Sem sanções de qualquer tipo para
os nossos respeitáveis parceiros europeus que recebem refugiados como se de
bandidos se tratassem, com polícia armada com metralhadoras e erguendo muros e
barreiras de arame farpado para lhes travar o passo, o primeiro morto a tiro
seria uma questão de tempo. Foi esta noite, na Bulgária. As autoridades
búlgaras contam uma história incrível: a polícia detectou um grupo de meia
centena de afegãos desarmados numa
localidade a 30 quilómetros da fronteira com a Turquia, deu-lhes ordens para
que parassem, o grupo resistiu, a polícia foi obrigada a disparar tiros de
aviso para o ar e um destes tiros fez ricochete e atingiu mortalmente na nuca
um dos refugiados. Que tipo de munição utilizam para dar tiros de aviso e
ricochete onde, se os tiros foram disparados para o ar? Esqueceram-se de
dizê-lo, acrescento-o eu, em certos países ali por aquela zona há uma espécie
de nuvens de betão que tornam muito perigoso qualquer tiro disparado na sua
direcção.
Por causa destas nuvens, um pouco
mais a Leste, na Turquia, a polícia quando quer avisar que não quer ninguém a
auxiliar as centenas de feridos do atentado perpetrado pelo próprio regime do presidente
Erdogan, que no passado Domingo vitimou mais de uma centena de cidadãos
indefesos que se manifestavam pacificamente pela paz, é obrigada a disparar
directamente contra os que ousem desobedecer-lhe, não vá uma bala fazer
ricochete lá em cima e errar o alvo. Comecei este que lêem a falar na ausência
de sanções a um terrorismo de Estado que envergonha a Europa, termino-o com um
prémio que aumenta ainda mais essa vergonha: entre outras vantagens, e fala-se
em aceleração
do processo de adesão à UE de mais um "respeitável parceiro" para
somar à lista, a Turquia irá receber da União Europeia 3 mil milhões de euros para
servir de tampão à vaga de refugiados, que irá reter no seu território e
impedir que cheguem à Europa. Não sei se estão a ver o filme: um regime que
trata como trata os seus próprios cidadãos irá receber 3 mil milhões, que
deveriam ser canalizados para a integração da juventude que renovaria esta
Europa envelhecida, para dar tratamento de cidadãos estrangeiros e sem direitos
a todos os que consiga interceptar no seu território. Sem dúvida alguma, temos
cada vez mais motivos para nos orgulharmos da pertença a esta Europa que tão
bem sabe zelar
pela nossa felicidade. Esta brincadeira não vai terminar nada bem.
Actualização: A
União Europeia vai pagar três mil milhões de euros à Turquia ,
alegadamente para melhorar as condições
de vida dos cerca de 2,5 milhões de refugiados da guerra da Síria que ali estão
a viver,, porém, na prática, em troca de Ancara se empenhar em garantir que menos
pessoas fazem a viagem até às fronteiras do espaço europeu para pedir asilo. A
Turquia será o campo de concentração desta Europa do IV Reich. E o único país
que se opôs foi a Itália, e não por motivações humanitárias, longe disso:
simplesmente por não querer que a sua contribuição para o fundo conte para o défice.
Conseguiu.
E o fundo lá foi, como se lê na imprensa deste 3/2/2016, "finalmente"
aprovado.


1 comentário:
Comecei este que lêem a falar na ausência de sanções a um terrorismo de Estado que envergonha a Europa, termino-o com um prémio que aumenta ainda mais essa vergonha: entre outras vantagens, e fala-se em aceleração do processo de adesão à UE de mais um "respeitável parceiro" para somar à lista, a Turquia irá receber da União Europeia 3 mil milhões de euros para servir de tampão à vaga de refugiados, que irá reter no seu território e impedir que cheguem à Europa. Não sei se estão a ver o filme: um regime que trata como trata os seus próprios cidadãos irá receber 3 mil milhões, que deveriam ser canalizados para a integração da juventude que renovaria esta Europa envelhecida, para dar tratamento de cidadãos estrangeiros e sem direitos a todos os que consiga interceptar no seu território. Sem dúvida alguma, temos cada vez mais motivos para nos orgulharmos da pertença a esta Europa que tão bem sabe zelar pela nossa felicidade. Esta brincadeira não vai terminar nada bem.
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