sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A hora da esquerda


Um dia cheio de boas notícias. Começou com o adeus da direita, com Passos Coelho a dissertar sobre o papel que terá na oposição, prosseguiu com anúncios de um acordo que está por pouco, terminou com António Costa a dizer o que fará no Governo, que será do PS com vigilância parlamentar da esquerda. E nota-se bem o peso que esta esquerda tem no acordo anunciado. O Governo PS não poderá consumar o regime de despedimentos conciliatórios com que se apresentou a eleições. Será obrigado a descongelar as pensões de reforma que queria congelar durante os próximos quatro anos. Não poderá usar os dinheiros da Segurança Social que pretendia para relançar o consumo, a redução da contribuição dos trabalhadores apenas abrangerá os salários mais baixos e sem penalização no cálculo das reformas futuras, o Governo PS ver-se-á obrigado a fazer com que as entidades patronais paguem um salário mínimo que crescerá anualmente os 30 euros que continuariam a não ter que pagar com eleições que tivessem dado maioria absoluta ao PS. Os funcionários públicos ver-se-ão livres dos cortes salariais apenas no final de 2016. A sobretaxa de IRS desaparecerá em dois longos anos. Cessam as privatizações. O IRS voltará a ser mais progressivo. E o que mais se verá adiante. Não são excelentes notícias, pois não, mas são boas notícias. Há muito tempo que não as tínhamos. E era isto ou nada. Quem votou à esquerda tem motivos mais do que suficientes para confirmar toda a utilidade do seu voto. Quem não votou vê a sua teoria dos políticos todos iguais cair por terra, é o voto e não a abstenção que nos traça o nosso destino colectivo. E quem votou à direita terá tempo suficiente para constatar como andámos a ser enganados. A conta há-de aparecer, mas não falemos nisso agora. Nasceu o arco da esperança. Comemoremos o regresso do direito a acreditar em dias melhores. É a hora da esquerda.

1 comentário:

fb disse...

Não são excelentes notícias, mas são boas notícias. Há muito tempo que não as tínhamos. E era isto ou nada. Quem votou à esquerda tem motivos mais do que suficientes para confirmar toda a utilidade do seu voto. Quem não votou vê a sua teoria dos políticos todos iguais cair por terra, é o voto e não a abstenção que nos traça o nosso destino colectivo. E quem votou à direita terá tempo suficiente para constatar como andámos a ser enganados. A conta há-de aparecer. Não é o momento para falar nisso. É a hora da esquerda. Nasceu o arco da esperança. Comemoremos o regresso do direito a acreditar em dias melhores.