sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Europa: quando o crime se tornou virtude



Sem sanções de qualquer tipo para os nossos respeitáveis parceiros europeus que recebem refugiados como se de bandidos se tratassem, com polícia armada com metralhadoras e erguendo muros e barreiras de arame farpado para lhes travar o passo, o primeiro morto a tiro seria uma questão de tempo. Foi esta noite, na Bulgária. As autoridades búlgaras contam uma história incrível: a polícia detectou um grupo de meia centena de afegãos desarmados  numa localidade a 30 quilómetros da fronteira com a Turquia, deu-lhes ordens para que parassem, o grupo resistiu, a polícia foi obrigada a disparar tiros de aviso para o ar e um destes tiros fez ricochete e atingiu mortalmente na nuca um dos refugiados. Que tipo de munição utilizam para dar tiros de aviso e ricochete onde, se os tiros foram disparados para o ar? Esqueceram-se de dizê-lo, acrescento-o eu, em certos países ali por aquela zona há uma espécie de nuvens de betão que tornam muito perigoso qualquer tiro disparado na sua direcção.

Por causa destas nuvens, um pouco mais a Leste, na Turquia, a polícia quando quer avisar que não quer ninguém a auxiliar as centenas de feridos do atentado perpetrado pelo próprio regime do presidente Erdogan, que no passado Domingo vitimou mais de uma centena de cidadãos indefesos que se manifestavam pacificamente pela paz, é obrigada a disparar directamente contra os que ousem desobedecer-lhe, não vá uma bala fazer ricochete lá em cima e errar o alvo. Comecei este que lêem a falar na ausência de sanções a um terrorismo de Estado que envergonha a Europa, termino-o com um prémio que aumenta ainda mais essa vergonha: entre outras vantagens, e fala-se em aceleração do processo de adesão à UE de mais um "respeitável parceiro" para somar à lista, a Turquia irá receber da União Europeia 3 mil milhões de euros para servir de tampão à vaga de refugiados, que irá reter no seu território e impedir que cheguem à Europa. Não sei se estão a ver o filme: um regime que trata como trata os seus próprios cidadãos irá receber 3 mil milhões, que deveriam ser canalizados para a integração da juventude que renovaria esta Europa envelhecida, para dar tratamento de cidadãos estrangeiros e sem direitos a todos os que consiga interceptar no seu território. Sem dúvida alguma, temos cada vez mais motivos para nos orgulharmos da pertença a esta Europa que tão bem sabe zelar pela nossa felicidade. Esta brincadeira não vai terminar nada bem.

Actualização: A União Europeia vai pagar três mil milhões de euros à Turquia , alegadamente  para melhorar as condições de vida dos cerca de 2,5 milhões de refugiados da guerra da Síria que ali estão a viver,, porém, na prática, em troca de Ancara se empenhar em garantir que menos pessoas fazem a viagem até às fronteiras do espaço europeu para pedir asilo. A Turquia será o campo de concentração desta Europa do IV Reich. E o único país que se opôs foi a Itália, e não por motivações humanitárias, longe disso: simplesmente por não querer que a sua contribuição para o fundo conte para o défice. Conseguiu. E o fundo lá foi, como se lê na imprensa deste 3/2/2016, "finalmente" aprovado.

1 comentário:

fb disse...

Comecei este que lêem a falar na ausência de sanções a um terrorismo de Estado que envergonha a Europa, termino-o com um prémio que aumenta ainda mais essa vergonha: entre outras vantagens, e fala-se em aceleração do processo de adesão à UE de mais um "respeitável parceiro" para somar à lista, a Turquia irá receber da União Europeia 3 mil milhões de euros para servir de tampão à vaga de refugiados, que irá reter no seu território e impedir que cheguem à Europa. Não sei se estão a ver o filme: um regime que trata como trata os seus próprios cidadãos irá receber 3 mil milhões, que deveriam ser canalizados para a integração da juventude que renovaria esta Europa envelhecida, para dar tratamento de cidadãos estrangeiros e sem direitos a todos os que consiga interceptar no seu território. Sem dúvida alguma, temos cada vez mais motivos para nos orgulharmos da pertença a esta Europa que tão bem sabe zelar pela nossa felicidade. Esta brincadeira não vai terminar nada bem.