segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Uma dose semanal de desinformação, na rádio PÚBLICA


Começou hoje “O Fio da Meada”, rubrica diária na rádio pública com, anunciaram, “crónicas matinais com pistas que alimentam uma reflexão sobre o país e o mundo”. Ouvi e fiquei a reflectir sobre Rui Ramos, o convidado que nos encomendaram para as Segundas-feiras, todas as Segundas-feiras, vai ser dose. Uma dose semanal de desinformação pela voz de um radical da direita mais desonesta e trauliteira que por aí anda, como fez questão de deixar bem claro logo na primeira aparição.

Há os que promovem uma cidadania responsável e participativa que procura conhecer as regras da democracia do seu país, Rui Ramos pertence aos que promovem uma espécie de cidadania ignorante e alérgica à democracia que, ai, aplaude os Ruis Ramos que rentabilizam a sua ignorância dizendo-lhes que, ui, podem e devem sentir-se enganados quando lêem uma notícia que os confronta com o seu direito a serem ignorantes e, aiai, a atribuírem a culpa dessa ignorância a todos menos ao jornalista cuja função não é informá-los e sim elogiar-lhes as falhas.

Uma salva de aplausos fáceis, pois, para o Rui Ramos que hoje lhes deu uma novidade velha de quase 40 anos: os partidos que consigam um resultado acima dos 50 mil votos recebem uma ajuda estatal por cada voto obtido. Uma onda de simpatia para o Rui Ramos que, a troco de umas palmas e para angariá-la, hoje lhes incendiou a sua alergia à democracia com a repetição da notícia da semana passada sobre os milhões que cada partido irá receber função da votação obtida nas eleições de Domingo passado. Ainda mais aplausos e toda a razão deste mundo e do outro para o Rui Ramos que, montado em tanto entusiasmo, usou o seu tempo de antena para propor que cada partido sobreviva apenas com os donativos dos seus militantes e simpatizantes, isto é, aplicar à nossa democracia o modelo de financiamento da publicação online que lhe paga as contas lá de casa.

Poupar com a democracia. Uma democracia de mercado (ler aqui). Que maravilha seria se um Belmiro, um Amorim, um Salgado e uma Isabel dos Santos, juntos ou separados, pudessem, agora a coberto da lei que actualmente apenas o permite pela porta do cavalo ou pela dança de ex-governantes nas administrações das suas empresas, comprar uns quantos partidos, financiar as suas campanhas com milhões e pô-los a disputar eleições com partidos financiados com os tostões do cidadão que vive do seu trabalho. Seria a forma de rentabilizar ainda melhor os investimentos na comunicação social que já detêm. Ganhar eleições seria ainda mais fácil. Controlar o poder político também.  Quem sabe, talvez se pudesse arranjar qualquer coisita para o Rui Ramos. O rapaz bem se tem esfalfado pela causa das desforras ao 25 de Abril.

1 comentário:

fb disse...

Poupar com a democracia. Uma democracia de mercado. Que maravilha seria se um Belmiro, um Amorim, um Salgado e uma Isabel dos Santos, juntos ou separados, pudessem, agora a coberto da lei que actualmente apenas o permite pela porta do cavalo ou pela dança de ex-governantes nas administrações das suas empresas, comprar uns quantos partidos, financiar as suas campanhas com milhões e pô-los a disputar eleições com partidos financiados com os tostões do cidadão que vive do seu trabalho. Seria a forma de rentabilizar ainda melhor os investimentos na comunicação social que já detêm. E, quem sabe, talvez se pudesse arranjar qualquer coisita para o Rui Ramos. O rapaz bem se tem esfalfado pela causa das desforras ao 25 de Abril.