terça-feira, 13 de outubro de 2015

PREC: processo de recondução em Costa


Malditas eleições que obrigaram o PS a sair do muro das indefinições onde passou as últimas décadas a agitar bandeirinhas de esquerda ao seu eleitorado e a governar ou a fazer oposição à direita. Malditas eleições que deram pela primeira vez à esquerda uma expressão eleitoral que, conjugada com os resultados dos outros partidos, fazem cair por terra o mito – que tantos votos rendia – de uma alegada alergia à governação de Bloco e CDU. Para que lado cairá Costa? Empurram-no para a direita, puxam-no para a esquerda, Costa é pressionado por todos os lados menos por um, o dos votos que já lá cantam e que agora irão cantar a música que Costa quiser.

O pior Presidente da República da nossa História faz uma derradeira entrada a pés juntos sobre a Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir para fazer pressão pela formação de um Governo liderado pelo seu partido.

Uma tropa furiosa de homens e mulheres da situação, que domina a comunicação social e passou a campanha a ajudar a esquecer a Constituição, continua a fazer de conta que as eleições legislativas servem para eleger Governos e não deputados e diz a quem lhes preste atenção e os leve a sério que os deputados são eleitos para aplaudirem o Governo do líder da formação que obtenha mais votos, alinha-se com o senhor Presidente, esgrimindo argumentos que vão desde o clássico da estabilidade, e qualquer acordo será instável, até ao argumento da idade de uma senhora que sempre se disse de esquerda e agora diz estar demasiado velha para apoiar o que sempre disse apoiar.

Uma espécie de sindicalista junta-se ao coro e expressa publicamente a sua preferência por um Governo que congregue o centrão que tem retribuído os serviços prestados garantindo a sobrevivência legal e financeira do seu sindicato sem sindicalizados.

A imprensa económica dá-lhes uma ajuda e noticia uma variação de cêntimos na bolsa como um sinal dos mercados sobre o cataclismo que se abaterá sobre o país se Costa puser o seu PS a fazer o que nunca fez, a governar à esquerda, pois sim, a tradição também faz pressão. E os barões do partido também.

Pressões em sentido contrário são em muito menor número e com um peso incomparavelmente menor, resumindo-se a pouco mais do que as garantias dadas publicamente por Jerónimo de Sousa de que a CDU viabilizará um Governo PS que se abstenha de continuar a fazer o que sempre fez aos rendimentos do trabalho e aos direitos laborais e, preenchidas as mesmas condições, o mesmo apoio manifestado entre – mais pressão – despedidas a Passos Coelho por Catarina Martins e Mariana Mortágua.

Os que empurram para a direita são em muito maior número e têm um poder incomensuravelmente maior do que os que tentam puxá-lo para a esquerda. E o peso político de António Costa na manta de farrapos que é o actual PS é praticamente nulo. Gostava imenso que o futuro se encarregasse de me demonstrar que estou errado, mas não vejo nenhum Supercosta a surgir no horizonte cheio da coragem que notoriamente sempre faltou ao Costa poucochinho.

Cheira-me que daqui a uns dias iremos todos verificar que António Costa o que andou a fazer à esquerda foi um bluff descarado para valorizar a sua posição negocial junto de Passos e de Portas. Uma parte do eleitorado socialista irá cobrar a traição, o início da PASOKização do PS poderá ter início  no preciso dia em que a recondução de Passos e de Portas seja anunciada, Costa sabe, mas também sabe que a sua liderança excede o prazo de validade desde o passado dia 4 de Outubro. O senhor que se siga que se encarregue da missão impossível de convencer os portugueses que votar numa cópia mal amanhada é preferível a votar no original que essa cópia pôs a governar.

1 comentário:

fb disse...

Daqui a uns dias iremos todos verificar que António Costa o que andou a fazer à esquerda foi um bluff descarado para valorizar a sua posição negocial junto de Passos e de Portas. Uma parte do eleitorado socialista irá cobrar a traição, o início da PASOKização do PS poderá ter início no preciso dia em que a recondução de Passos e de Portas seja anunciada, Costa sabe, mas também sabe que a sua liderança excede o prazo de validade desde o passado dia 4 de Outubro. O senhor que se siga que se encarregue da missão impossível de convencer os portugueses que votar numa cópia mal amanhada é preferível a votar no original que essa cópia pôs a governar.