quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Uma conversa amena


Perdoem-me os amigos comunistas mas não gostei de ver Jerónimo no frente-a-frente desta noite com António Costa. A luta de classes que é transversal ao discurso marxista não a vi em nenhuma explicação com a clareza que lhe é devida, por exemplo, sobre não ser indiferente o PIB aumentar porque aumentam os lucros e aumentar porque aumentam os rendimentos do trabalho ou sobre as preferências que a nossa estrutura fiscal tem pela tributação de salários e por manter lucros, proveitos financeiros e rendas a salvo de sobressaltos. E também não o vi confrontar António Costa com a sua escolha de aumentar o consumo recorrendo ao dinheiro que pagaria as nossas reformas futuras em vez de ir buscá-lo ao bolso daqueles que enriqueceram com a austeridade dos últimos anos, entre eles os grandes empregadores que enriquecem explorando quem para eles trabalha a 500 euros por mês. Jerónimo tropeça constantemente naqueles chavões como "política patriótica de esquerda" que parece sentir-se obrigado a dizer juntamente com uns ditados populares e umas frases queixosas pejadas de adjectivos que qualquer bom comunicador arranca da sua plateia e não da própria boca. Fiquei novamente com a sensação de ter visto o criado que perde toda a contundência que lhe vemos cá fora quando veste a gravata para ir à televisão travar uma conversa amena com o patrão. Assim só mesmo o amor e a dedicação de uma vida a uma causa toldará a percepção de como se torna fácil para qualquer adversário ganhar um debate sem grande esforço. Serão os meus amigos comunistas os mais interessados em tudo fazer para  que o seu líder se prepare e comunique melhor. E nada melhora ao som de aplausos e de elogios incondicionais ao que já é perfeito.

1 comentário:

fb disse...

Jerónimo tropeça constantemente naqueles chavões como "política patriótica de esquerda" que parece sentir-se obrigado a dizer juntamente com uns ditados populares e umas frases queixosas pejadas de adjectivos que qualquer bom comunicador arranca da sua plateia e não da própria boca. Fiquei novamente com a sensação de ter visto o criado que perde toda a contundência que lhe vemos cá fora quando veste a gravata para ir à televisão travar uma conversa amena com o patrão. Assim só mesmo o amor e a dedicação de uma vida a uma causa toldará a percepção de como se torna fácil para qualquer adversário ganhar um debate sem grande esforço. Serão os meus amigos comunistas os mais interessados em tudo fazer para que o seu líder se prepare e comunique melhor. E nada melhora ao som de aplausos e de elogios ao que já é perfeito.