quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A voz aos traidores


Antes do que fez hoje, Cavaco Silva já era, e de muito longe, o pior Presidente da República de todos os tempos. Indigitar Passos Coelho Primeiro-ministro sem maioria absoluta no Parlamento já ultrapassaria, e por muito, todos os limites da decência democrática. Mas sua excelência real, em corrida desenfreada para o recorde mundial das abjecções,  foi capaz de ir ainda mais longe. Hoje foi o dia em que os portugueses viram o seu Presidente da República de cabeça completamente perdida a dirigir-se à bancada socialista a apelar à desobediência ao seu líder, a desafiar quem queira passar-se para o outro lado e juntar o seu voto ao dos 107 deputados do PSD e do CDS na viabilização do Governo cuja indigitação anunciava e a ameaçar com um Governo de gestão caso a sua vontade não seja satisfeita. Cavaco Silva acaba de ficar para a História como o Presidente da República que colocou o nosso futuro colectivo nas mãos de quem queira conquistar um lugar ao seu lado na galeria dos traidores colaborando no seu golpe palaciano. A voz aos traidores, portanto. Bastam nove para garantirem a Pedro Passos Coelho o poder de continuar a dar-nos cabo do país e das vidas. A imprensa fala em quinze magníficos.

10 comentários:

fb disse...

Hoje foi o dia em que os portugueses viram o seu Presidente da República de cabeça completamente perdida a dirigir-se à bancada socialista a apelar à desobediência ao seu líder, a desafiar quem queira passar-se para o outro lado e juntar o seu voto ao dos 107 deputados do PSD e do CDS na viabilização do Governo cuja indigitação anunciava e a ameaçar com um Governo de gestão caso a sua vontade não seja satisfeita. Cavaco Silva acaba de ficar para a História como o Presidente da República que colocou o nosso futuro colectivo nas mãos de quem queira conquistar um lugar ao seu lado na galeria dos traidores colaborando no seu golpe palaciano. A voz aos traidores, portanto. Bastam nove para garantirem a Pedro Passos Coelho o poder de continuar a dar-nos cabo do país e das vidas. A imprensa fala em quinze magníficos.

Anónimo disse...

Grande Presidente Cavaco Silva, foi restaurada a democracia

Anónimo disse...

Só se for a deocracia fachista.

Pedro Delgado disse...

Mas existe algo que me intriga!!!! Mas democracia não é dar ao povo a possibilidade de escolher??? Quem escolheu o governo PSD e CDS não foi o povo??? Eu acho é que existem pessoas que não sabem aceitar a derrota nem o que o povo escolheu..... Se a nova coligação PS e afins fosse validada pelo mesmo, isso sim seria um desrespeito para com a escolha da população portuguesa pois nenhum português votou nessa coligação PS e amigos dos tachos...... Para governar o nosso país....

Anónimo disse...

E se rasgássemos a "Constituição da República Portuguesa" e colocássemos em seu lugar um novo documento intitulado "Tradição da República Portuguesa"? É pena que essa noção de "tradição" não tenha sido trazida à discussão durante o debate entre Passos Coelho e o Irrevogável em 2011. Hoje ouvi muitas pessoas a perguntar o que teria acontecido se os resultados das eleições tivessem sido ao contrário... eu sei o que teria acontecido, para os que têm dúvidas vão ver esse debate a que me refiro - está no Youtube - e lá terão a resposta, não será necessário submergir ao âmago das palavras proferidas pois ela está bem à tona da água.

Agora mais a sério. É uma vergonha que se esteja insistentemente a tentar passar aquela mensagem errada de que "quem ganha as eleições é quem governa, ponto final". Quem governa, segundo a Constituição, é quem consegue juntar uma maior base de apoio dentro do Parlamento, sendo que se se conseguir formar uma maioria, esta é garantia suficiente para esse efeito. Simples, concorde-se com isso ou não, é o que possibilita o funcionamento da Democracia em Portugal e como tal deve ser respeitado.

Mais, quero chamar a atenção para a forma desonesta e grosseira como se tem tentado difundir esta ideia de que "a coligação ganhou as eleições e por isso é a única que pode legitimamente aspirar governar". É uma maneira descarada deste tipo de pessoas tentarem afetar a opinião de uma franja mais ignorante da população, procurando criar nesses grupos um sentimento de revolta que as mobilize a penalizar os partidos da possível maioria, estigmatizando-os como pessoas que "não respeitam a Democracia". Isto não se pode admitir, eu não o admito. É jogo sujo e deve ser denunciado e punido como o verdadeiro "terrorismo intelectual" que o é.

