De repente, a nossa democracia
ficou dividida em duas. Para um lado, a democracia cujas regras vêm definidas
na Lei fundamental. Para o outro, uma democracia cujas regras alegadamente
estão numa coisa chamada tradição. Ao meio, a separar os dois lados, a delimitação
que o senhor Presidente da República fez o favor ao país de enunciar.
Não, não foi de repente. Já lhe
perdemos a conta ao tempo, mas há muito que o país anda a ser bombardeado com a
mesmíssima tradição que agora vemos vociferada com raiva pelas mesmas bocas e
pelas mesmas mãos que na imprensa falada e escrita nos foram embalando com uma
versão de mundo dividida em "realismo" e "irrealismo", "responsabilidade"
e "irresponsabilidade", "sentido de Estado" e falta dele que
cabiam ou não dentro de uma criação dessas bocas e dessas mãos que dá pelo nome
de "arco da governação". Há muito tempo que essas bocas e essas mãos entretinham
quem os levasse a sério – e há tanta gente que assume como verdade tudo o que
sai do rádio e do televisor lá de casa ou aparece escrito no jornal do café,
rejeitando em simultâneo tudo o que o desdiga e desmistifique – com narrativas
sobre eleições por eles transformadas num invariável Benfica-Sporting para
escolher o Primeiro-ministro e não para o que realmente servem, para eleger
deputados.
De repente, aqui sim, vêem-se
desautorizados e, agora sim, pela
realidade. A tradição é o argumento que lhes resta. Mas a tradição são
eles, a tropa de homens e mulheres da situação que doutrinam para a tradição do
futebol eleitoral, o seu rebanho de devotos que se organizam em procissão para
carregar a cruz até à urna de voto e a tradição do toureio a pé e a cavalo
daqueles que usam o poder angariado pelas tradições dos anteriores para nos
cravarem os destinos sem dó nem piedade com os seus ferros curtos e longos.
Não havia alternativa, pois era.
Temos pena, a tradição foi derrotada nas urnas. A tradição não pode ser o que nunca foi. Experimentem ler a
Constituição da República Portuguesa. A tradição que conta é a que lá vem, a
soberania popular que, venham de lá essas tretas sobre o que não pode ser por
causa dos mercados, não é só em Portugal que anda a quebrar tradições.
Já agora, continuem a ler o país
do Burro. Este é o post número 7000. Os especialistas que se pronunciem se
chega para começar também para aqui a armar-me à tradição.


3 comentários:
De repente, aqui sim, vêem-se desautorizados e, agora sim, pela realidade. A tradição é o argumento que lhes resta. Mas a tradição são eles, a tropa de homens e mulheres da situação que doutrinam para a tradição do futebol eleitoral, o seu rebanho de devotos que se organizam em procissão para carregar a cruz até à urna de voto e a tradição do toureio a pé e a cavalo daqueles que usam o poder angariado pelas tradições dos anteriores para nos cravarem os destinos sem dó nem piedade com os seus ferros curtos e longos.
Tradições como o PB não devem desaparecer!
O bloco e o pc fazem uma asneira fatal se formarem qualquer especie de acordo com os xuxas. A SOLUÇÃO FINAL é deixar tudo ir ao fundo incluindo mais uma fase autoritária homossexual/pedófila (salazarismo), e só depois de tudo muito clarificado, começar tudo de novo. A porcaria é demasiado grande.
Portugal precisa de uma limpeza faz séculos.
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