo, não querer um acordo com metas de curto prazo nem sanções comerciais para quem o viole lembra aquele anúncio de há uns anos que dizia “são três desejos, não é possível”. As duas potências mais poluidoras, China e Estados Unidos, e esta Europa dos estranhos consensos, sempre tão bem comportadinha quando se trata de proteger as empresas europeias da voracidade de multinacionais que as arruínam com uma concorrência desleal feita de produtos obtidos sem custos ambientais e, por que não dizê-lo também, com o factor trabalho remunerado à malga de arroz e sem direitos laborais de espécie nenhuma, bem podem passar a Cimeira do Clima de Paris a ensaiar discursos bonitos sobre um planeta verdejante e sustentável. Já tivemos experiências suficientes para perceber que tanta boa vontade, invariavelmente ancorada num livre comércio que eles juram será bom para todos, voltará a resultar no prolongamento da licença que continuarão a conceder àqueles que enriquecem rentabilizando a destruição de um recurso que é de todos, o nosso planeta. E se não é verdade que a Cimeira de Paris não serviu para nada devemo-lo a uma manifestação que deu exposição mundial a medidas de segurança que em vez de combaterem o terrorismo, que não combatem, limitaram a liberdade de milhares de pessoas se manifestarem livremente contra o banquete dos comensais do globo terrestre, que da Cimeira receberão luz verde para continuarem. O mundo está em muito boas mãos.