E cá está ela outra vez, a tradição,
a tal que muitos queriam ver a subordinar a Constituição da República
Portuguesa. Olho para os nomes dos escolhidos para não ministros do não governo
que a não imparcialidade do nosso não presidente tentou impor-nos e dou de
caras com o nome do senhor da foto, Calvão
da Silva, o escolhido para a pasta da Administração Interna. Calvão da Silva
foi um dos inquilinos da Praça do Parecer que aqui há uns meses atestou a
idoneidade de Ricardo Salgado no caso do presente de 14 milhões que
recebeu de José Guilherme com uma prosa sobre
" o "bom princípio
geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade –, com
espírito de entreajuda e solidariedade". Pedro Passos Coelho, Paulo Portas e Ricardo Salgado escolheram o mesmo mercenário. Maldita tradição – favores
pagam-se com favores – que não tem
qualquer valor legal na nossa democracia. Seria bonito ver tão bons princípios a
nortearem a acção das polícias que este senhor iria tutelar de forma a que, de
uma vez por todas, deixassem de importunar cidadãos idóneos. Esse ilustre cidadão
que dá pelo nome de Manuel Dias Loureiro acaba por ser o não escolhido para não
ministro de nenhuma pasta deste não Governo: tanta solidariedade e espírito de
entreajuda fazem-no estar lá sem estar, o que também é bonito. Mas mais bonito
ainda, bonito mesmo, será ver tanta indigência regressar para donde quer que a tenham encomendado daqui a duas
semanas. E pela porta pequena, como manda a tradição aplicável a tudo o que não presta.
Vagamente relacionado: da
esquerda à direita, o Presidente da República é trucidado por boa parte da
imprensa internacional. À cabeça das publicações mais críticas encontra-se o
conceituado diário britânico The Telegraph. (...) "O Sr. Cavaco Silva está
realmente a usar o cargo para impor uma agenda política reaccionária, no
interesse dos credores e do establishment da zona euro e travestindo tudo isto
com assinalável Chutzpah [nota do tradutor: descaramento] como defesa da
democracia". A concluir, Evans-Pritchard nota que "os conservadores
portugueses e os seus media comportam-se como se a esquerda não tivesse direito
legítimo a assumir o poder, e devesse ser mantida ao largo por todos os meios.
Estes reflexos são conhecidos - e arrepiantes - para qualquer pessoa
familiarizada com a História ibérica do século XX, ou da América Latina".
E mais adiante: "Bruxelas criou realmente um monstro". (continuar
a ler)


1 comentário:
Calvão da Silva foi um dos inquilinos da Praça do Parecer que aqui há uns meses atestou a idoneidade de Ricardo Salgado no caso do presente de 14 milhões que recebeu de José Guilherme com uma prosa sobre " o "bom princípio geral de uma sociedade que quer ser uma comunidade – comum unidade –, com espírito de entreajuda e solidariedade".
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