Apelo às pessoas que se revoltem contra esta atitude execrável e lutem para desmascarar estes anti-democratas. Denunciem e passem a mensagem com factos, razão e honestidade.

E para que fique claro. Pedro Passos Coelho foi indigitado Primeiro Ministro com toda a legitimidade e, dado que a possível maioria ainda não tem um documento oficializado que formalize o seu acordo, não vejo como seria possível outra solução neste momento. Agora que governe, pago para ver...

Não me pronuncio sobre a segunda parte do discurso do Presidente do PSD pois tal diatribe é tão absurda que não encontro palavras que me permitam expressar o que me vai na alma.

Anónimo disse...

Pedro Delgado, para responder inequivocamente à sua questão: O povo não escolhe o Governo. Isso não é o que o nosso sistema democrático permite. Aliás, muitas pessoas não votam sequer no Pedro Passos Coelho, António Costa, Catarina Martins, ou qualquer outro líder partidário para Primeiro Ministro. Dependendo do Circulo Eleitoral onde cada um de nós se situa, votamos nos representantes desse Circulo para o Parlamento.

O povo escolhe os seus representantes no Parlamento. É com base nesses resultados e com as discussões que se fazem posteriormente aos resultados eleitorais que nasce um novo Governo. É o Parlamento que aprova o Governo, não o povo. Estas são as regras, concorde-se ou não, é o que temos. Podemos sempre tentar alterá-las.

Pode dizer-me que nunca isto tinha acontecido, que não é a "tradição". Mas o que vale afinal, a "Constituição" ou a "tradição"? Pela "tradição" muitos dos avanços que se verificam hoje na nossa Sociedade não teriam certamente acontecido.

Qualquer interpretação errada das regras da Constituição, com base no desconhecimento das pessoas, não pode servir de desculpa para a forma errada de como olhamos para este processo. Era a mesma coisa que dizer que não temos que cumprir a lei se não a conhecermos. Isso sim seria viver numa República das Bananas mas, ao que parece, muitas pessoas deste país parecem identificar-se mais com um regime desta natureza.

E não admira portanto que o País tenha chegado até aqui.

JOSÉ LUIZ FERREIRA disse...

Não, Pedro Delgado. Se o povo quisesse escolher o PàF para governar o país, ter-lhe-ia dado uma maioria absoluta. Dando-lhe uma maioria relativa, escolheu-o, sim - mas para ser a primeira força política a tentar obter uma maioria parlamentar e poder assim governar. E escolheu o PS para ser a segunda força política a ter essa oportunidade.

O Sr. Silva não fez mal em indigitar Passos Coelho. Foi um acto em consonância com a constituição e com a vontade expressa dos eleitores.

Mas fez mal em dizer que há em portugal partidos de primeira, que podem participar no governo, e partidos de segunda que não podem, porque ele não deixa ou porque os mercados não gostam.

Se Passos Coelho não conseguir uma maioria parlamentar, pelo menos teve a oportunidade que os eleitores lhe quiseram dar. O jogo agora joga-se no Parlamento, e ainda há uma possibilidade que ele o ganhe. Se não conseguir, não tem tem de que se queixar senão da sua própria rigidez ideológica.

O que não pode é achar-se no direito de exigir o apoio de outros partidos para transformar em maioria absoluta a maioria relativa que o eleitorado lhe quis dar. Por alma de quem haviam de lhe dar essa esmola, podendo eles próprios, com os votos que os eleitores lhes deram e que são tão válidos como quaisquer outros, formar a sua própria maioria?

fernanda disse...

Sobre a tradição gostaria apenas de dizer que qualquer pessoa bem informada e razoavelmente inteligente sabe que há muito deixou de ser critério valorativo. Em seu nome se têm cometido as maiores barbaridades e justificado retrocessos civilizacionais. Claro que às vezes para alguns, convém não pensar e invocar a tradição, sobretudo se ela lhes parece ser favorável. À falta de melhor argumento, a tradição convence sempre muita e boa gente.

Anónimo disse...

Um verdadeiro palhaço caduco.
Com um presidente deste envergonho.me de ser Português. Felizmente sou Madeirense, mesmo a merda seja a mesma..

Filipe Tourais disse...

Como disse a Fernanda, a comunicação social pertence a quem pertence. E é por pertencer a quem pertence que a esquerda não se faz ouvir nessa comunicação social, não por falta de argumentos. São pura e simplesmente deixados à porta.