terça-feira, 27 de outubro de 2015

Se a tradição mandasse alguma coisinha....


E cá está ela outra vez, a tradição, a tal que muitos queriam ver a subordinar a Constituição da República Portuguesa. Olho para os nomes dos escolhidos para não ministros do não governo que a não imparcialidade do nosso não presidente tentou impor-nos e dou de caras com o nome do senhor da foto, Calvão da Silva, o escolhido para a pasta da Administração Interna. Calvão da Silva foi um dos inquilinos da Praça do Parecer que aqui há uns meses atestou a idoneidade de Ricardo Salgado no caso do presente de 14 milhões que recebeu  de José Guilherme com uma prosa sobre " o "bom princípio geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade –, com espírito de entreajuda e solidariedade". Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Ricardo Salgado escolheram o mesmo mercenário. Maldita tradição – favores pagam-se com  favores – que não tem qualquer valor legal na nossa democracia. Seria bonito ver tão bons princípios a nortearem a acção das polícias que este senhor iria tutelar de forma a que, de uma vez por todas, deixassem de importunar cidadãos idóneos. Esse ilustre cidadão que dá pelo nome de Manuel Dias Loureiro acaba por ser o não escolhido para não ministro de nenhuma pasta deste não Governo: tanta solidariedade e espírito de entreajuda fazem-no estar lá sem estar, o que também é bonito. Mas mais bonito ainda, bonito mesmo, será ver tanta indigência regressar para donde quer que a tenham encomendado daqui a duas semanas. E pela porta pequena, como manda a tradição aplicável a tudo o que não presta.

Vagamente relacionado: da esquerda à direita, o Presidente da República é trucidado por boa parte da imprensa internacional. À cabeça das publicações mais críticas encontra-se o conceituado diário britânico The Telegraph. (...) "O Sr. Cavaco Silva está realmente a usar o cargo para impor uma agenda política reaccionária, no interesse dos credores e do establishment da zona euro e travestindo tudo isto com assinalável Chutzpah [nota do tradutor: descaramento] como defesa da democracia". A concluir, Evans-Pritchard nota que "os conservadores portugueses e os seus media comportam-se como se a esquerda não tivesse direito legítimo a assumir o poder, e devesse ser mantida ao largo por todos os meios. Estes reflexos são conhecidos - e arrepiantes - para qualquer pessoa familiarizada com a História ibérica do século XX, ou da América Latina". E mais adiante: "Bruxelas criou realmente um monstro". (continuar a ler)

1 comentário:

fb disse...

Calvão da Silva foi um dos inquilinos da Praça do Parecer que aqui há uns meses atestou a idoneidade de Ricardo Salgado no caso do presente de 14 milhões que recebeu de José Guilherme com uma prosa sobre " o "bom princípio geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade –, com espírito de entreajuda e solidariedade".